OS ENGENHOS DE AÇUCAR E AGUARDENTE NA MADEIRA

SITUAÇÃO ACTUAL

 

 

 

ALBERTO VIEIRA

CEHA-MADEIRA

avieira@avieira.net

 

 

 

O período áureo da cultura do açúcar decorreu entre meados do século XV a XVI. A grande solicitação do mercado europeu permitiu a expansão da cultura e que os madeirenses adquirissem elevados lucros. A este momento sucederam-se outras duas fases, mas a cultura nunca adquiriu a dimensão do primeiro momento. A informação dos engenhos deste primeiro momento surgem apenas em Gaspar Frutuoso que, em finais do século XVI, nos dá conta de 33 em toda a ilha

            A primeira metade do século XVI, em que a ocupação holandesa do Nordeste brasileiro obrigou os madeirenses a apostar de novo na cultura para manter a sua indústria de conservas e casquinha. O incentivo à construção de novos engenhos foi promovido pela coroa.

            Em finais do século XIX o crise do vinho obrigou ao recurso da cana como alternativa económica. É no decurso desta fase que ainda hoje persiste a cultura na ilha, não obstante o golpe mortal desferido em 1985 com o encerramento definitivo da Fábrica do Hinton, a única que ainda produzia açúcar.

            A política de proteccionismo e favorecimento do engenho do Torreão afastou todos os demais da industria, levando a maioria ao encerramento. Em 1934 um decreto estabeleceu claramente a situação: proibiu a construção de mais engenhos até 1953 e os demais existentes deixaram de poder laborar açúcar, actividade que passou a ser exclusiva do engenho do Torreão. Pior foi o que sucedeu em 1954 com o decreto que determinou a concentração de todos os fabricantes de aguardente em apenas três fábricas: Sociedade dos Engenhos da Calheta, Ltda, Companhia dos Engenhos de Machico ltda, Companhia de Engenhos do Norte(Porto da Cruz).

            O primeiro engenho da última fase surgiu e, 1826 por iniciativa de Severiano Ferraz. A energia para mover estes novos engenhos poderia ser escolhida entre a força motriz dos bois, da água e do vapor. Dependendo a opção do volume de cana a laborar e da capacidade financeira do seu proprietário. Ao mesmo tempo diferencia-se a aposta na produção de açúcar ou e aguardente.

            Em 1861 dos 29 engenhos temos apenas cinco para a produção de açúcar, situadas na Calheta, Santa Cruz, Ponta de Sol e Funchal. A redução destes últimos é inevitável nos anos seguintes com a existência em 1900 de apenas três no Funchal: Hinton, Silva Manique(Ponte Nova), José de Faria e Cª(S. Martinho). Em 1929 eram apenas duas e passados dez anos tudo ficou reduzido a apenas uma unidade industrial com o exclusivo do fabrico de açúcar, isto é, o engenho do Hinton.

            A afirmação da cana sacarina na segunda metade do século XIX conduziu inevitavelmente ao aumento do número de engenhos, atingindo-se o máximo em 1906 com 57 unidades para fabrico de aguardente e açúcar. Todavia as medidas limitativas a partir de 1939 conduzem ao encerramento da quase totalidade destas.

 

Engenhos de Açúcar na Madeira.1590-2001

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VESTÍGIOS

 

Os vestígios de engenhos que ainda hoje são visíveis na ilha resulta da última fase açúcareira, sendo na totalidade construídos entre finais do século XIX e princípios do século XX.

 

 

 

FUNCHAL.

 

·        Engenho do Hinton fundado em 1856 por W .H. Hinton. Desactivado em 1986.

·        Engenho fundado por Pedro Pires em 1867.Estrada Monumental, actuais instalações da Casa de Vinho Barbeitos.

 

 

RIBEIRA BRAVA.

 

·        Engenho fundado por José Maria Barreto e Co. Actuais instalações do Museu Etnográfico

·        Engenho da Tabua: propriedade de Valério Roiz da Cova e José da Silva.

 

 

PONTA DE SOL

 

·        Engenho do Livramento, de Francisco Silva Gaspar de 1907

 

 

CALHETA

 

·        Engenho do Arco da Calheta, fundado em 1901 por Juliana Lopes Jardim

·        Engenho da vila da Calheta de António Roiz Brás, fundado em 1908

·        Engenho do Paul do Mar. Fundado pelo conde de Carvalhal em 1858

·        Engenho da Serra de Água, fundado em 1857 por Diogo de Ornelas Frazão

·        Engenho do Jardim do Mar, fundado em 1900 por Francisco João de Vasconcelos

 

 

S. VICENTE

 

·        Engenho de Ponta Delgada, fundado em 1858 pelo Conde de Carvalhal

·        Engenho fundado em 1861 por Cândido Lusitano da França Andrade

·        Engenho da Ribeira do Porco, fundado em 1899 por Francisco António Abreu Cardoso

 

 

 

SANTANA

 

·        Engenho de S. Jorge, fundado em 1899 por Francisco de Cunha

 

 

 

MACHICO

 

·        Engenho do Faial, fundado em 1899 pelo Dr. João Caetano de Menezes

·        Engenho Casas Próximas(Porto da Cruz), fundado em 1858 por João e Valentim Leal

·        Engenho do sítio da Estacada(vila de Machico), fundado em 1858 por João Escórcio Câmara

·        Engenho Engenho do sítio dos Moinhos (vila de Machico), fundado em 1858 por Manuel António Jardim

 

 

 

EM FUNCIONAMENTO

 

 

 

Com o encerramento do engenho do Hinton em 1985 ficaram em funcionamento apenas 3 engenhos(Ribeiro Seco, Porto da Cruz e Calheta) que apenas produzem aguardente e mel.

 

 

 

CALHETA

 

Na vila da Calheta existiram dois engenhos, mas hoje funciona apenas um, restando do outro apenas para da fornalha e chaminé do engenho fundado em 1908 por António Roiz Brás. O actual engenho em funcionamento existia já em 1901 e era pertença da firma Lopes & Duarte. Nesta data o engenho movido a água foi adaptado para funcionar a vapor e água. Fabrica aguardente e mel.

 

 

 

 

 

FUNCHAL

 

No Funchal, depois do encerramento do engenho do Hinton em 1986, resta apenas o do Ribeiro Seco, fundado em 1883 por Aluísio César Betencourt. Fabrica mel

 

 

 

MACHICO(PORTO DA CRUZ)

 

Nas Casas Próximas no Porto da Cruz o primeiro engenho foi montado em 1858 por João Leal e Valentim Leal para o fabrico de aguardente e mel. O segundo surgiu em 1927, na fase de encerramento da maioria dos engenhos do norte, ficando este, sob a designação de Companhia dos Engenhos do Norte Ltda, com o rateio da cana de quatro engenhos. Fabrica aguardente e mel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DADOS A TER EM CONTA SOBRE A CANA E O AÇÚCAR

 

 

 

Tonelada de cana = 70 a 80 litros de aguardente

 

30kg de cana = 1 almude de garapa(18 litros)

 

1kg e açúcar = 15 kg de lenha para a cozedura

 

cada hectare de floresta = 200 toneladas de lenha.