NATAL... NATAIS

 

Tu, grande Ser,

Voltas pequeno ao mundo.

Não deixas nunca de nascer !

Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,

Voz de menino.

Humano o corpo e o coração divino

 

Natal... Natais...

Tantos vieram e se foram !

Quantos ainda verei mais ?

Em cada estrela sempre pomos a esperança

De que ela seja mensageira,

E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.

Em cada vela acesa, cada casa, pressentimos

Como um anúncio de alvorada;

E em cada árvore de estrada

Um ramo de oliveira;

E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

E no fragor do vento falas de anjo, e no vácuo

De silêncio da noite Estriada de súbitos clarões,

A presença de Alguém cuja forma é precária

E a sua essência, eterna.

 

Natal... Natais...

Tantos vieram e se foram !

Quantos ainda verei mais ?

 

 

Cabral do Nascimento