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O MEL NA HISTÓRIA DA MADEIRA


Alberto Vieira


1. Os conceitos


Melaço. É o residual da 3ª cozedura.

Segundo Giulio Landi (1534) são as escumas da 2ª cozedura que é usado na alimentação dos cavalos. Todavia os franceses flamengos e ingleses usavam-no como mel.

Mel. É o resultado da calda espessa da 2ª caldeira, ou líquido que escorria das formas.

2. Nomenclatura do açúcar


Desde meados do século XV que se distinguem diversos produtos derivados do açúcar, sobre os quais pendiam os impostos. São eles: açúcar branco, meles, açúcar mascavado, escumas, rescumas e meles mascavados.

3. Historial

A partir de meados do século XVI o mel teve uma importância primordial na economia açucareira sendo, por vezes, considerado como concorrente do açúcar. Isto sucedia porque os mercadores o compravam para depois cozer e fazerem açúcar de panela, o que era considerado uma concorrência desleal pelos madeirenses. Por isso a Camara proibia a sua saída da ilha, no que foi impedida pelo Infante D. Fernando, que em 1470 (12 de Janeiro e 18 de Junho) não aceita tal postura proibitiva. Por todo o século o debate esteve entre os madeirenses que pretendiam impedir a saída do mel e o senhorio que o não permitia. Mesmo assim é uma atitude periclitante pois por vezes concorda com eles, como sucede a 22 de Março 1485, 12 Outubro de 1496. Neste último caso apenas os Açores estavam autorizados a recebê-los.

Por aqui é bastante evidente a importância sócio-económica do mel de cana na Madeira no decurso do século XV, que prosseguirá nos seguintes.

4. O uso


Sabe-se que em 1486 os mestres de açúcar refinavam o mel para fazerem confeitos e conservas. A doçaria conventual fazia uso do mel, como se pode constatar dos livros de receita e despesa do Convento da Encarnação e do Recolhimento do Bom Jesus. Também a Misericórdia do Funchal adquiria-o para o consumo do seu hospital. Assim entre 1694-1700 tem referido 14 canadas de mel.





Última alteração: 96/02/07


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