Organização Administrativa

 

 

 

1.1- Compromissos

 

primeiro regimento privativo que se conhece da Santa Casa da Misericórdia do Funchal é o compromisso de 22 de Março de 1631, aprovado por Carta Régia de Filipe III de 7 de Outubro de 1632. Vigorou provavelmente até 10 de Agosto de 1816. Nesta data a mesa gerente aprovou um regimento elaborado pelo então bispo da Diocese D. Frei Joaquim de Meneses e Ataíde que desempenhava o cargo de Provedor da Misericórdia. Até essa data presume-se que a Misericórdia se tenha regido, tal como as suas congéneres nacionais, pelo Compromisso geral das Misericórdias.

O Compromisso de 1631 é um documento extenso, contendo XXVIII capítulos e regulamenta em pormenor toda a actividade da irmandade.

No capítulo I, em 18 artigos estabeleceram-se as condições para a admissão dos irmãos, bem como a definição do número de confrades, e as regras e normas a que ficavam sujeitos os irmãos.

O capítulo II contém as obrigações dos irmãos que consistiam em:

As causas porque hão-de ser despedidos os irmãos encontram-se definidas em 10 pontos no capítulo III. Regulamenta as eleições dos corpos gerentes, as tomadas de posse, procissões, arrematações, assim como todas as cerimónias públicas. Regulamenta, ainda, as funções exercidas por cada irmão nos cargos desempenhados, as obrigações, bem como os direitos e castigos, tanto para os irmãos como todos aqueles que serviam a Casa por salário.

Mas o compromisso abarcava ainda uma série de normas que iam desde o modo como se deveria aceitar a execução dos testamentos, assim como sobre os contratos das propriedades, até à forma como se deveriam fazer as amizades.

Ao longo do século XVIII a Santa Casa alargou o âmbito da sua acção a vários sectores carênciados da sociedade funchalense, em 1725 o Asilo das Órfãs, a Roda dos Enjeitados.

Os rendimentos nem sempre cobriam as despesas que aumentavam dia a dia com os enfermos, os pobres que batiam à porta da Santa Casa levando muitas vezes a situações financeiras que só a boa vontade de alguns provedores poderiam resolver.

O regime de voluntariado em que trabalhavam os irmãos criava também sérias dificuldades de carácter burocrático e administrativo.

Por finais do século XVIII urgia reformular alguns aspectos administrativos para um melhor funcionamento da instituição. A Mesa de 1772/73 presidida pelo Provedor Francisco Xavier de Britto Bittencourt procedeu a uma reforma sem alterar o Compromisso e com seguintes objectivos: evitar gastos supérfluos para equilibrar as receitas despesas e não se desviar dos antigos costumes das obras de misericórdia.

A fim de evitar gastos supérfluos e o aparato exagerado das cerimónias, a Mesa proibiu a distribuição de esmolas aos pobres da cidade no dia da tomada de posse do provedor, aconselhando o exercício da caridade junto dos pobres que a Santa Casa mantinha. O escrivão da Casa passaria também a despachar ao sábado de manhã para não deixar assuntos pendentes. Faria também no fim de cada mês cobrar os juros dos devedores para evitar prejuízos que seriam, no fim do ano, objecto de demandas com gastos desnecessários para a Santa Casa e, quebra de receitas alcançadas pelos provedores, no fim de cada ano económico.

Em relação aos tesoureiros também se recomendava a sua presença aos Sábados de manhã para entregarem os dinheiros aos mordomos e que, de todas as quantias entregues ficasse o registo e a assinatura de quem as recebera. Obrigavam no fim do mês os tesoureiros a entregarem um mapa de cobrança com os devedores devidamente assinalados de modo a proceder-se a uma eficaz e rápida cobrança.

A reforma que requereu maior atenção por parte da Mesa foi aquela que se referia ao Hospital devido às grandes despesas diárias que ali se faziam. Regulamentou-se a dieta alimentar, o regime de visitas externas e a admissão de doentes. E, porque o Hospital era para doentes pobres estipulou-se os quantitativos que aqueles que não eram pobres deveriam pagar.

Também foram proibidos gastos excessivos concretamente a Consoada de Natal aonde os mordomos gastavam grandes somas, ficando a partir desta data a cargo dos próprios mordomos que as pagariam do seu bolso.

A reforma abrangia também recomendações de zelo ao letrado da Casa.

 

Quanto aos incuráveis só seriam admitidos aqueles que fossem reconhecidos pelo médico e pelo mordomo do hospital, como tal, desde que fossem desamparados e, aqueles que não pudessem, de todo em todo, pedir esmola. Uma vez admitidos fariam testamento de seus haveres à Santa Casa e tudo isto para não causarem grandes problemas financeiros à Misericórdia

1.2 - A Irmandade

 

Confraria da Misericórdia do Funchal criada em 27 de Julho de 1508 por alvará régio de D. Manuel I compunha-se de duzentos elementos, sendo cem de primeira condição, isto é, nobres, oficiais generais, prelados e, cem de segunda condição, ou seja, os oficiais mecânicos.

As informações recolhidas na diversa documentação por nós consultada, especificamente o Compromisso de 1631, permitiram-nos esboçar, em traços gerais, a estrutura interna da Confraria, bem como os seus orgãos de gestão e administração. A entrada na Confraria era limitada, não só pelo reduzido número de irmãos, duzentos como já referímos, mas pelos requisitos exigidos a cada um dos candidatos.

Só eram admitidos irmãos residentes na cidade do Funchal ou no seu perímetro para poderem comparecer com a maior celeridade na Casa sempre que o desempenho de qualquer cargo, ou função, exigisse a sua presença. O perfil psicológico do candidato a irmão abrangia uma série de valores difíceis de reunir numa só pessoa: boa consciência e fama, temor a Deus, modéstia, caridade e humildade para servir a Deus e aos pobres.

Além destes requisitos eram exigidas uma série de condições: limpeza de sangue, sem raça alguma de judeu ou mouro, não sómente em sua pessoa mas também em sua mulher, tal como se praticava na Misericórdia de Lisboa. Bom Comportamento moral e civil, não era admitido na irmandade um cidadão que tivesse sido condenado pela justiça ou, que sobre ele pendesse qualquer crime grave. Deveria ter idade superior a vinte e cinco anos a não ser que fosse casado. Não poderia servir a Casa por salário. Os trabalhadores da Santa Casa não podiam pertencer à Confraria. Quanto aos irmãos de segunda condição que tivessem tenda sendo oficiais e, se fossem de ofício teriam de ser mestre de obras e, já isento de trabalhar por suas mãos, sendo de ofício que não costumava ter. Deveria ser pessoa de bom entendimento e saber, abastado de fazenda, de modo a poder acudir ao serviço da irmandade sem levantar qualquer suspeita.

O preenchimento de uma vaga na Confraria era objecto de um processo moroso e seguia os trâmites estipulados pelo Compromisso. O concurso era público e as normas eram afixadas em editais na porta da capela da Santa Casa.Os interessados apresentavam a sua candidatura através de petição enderessada à Mesa. A selecção dos candidatos constituía um processo lento, porque era objecto de estudo por parte de várias entidades. O Provedor e restantes elementos da Mesa faziam uma primeira selecção eliminando todos aqueles que, à partida, não reuniam os requisitos necessários para pertencer à irmandade. Os restantes pedidos eram estudados pelo Provedor e pelos informadores que indagavam, de forma discreta, junto de pessoas afectas aos candidatos. Com os informes recolhidos o Provedor eliminava os nomes que não convinham á Irmandade e só apresentava à Mesa os nomes daqueles cuja informação oferecesse garantias de corresponder ao perfile exigido pela irmandade.

Depois de os informadores apresentarem cada um dos elementos candidatos à Confraria, cada irmão da Mesa escolhia aquele que, em seu parecer, deveria ser eleito. Os nomes propostos eram depois votados por toda a Mesa, por voto secreto. Os nomes aprovados pelo Provedor e pela Mesa e que, por falta de vaga não fossem contemplados eram guardados e entravam nas votações seguintes. Os restantes eram inutilizados.

O irmão eleito era convocado para a primeira sessão ordinária da Mesa. Tomava posse jurando sobre os Santos Evangelhos servir a irmandade segundo o Compromisso.

A irmandade reunia-se algumas vezes durante o ano. No dia 2 de Julho para integrar a procissão em honra de Santa Isabel e para eleger os novos corpos gerentes, reuniam-se ainda os confrades noutras cerimónias de carácter religioso como o Dia de Todos os Santos e, ainda, no dia de S. Martinho para sufragar os irmãos defuntos. Na Quinta-feira Santa toda a irmandade se incorporava na procissão de Endoenças. A presença dos irmãos em todas estas solenidades era obrigatória, assim como a comparência na Santa Casa desde que solicitada pelo Provedor ou pela irmandade, para o cumprimento de obrigações.

A Confraria era muito rigorosa quanto ao cumprimento dos deveres morais e obrigações dos irmãos. A desobediência ou a quebra das normas impostas pelo Compromisso eram alvo de sanções aplicadas pela administração que poderiam ir até ao despedimento para sempre. Dámos conta, ao longo do nosso trabalho, de algumas situações em que, ou por transgredir ou por não cumprir as obrigações, os irmãos foram castigados.

Era passível de sanção, até de despedimento o facto de um irmão causar conflitos internos devido ao seu "mau feitio". Também todo aquele que vivesse escandalosamente ou que, dalguma forma, o seu comportamento fosse considerado um mau exemplo e, por isso, alvo de críticas da sociedade seria afastado da irmandade.

Os irmãos deveriam medir muito bem as suas palavras porque em actos da irmandade qualquer palavra afrontosa ou indecorosa dirigida a outrém poderia ser motivo de despedimento.

A desobediência ao Provedor e à Mesa, ou a regeição de qualquer cargo ou função designada pela irmandade era também motivo de suspensão temporária ou definitiva, em caso de reeincidência. Eram afastados da irmandade aqueles que praticassem algum crime infame e colocassem em descrédito o bom nome da instituição.

A divulgação das decisões da Mesa e da Junta ou das intervenções feitas pelos irmãos, nessas assembleias, constituíam também motivo para despedimento.

A eleição dos orgãos administrativos era um acto solene que deveria decorrer com a maior dignidade, por isso, eram afastados os irmãos que agissem com parcialidade ou negociassem os votos dos irmãos para si ou para outrém. Aos irmãos da Mesa era vedada a compra, ou aforamento, ou arrendamento dos bens que a Santa Casa levava à arrematação.

A falta de zelo pelas obrigações da Confraria, pela desconsideração para com aqueles que confiavam nos serviços sociais e religiosos prestados pela Misericórdia, bem como os gastos excessivos eram motivo de afastamento dos irmãos.

Finalmente, o despedimento abrangia os irmãos que dessem mau exemplo ou mostras de amizades escandalosas com alguma pessoa do serviço da Casa, ou a outras que, de alguma maneira, estivessem ligadas à instituição.

Para evitar prepotências e injustiças por parte da administração da Santa Casa, o Compromisso determinava que em casos de menor gravidade, como por exemplo a desobediência ocasional, o "mau feitio"ou a vivência menos exemplar, o irmão seria admoestado três vezes pelo Provedor. Em caso de reincidência era, então, punido com o despedimento para sempre da irmandade.

O Compromisso garantia aos irmãos o direito à defesa. O pedido de desculpas ou a justificação de atitudes menos correctas eram apresentadas à Mesa que era soberana de aceitá-las ou não. Apesar de o Provedor e a Mesa terem grande autoridade, a decisão final de despedir um irmão era ratificada pela Junta, por votação secreta. O resultado dessa votação não podia ser alterado.

Esta Confraria não se limitou a combater um ou outro aspecto da miséria, mas procurou através da sua acção valer aos pobres, aos doentes, aos velhos,aos orfãos e abandonados e, de um modo geral, a todos os necessitados. A acção da Confraria não se limitava simplesmente ao Hospital e Asilo mas, os irmãos procuravam praticar a caridade visitando os pobres nas suas casas, levando-lhes o auxílio necessário, quer em géneros quer em dinheiro.

Para a concretização do seu vastíssimo programa a Misericórdia contava com o esforço, o zelo e a boa vontade dos seus confrades, bem como de um rico património acumulado desde a sua fundação. A gestão do património e a orientação da irmandade era confiada anualmente a um grupo restrito de treze confrades que compunham a Mesa: o Provedor e doze irmãos, seis de primeira e seis de segunda condição.

A eleição do Provedor e dos Conselheiros que em cada ano serviam a Misericórdia e administravam o dinheiro e os bens dos pobres era feita no dia 2 de Julho, dia de Santa Isabel, na sede da Santa Casa, por todos os irmãos incluindo o Provedor e os Conselheiros que cessavam o seu mandato. Através dos livros de Termos podemos constatar que a atribuição dos cargos era feita após a tomada de posse da Mesa. O Provedor distribuía os diferentes pelouros: escrivão, tesoureiro, mordomo do hospital, mordomos dos presos e informador, consoante as qualidades de cada um dos conselheiros.

Cada cargo era desempenhado simultâneamente por um irmão de primeira e o seu parceiro de segunda condição, à excepção do mordomo da bolsa e do mordomo da capela que eram nomeados mensalmente, como referiremos ao longo deste trabalho.

A direcção da Misericórdia reunia duas vezes por semana, às quartas-feiras e ao domingo, na sala do despacho para tomar resoluções, analisar as petições apresentadas, dar seguimento às questões que diariamente se colocavam a uma instituição que tinha a seu cargo o Hospital, várias Capelas, o Recolhimento e, ainda, para solucionar os vários assuntos que surgiam no dia a dia. A distribuição do serviço semanal era feita ao domingo, bem como os levantamentos em dinheiro feitos pelos mordomos para as despesas correntes da Santa Casa.

A Mesa era presidida pelo Provedor ou na sua ausência pelo escrivão, ou ainda na ausência deste pelo tesoureiro. A esta assembleia competia dar despacho às petições, aprovar as despesas em dinheiro, admitir ou despedir o pessoal, aumentar os salários, enfim toda a administração da Santa Casa.

Aos domingos eram feitos os pagamentos, a entrega de esmolas pelos tesoureiros, na presença do Provedor e do escrivão. De todo o dinheiro entrado era lavrado um auto, bem como de todo o dinheiro entregue aos mordomos de cada departamento.

Dois dos conselheiros designados mordomos do Hospital, sendo um oficial mecânico e outro de melhor condição, eram encarregados de visitar o Hospital e as casas onde houvesse doentes, pobres e a todos os que fossem necessitados distribuiam, semanalmente, pão e dinheiro. Para "avaliar" das necessidades de cada um os Mordomos informavam-se previamente e elaboravam um rol onde constava o nome e a morada de cada um desses pobres.

1.3 - Composição da Mesa

1.3.1 - O Provedor

 

Provedor, escolhido entre os irmãos nobres, devia ser exemplar em tudo, pois, segundo o Compromisso "será sempre um homem fidalgo, de autoridade, prudência, virtude, reputação e edade, de maneira que os outros irmãos o possam reconhecer por cabeça e obedecam com mais facilidade e ainda que por todas as partes o mereça não poderá ser elleito de menos edade que de quarenta annos (...) e pessoa desocupada para que se possa empregar nas ocupações de seu cargo com frequência e cuidado necessário"

Na verdade, as funções de Provedor exigiam uma grande disponibilidade por parte de quem as exercia. Em primeiro lugar disponibilidade financeira e, sobretudo, de muito tempo para se dedicar à administração da Casa e, aos actos públicos que um leque tão alargado de obras sociais, exigia.

Competia ao Provedor dirigir a Irmandade, repartir os cargos ordinários pelos conselheiros, no dia seguinte à eleição. O Provedor procurava prover nos cargos os irmãos que revelassem qualidades para o desempenho, como já foi referido. Presidia a todas as Juntas e Mesas, dava ordem de acompanhamento dos defuntos que a Irmandade tinha obrigação de sepultar. Dava despacho com o escrivão e, para tal, deveria comparecer na Casa todas as vezes que pudesse.

Fazia parte das atribuições do Provedor resolver os casos difíceis como por exemplo despedir qualquer servidor da Santa Casa incluindo os capelães, desde que, em sua presença cometessem algum erro notável e escandaloso. De toda a sua actividade, o Provedor dava conhecimento à Mesa que, como já foi dito, reunia ordinariamente às quartas-feiras. Comparecia na Santa Casa também ao domingo quando era feita a distribuição do serviço semanal. Assistia à entrega das esmolas e ao levantamento de dinheiro que faziam os mordomos para as despesas semanais de cada secção.

Com os dados que recolhemos durante a nossa investigação, elaborámos o quadro número 1 que contém o nome das individualidades que, ao longo do século XVIII, com maior ou menor empenho, exerceram as funções de Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal.

Quadro nº 1 Provedores da Santa Casa da Misericórdia do Funchal - século XVIII

Ano

Provedor

Fonte

1700

Pedro Lopes de Vasconce-los

ARM, L745

1701

Pe. Agostinho de Ornellas e Vasconcelos

ARM, L745 e 558

1702

João da Costa Ataíde Azeve-do Coutinho

ARM, L745e 559

1703

Jacinto Acioli de Vasconcelos

ARM, L745e 560

1704

D. José de sousa de Castelo-branco, bispo do Funchal

ARM, L561

1705

Duarte Sodré Pereira , go-vernador e Capitão general da Madeira

ARM, L562

1706

Henrique Henriques de Noronha

ARM, L563

1707

Tenente general Cristovão Dornelas Abreu

ARM, L564

1708

Zenóbio Acioli de Vasconcelos

ARM, L746

1709

D. Joseph de Sousa de Castello Branco - Bispo do Funchal

ARM, L565

1710

Tenente de Mestre de Campo General Ignácio Bittencourt Vasconcelos

ARM, L566

1711

Capitão Francisco Esmeraldo Henriques

ARM, L746

1712

Rev. Arcediago António Correa Bettencurt

ARM, L746

1713

D. Pedro Alvares da Cunha, governador e capitão general da Madeira

ARM, L746

1714

Agostinho de Ornelas e Vasconcelos

ARM, L746

1715

João Bettencurt Vieira

ARM, L746

1716

General João Saldanha da Câmara - governador do Funchal

ARM, L569

1717

D. Bernardo Bettencurt de Sá Machado

ARM, L570

1719

Pedro Afonso de Aguiar

ARM, L572

1720

Hiacinto Freitas da Silva

ARM, L746

1721

Cristovão Esmeraldo de Atouguia e Câmara

ARM, L746

1722

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencourt de Sá Machado

ARM, L746

1723

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencourt de Sá Machado

ARM, L746

1724

Jorge Correa Bittencurt

ARM, L746

1725

Francisco da Costa Freire Governador da Madeira

ARM, L746

1726

Francisco da Costa Freire Governador da Madeira

ARM, L746

1727

António Correa Bettencourt Henriques

ARM, L746

1728

João Esmeraldo de Atouguia e Câmara

ARM, L746

1729

Pedro Júlio da Câmara Leme

ARM, L746

1730

Tristam de França Bittencurt

ARM, L746

1731

António Correa Henriques Lomelino

ARM, L746

1732

António Correa Henriques Lomelino

ARM, L746

1733

Hiacinto Aucciaolly de Vasconcelos

ARM, L746

1734

Jorge Correa de Vasconcelos

ARM, L746

1735

Capitão General Joam de Abreu Castello Branco, Governador da Madeira

ARM, L746

Ano

Provedor

Fonte

1736

Jorge Vieira de Andrade

ARM, L746

1737

Pedro Bittencurt Henriques

ARM, L746

1738

António de Brito de Oliveira

ARM, L34 e 587

1739

Diogo de Ornellas Vasconcellos Frazam

ARM, L34

1740

Padre Gaspar de Valdevesso Gondim

ARM, L34

1741

Manuel Carvalho e Valdavesso

ARM, L34

1742

Tristão de França Bittencurt

ARM, L591 e 34

1743

Tristão de França Bittencurt

ARM, L34 e592

1744

Luis António Esmeraldo Telles de Menezes

ARM, L34 e 592

1745

Francisco Aurélio da Câmara Leme

ARM, L34 e 593

1746

Pedro Nicolao Bittencourt de Freitas

ARM, L34 e 594

1747

Nuno de Freitas da Silva

ARM, L34

1748

Pedro Henriques da Câmara Leme

ARM, L34 e 596

1749

Miguel da Câmara Leme

ARM, L34

1750

António João Bittencourt Henriques

ARM, L34

1751

Diogo Luis Bettencourt Afonso Esmeraldo

ARM, L34

1752

Dr.João Afonso Henriques

ARM, L 34 e 600

1753

Dr.João Afonso Henriques

ARM, L34 e 602

1754

Manoel de Saldanha Albuquerque governador da Madeira

ARM, L34

1755

Jorge Correa Bettencourt Berenguer Atouguia Netto

ARM, L34 e 605

1756

Rev. Tesoureiro Mor João de Freitas Albuquerque

ARM, L34 e 606

1757

Brás de Freitas da Silva

ARM, L34

1758

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão, bispo do Funchal

ARM, L34 e 608

1759

Rev. Tesoureiro Mor Francisco Candido Correia

ARM, L34 e 610

1760

Capitão General José Correia de Sá, governador da Madeira

ARM, L34 e 610

1761

Henrique Feliz de Freitas

ARM, L34 e 613

1762

Mendo de Brito de Oliveira Bittencurt

ARM, L34

1763

Dr Francisco Bettencourt Heredia

ARM, L34

1764

Dr Francisco Bettencourt Heredia

ARM, L34

1765

Dr Francisco Bettencourt Heredia

ARM, L34

1766

Dr João Henriques e Castro

ARM, L34

1767

Joao de Carvalhal Esmeraldo Atouguia e Camara

ARM, L34 e 618

1768

Capitão Tristão Joaquim Neto Atouguia

ARM, L34 e 619

1769

Sargento mor Ayres Telles de Menezes Alencastre

ARM, L34 e 620

Ano

Provedor

Fonte

1770

Francisco de Ornellas Frazão

ARM, L34

1771

Capitao Diogo de Ornellas Frazão Figueiroa

ARM, L34 e 621

1772

Francisco Xavier de Brito Bittencurt

ARM, L34 e 623

1773

Reverendo Francisco Xavier de Brito Bittencurt

ARM, L34 e 624

1774

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L34 e 625

1775

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L626

1776

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L627

1777

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L628

1778

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L630

1779

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L631

1780

Dom Gaspar Afonso da Costa Brandão Bispo do Funchal

ARM, L632

1781

Francisco António da Câmara Leme

ARM, L633

1782

João José Bettencurt de Freitas Menezes

ARM, L634

1783

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L635

1784

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L636

 

 

 

Ano

Provedor

Fonte

1785

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L637

1786

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L638

1787

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L639

1788

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L640

1789

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L641

1790

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L642

1791

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L643

1793

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L644

1794

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L645

1795

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L646

1796

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L647

1797

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L648

1798

Dom Diogo Pereira Forjás Coutinho governador da Madeira

ARM, L649

1799

Luis Vicente Carvalhal Esmeraldo Vasconcelos Bettencurt Sá Machado

ARM, L650

1800

Dom Luis Rodrigues Vilares bispo do Funchal

ARM, L650

Como podemos verificar a Misericórdia do Funchal teve a honra de contar entre os seus Provedores as figuras de maior prestígio da sociedade Funchalense da época. Efectivamente, empenharam-se com devotado zelo no engrandecimento e na concretização dos ideais da irmandade bispos, governadores, homens de letras e outras figuras de renome no Funchal de setecentos. Destacámos algumas personalidades que, pela sua acção contribuiram para impor a Misericórdia do Funchal como a instituição de maior inserção social na Madeira.

No início do século XVIII, no ano de 1706/7 a Confraria elegeu seu Provedor Henrique Henriques de Noronha, ilustre homem de letras do seu tempo que se dedicou aos estudos históricos e genealógicos da história madeirense. Foi membro efectivo da Academia de História e escreveu Nobiliário Genealógico de Famílias Madeirenses e Memórias Seculares e Eclesiásticas para a composição da História da Diocese do Funchal. Esta última obra, referida diversas vezes ao longo do nosso trabalho, forneceu-nos preciosas informações àcerca do edifício da Misericórdia e do funcionamento interno da instituição, bem como, da vida pública da Confraria e do "modus vivendi" da população funchalense.

É também digno de mensão especial Jorge Correia de Vasconcelos pelo desempenho de vários cargos na Mesa da Misericórdia. Durante o seu mandato como Provedor, foi criada a Roda dos Enjeitados obra de carácter humanitário e social, à qual nos referimos noutro local deste trabalho.

Ao governador Francisco da Costa Freire ficou a Misericórdia do Funchal a dever relevantes serviços. Eleito Provedor durante dois mandatos seguidos, este Provedor, a par de uma administração rigorosa, alargou o âmbito da acção social da Santa Casa com a fundação de um Recolhimento para Órfãs, filhas de irmãos em 6 de Janeiro de 1725. A estrutura organizativa e a base económica do Recolhimento foram, também, obra sua .

Em meados do século XVIII a Santa Casa foi administrada por individualidades que pela sua posição socio-política intervieram activamente na política nacional e regional. Referimo-nos concretamente aos governadores Manoel Saldanha da Gama Albuquerque, Jorge Correia de Sá e D. Diogo Pereira Forjas Coutinho e, ainda, ao bispo do Funchal D. Gaspar Afonso da Costa Brandão.

Nomeado governador do Funchal pelo rei D. Jose I, Manoel Saldanha da Gama e Albuquerque exerceu essas funções entre 1754 e 1757, ano em que se ausentou da Ilha para desempenhar altas funções políticas, de âmbito nacional. Feito Conde da Ega por D. José I, este fidalgo português, foi defensor e executor da política do futuro marquês de Pombal. Nomeado vice-rei da India procedeu à extinção da Companhia de Jesus e à expulsão dos padres que ali viviam.

Quanto a Jorge Correia de Sá outro homem da confiança do ministro de D. José I , chegou ao Funchal em Maio de 1759. A sua acção política mais relevante foi a prisão e sequestro dos Jesuitas, bem como do arrendamento dos seus bens. Desempenhou o cargo de governador até Outubro de 1767. Em toda a sua actuação contra os Jesuítas contou o governador com a colaboração do, então, bispo do Funchal D. Gaspar Afonso da Costa Brandão.

Personalidade controversa, o bispo D. Gaspar regeu os destinos da diocese do Funchal durante 26 anos, desde 1757 a 1784 e foi Provedor da Misericórdia do Funchal em sucessivos mandatos. Governador interino durante a ausência de D. Manuel Saldanha da Gama, tal como estipulava a lei vigilante, este prelado alcançou grande autoridade na Ilha uma vez que regia, em simultâneo, os destinos eclesiásticos e civis dos madeirenses.

Segundo o autor do Elucidário Madeirense a actuação do bispo durante os conflitos que conduziram à expulsão dos Jesuítas da Ilha, foi alvo de críticas por parte dos católicos da diocese e até da Cúria Romana. Na pastoral que publicou contra a Companhia utilizou uma linguagem dura e violenta que não agradou a muitos católicos.

Durante os vinte e seis anos em que orientou a diocese foi o bispo D. Gaspar muito zeloso no cumprimento da disciplina religiosa. Obstinado defensor do poder da Igreja, entrou em conflito com as autoridades civis chegando a ordenar a prisão do bacharel António Xavier Pimentel no aljube da cidade. Desse facto resultou um conflito grave com o governador da Madeira, João Gonçalves da Câmara Coutinho, que só terminou com a intervenção do governo da metrópole, a pedido do bispo. Como Provedor da Misericórdia a sua actuação pautou-se pelo rigor administrativo.

Finalmente queremos destacar o interesse e a dedicação à Santa Casa da Misericórdia do Funchal por parte do governador e capitão general da Ilha D. Diogo Pereira Forjás Coutinho. Tomou posse como governador da Madeira em 15 de Novembro de 1781. Cargo que exerceu até à sua morte em 26 de Março de 1798. As referências feitas pelos contemporâneos como governador do Funchal denotam uma grande admiração e simpatia. A avaliar pelas palavras que em seu louvor escreveram os administradores da Misericórdia salientando vários aspectos da sua governação concretamente a promoção do desenvolvimento agrícola da Madeira e Porto Santo, as facilidades comerciais tanto na importação como na exportação de produtos da Ilha. Realçam tambéma as medidas tomadas com vista à preservação da saúde pública.

Cabe-nos salientar a acção humanitária e social praticada como Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal cargo que exerceu durante vários anos. A par de uma zelosa administração dos bens e rendimentos da instituição, durante a sua permanência à frente da Misericórdia fizeram-se diversos melhoramentos no edifício, nomeadamente uma nova entrada para as enfermarias e obras de beneficiação nas enfermarias e no Recolhimento das Órfãs.

Esta nossa referência pecou por defeito. Na verdade, todos os Provedores mereciam aqui uma referência especial, mas os limites impostos a um trabalho desta natureza levaram-nos a salientar apenas aqueles cuja acção foi posta em maior evidência nos documentos que consultámos.

 

1.3.2- O escrivão

escrivão da Mesa deveria ser, segundo o Compromisso, "homem nobre, de tal prudência e condição e maior de quarenta anos de idade" tinha a coadjuvá-lo um parceiro de segunda condição. Todas as manhãs deveria comparecer na Casa porque à sua responsabilidade estava o registo de tudo quanto se passava na instituição, desde as contas dos mordomos da capela a todos os gastos dos diferentes departamentos, ao encerramento dos livros feito anualmente no mês de Agosto. Competia-lhe também a actualização dos bens da Santa Casa, confrontação de propriedades, registo dos bens e dos nomes dos defuntos que tinham feito essas doações para os tesoureiros poderem conferir na altura da arrecadação dos foros e rendas. Inventariavam todos os livros, provisões, escrituras assinadas, obrigações, testamentos, enfim todos os documentos referentes aos títulos de propriedade e aos bens pertencentes à Misericórdia. O inventário era entregue ao novo escrivão até oito dias após a tomada de posse, pelo escrivão cessante.

Quadro nº 2 Escrivães da Santa Casa da Misericórdia do Funchal - século XVIII

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1700

Pe. Diogo Pereira de Menezes

Vicente Ferreira Soares

ARM, L745

1701

Diogo de Dromond e Vasconcelos

Vicente Ferreira Soares

ARM, L745 e 558

1702

Francisco de Vasconcelos Betencourt

Vicente Ferreira Soares

ARM, L745e 559

1703

Cónego Pedro Correia Barbosa

Francisco Fraz Pimenta

ARM, L745e 560

1704

Henrique Henriques de Noronha

António Vieira de Fonseca

ARM, L561

1705

Francisco Luis de Vasconcelos

Vicente Pereira Soares

ARM, L562

1706

Cónego Tomás Betencourt Henriques

Ignácio da Silva Madeira

ARM, L563

1707

António de Carvalhal Esme-raldo

Ignácio da Silva Madeira

ARM, L564

1708

Hyacinto Acioly de Vascon-celos

João Roiz de Oliveira

ARM, L746

1709

Mestre Escola Pedro Alvares Usel

Henriques Teixeira

ARM, L565

1710

Jorge Correia Bettencourt

Diogo Rodrigues de Sousa

ARM, L566

1711

Hiacinto de Freitas da Silva

João Rodrigues da Silva

ARM, L746

1712

Cónego Thómas Henriques de Noronha

António Vieira da Fonseca

ARM, L746

1713

António de Carvalhal Esmeraldo

Francisco Ferreira Duarte

ARM, L746

1714

António de Carvalhal Esmeraldo e Câmara

Francisco Ferreira Duarte

ARM, L746

1715

Jorge Correa Bettencurt

António vieira da Fonseca

ARM, L746

 

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1716

Hiacinto Acciaolli de Vasconcelos

João Rodrigues de Olival

ARM, L569

1717

Pedro Afonso de Aguiar

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L570

1719

Diogo Bittancurt e Aguiar

Manuel Rodrigues de Canha

ARM, L572

1720

António Carvalhal Esmeraldo

João Lobo de Matos

ARM, L746

1721

D. Noytel de Castro

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1722

Jorge Correa de Vasconcelos

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1723

Jorge Correa de Vasconcelos

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1724

Pedro de Bittencurt Atouguia

António vieira da Fonseca

ARM, L746

1725

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencourt

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

 

 

 

 

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1726

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencourt

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1727

Jorge Correa de Vasconcelos

António Dionizio de Oliveira

ARM, L746

1728

António Correa Bettencourt Henriques

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1729

Ayres de Ornellas e Vasconcelos

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1730

António de Brito de Oliveira

Domingos F. da Silva

ARM, L746

1731

Pedro Afonso de Aguiar

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1732

Hiacinto Aucciaolly de Vasconcelos

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1733

Jorge Correa de Vasconcelos

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1734

Joan de Freitas da Silva

Manoel Rodrigues de Canha

ARM, L746

1735

Jorge Correa de Vasconcelos

António Freyre dos Santos

ARM, L746

1736

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencurt

Simão da Costa Souto Mayor

ARM, L746

1737

António de Brito de Oliveira

Domingos Fernandes Silva

ARM, L746

1738

Rev. Padre Gaspar de Valdavesso

Domingos Lopes Fernandes

ARM, L34 e 587

1739

António de Brito do Livramento

ARM, L34

1740

Manuel Carvalho e Valdavesso

Domingos Lopes Fernandes

ARM, L34

1741

Diogo de Ornellas Frazam

Domingos Fernandes da Silva

ARM, L34

1742

António Luis Esmeraldo Telles e Menezes

Joseph Teixeira de Mello

ARM, L591 e 34

1743

Diogo Luis Bettencourt

Manoel de Abreu Lisboa

ARM, L34 e592

1744

Ayres Telles de Menezes Allencastre

Manoel Cabral de Sousa

ARM, L34 e 592

1745

Pedro Henriques da Câmara Leme

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34 e 593

1746

Hiacinto Acciolli Vasconcelos

Pedro de Miranda

ARM, L34 e 594

1747

Hiacinto Acciolli Vasconcelos

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L34

1748

Pedro Bittencurt Henriques

Manoel Alves de Castro

ARM, L34 e 596

1749

Pedro Henriques da Câmara Leme

Ignácio Nunes Pereira

ARM, L34

1750

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34

1751

Francisco Aurélio da Câmara Leme

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L34

 

 

 

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1752

António João Bittencourt Henriques

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L 34 e 600

1753

António João Bittencourt Henriques

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34 e 602

1754

Dr.João Afonso Henriques

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34

1755

João Bettencourt Henriques Cabral

Silvestre de Sousa e Castro

ARM, L34 e 605

1756

Nuno de Freitas da Silva

Francisco Lopes Correia

ARM, L34 e 606

1757

Mendo de Brito de Oliveira Bittencourt

Francisco Lopes Correia

ARM, L34

1758

Brás de Freitas da Silva

Luis Moniz de Torres

ARM, L34 e 608

1759

Capitão Cabo João Bittencourt Henriques Cabral

Francisco Lopes Correia

ARM, L34 e 610

1760

Hiacinto Auciolly de Vasconcelos

Manoel Alves de Castro

ARM, L34 e 610

1761

Nuno de Freitas da Silva

Francisco Lopes

ARM, L34 e 613

1762

João Bittencourt Henriques Cabral

António da Luz Pereira

ARM, L34

1763

Mendo de Brito de Oliveira Bittencurt

Francisco Lopes Correia

ARM, L34

1764

Mendo de Brito de Oliveira Bittencurt

Domingos de Oliveira

ARM, L34

1765

Gaspar Berenguer César

António Correia de Sousa

ARM, L34

1766

Ayres Telles Menezes Alencastre

António Correia de Sousa

ARM, L34

1767

Ayres Telles Menezes Alencastre

António Correia de Sousa

ARM, L34 e 618

1768

Sargento Ayres Telles Menezes Alencastre

António Correia de Sousa

ARM, L34 e 619

1769

Capitão Dom João Henriques de Castro

António Correia de Sousa

ARM, L34 e 620

1770

Capitão Dom João Henriques de Castro

Manoel José da Fonseca

ARM, L34

1771

Mendo de Brito de Oliveira Bettencourt

Domingos de Oliveira ALves

ARM, L34 e 621

1772

Capitao Diogo de Ornellas Frazão Figueiroa

Domingos de Oliveira ALves

ARM, L34 e 623

1773

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

João Luis de Miranda

ARM, L34 e 624

1774

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Domingos da Silva e Freitas Guimarães

ARM, L34 e 625

1775

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Domingos da Silva e Freitas Guimarães

ARM, L626

 

 

 

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1777

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Francisco Monteiro Mendes Guimarães

ARM, L628

1778

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Francisco Monteiro Mendes Guimarães

ARM, L630

1779

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Francisco Monteiro Mendes Guimarães

ARM, L631

1780

Dom Francisco de Sá Bettancurt Catanho

Manoel José da Fonseca

ARM, L632

1781

João de Carvalhal Esmeraldo

Manoel Luis Dias Viana

ARM, L633

1782

Cónego Pedro Nicolau Accioly

Manoel de Vares Pereira

ARM, L634

1783

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Manoel de Vares Pereira

ARM, L635

1784

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Paullo Maria Passaláqua

ARM, L636

1785

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Catanho Fernandes Pimenta

ARM, L637

1786

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Miguel Francisco de Abreu

ARM, L638

1787

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Manoel José da Fonseca

ARM, L639

 

 

 

 

 

 

 

Escrivão

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1788

João José Bettencourt de Freitas e Menezes

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L640

1789

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L641

1790

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L642

1791

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L643

1793

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L644

1794

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L645

1795

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L646

1796

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L647

1797

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L648

1798

Francisco Correia Bettencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L649

1799

Luis Correia Accioly

Tomás de Cantuária

ARM, L650

1800

Francisco Correia Betencourt

Capitão José Rodrigues Pereira

ARM, L650

Como podemos ver no quadro nº 2 entre os escrivães de primeira condição salientam-se alguns clérigos, homens de letras e alguns irmãos que exerceram também as funções de Provedor. Referímos só como exemplo Henrique Henriques de Noronha seu irmão o Cónego Thomás Henriques de Noronha, o Dr. João Afonso Henriques e Jorge Correia de Vasconcelos. A perenidade do cargo é outro facto que se evidência na análise do quadro. O sargento Ayres Telles Menezes de Alencastre e D. Francisco de Sá Bettencourt são dois dos exemplos entre outros que exerceram estas funções durante muitos anos consecutivos ou alternados.

Quanto aos irmãos de segunda condição os cargos eram exercidos pelo mesmo parceiro do escrivão durante muitos anos como é notório. Notório é também o facto de o capitão José Rodrigues Pereira, que exerceu o cargo no final do século XVIII e, durante vários mandatos, pertencer à segunda condição apesar da sua patente militar. Como já foi referido, a inserção num ou noutro grupo fazia-se pela ascendência social. A Santa Casa mantinha nas suas estruturas uma hierarquização social mais rígida do que outras instituições na mesma época, é o caso do exército. A excepção só se abria para os clérigos.

 

1.3.3- O Tesoureiro

tesoureiro da Misericórdia deveria ser "pessoa nobre, honrada e abastada" segundo o Compromisso. Substituía o Provedor e o escrivão na ausência destes e todas as manhãs comparecia na Santa Casa. As suas funções principais, imprescindíveis ao funcionamento e gestão da instituição, eram bastante amplas. Arrecadava as esmolas e os rendimentos, que registava em livro próprio assinado pelo seu punho, apresentado mensalmente à Mesa. Estava presente em todas as vendas efectuadas pela Misericórdia. Entregava o dinheiro aos mordomos para as despesas semanais da Casa, aos domingos na presença do Provedor e do escrivão. Recebia as esmolas e as rendas que os devedores e os benfeitores pagavam à Santa Casa.

Todo o dinheiro recebido era depositado numa arca e só aberta na presença do Provedor, do escrivão e dele próprio. Essa arca designava-se por "Arca das três chaves" porque só podia ser aberta simultâneamente pelas chaves na posse de cada um destes três elementos. A partir de 18 de Julho de 1736 passou a ser obrigatória a existência de uma arca de três chaves no escritório da Santa Casa para arrecadar o dinheiro das rendas pagas porque se verificava grande desleixo. Essa arca só era aberta às quartas feiras e aos domingos, quando se faziam os pagamentos.

Também para os tesoureiros da santa Casa elaboramos o quadro nº3 que se segue incluindo todos os tesoureiros de primeira e segunda condição.

Quadro nº 3 Tesoureiros da Santa Casa da Misericórdia do Funchal -século XVIII

 

 

 

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1700

Álvaro de Ornellas e Vasconcelos

Sebastião de abreu

ARM, L745

1701

Brás de Ornellas Dromundo

João Lobo de Matos

ARM, L745 e 558

1702

Agostinho Hermete de Sá

Manoel Vieira de Afonseca

ARM, L745e 559

1703

Diogo Bettecourt e Aguiar

João Lobo de Matos

ARM, L745e 560

1704

Jorge Correia de Vasconcelos

João Ferreira de Noronha

ARM, L561

1705

D. Bernardo de Betancurt e Sá

Manoel de Faria e Almeida

ARM, L562

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1706

Capitão António Correa Lomelino

António Vieira de Afonseca

ARM, L563

1707

Capitão antónio da Camara Leme

Bartholomeu de Matos

ARM, L564

1708

João de Freitas da Silva Bitencourt

João Ferreira e Noronha

ARM, L746

1709

Jorge Correia Bettancurt

António Vieira de Afonseca

ARM, L565

1710

João de Bettencourt Vieira

Simão de Nóbrega

ARM, L566

1711

Capitão António Correa Lumelino

Francisco Gomes Ferreira

ARM, L746

1712

Manuel Bettencourt Atouguia

Simão de Nóbrega

ARM, L746

 

 

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1713

Jorge Correa Bettencourt Vasconcelos

Francisco Gomes Ferreira

ARM, L746

1714

Manoel Carvalho Valdevesso

Manoel de Canha

ARM, L746

1715

Tristão de França Bettencurt

Joseph Ferreira da silva

ARM, L746

1716

António Correa Lomelino

Francisco Gomes Ferreira

ARM, L569

1717

Hiacinto Acciaolli de Sá

Francisco Pereira da Silva

ARM, L570

1719

Padre António de Freitas

Domingos Fernandes Silva

ARM, L572

1720

Rev. Cónego João de Freitas e Albuquerque

Francisco de Sousa Jardim

ARM, L746

1721

Francisco de Ornelas de Brito

Joseph Ferreira da Silva

ARM, L746

1722

Hiacinto Auciolli de Sá

Francisco Pereira da Silva

ARM, L746

1723

Hiacinto Auciolli de Sá

Manoel de Pimentel

ARM, L746

1724

Agostinho César Berenguer

Manoel de Pimentel

ARM, L746

1725

Hiacinto Auciolli de Vasconcelos

Francisco Gomes Brazão

ARM, L746

1726

Jorge Correa de Vasconcelos

Domingos Ferreira da Silva

ARM, L746

1727

Pedro de Bittencourt Henriques

Mathias Ferreira Freitas

ARM, L746

1728

João Bittencurt

Pedro Rodrigues de Freitas

ARM, L746

1729

Francisco Aurellio da Câmara Leme

João Reodrigues de Sousa

ARM, L746

1730

Luis António Esmeraldo Teles de Menezes

António Freitas dos Santos

ARM, L746

1731

Diogo Bittencurt de Sá

António Rodrigues

ARM, L746

1732

Nuno de Freitas da Silva

António Rodrigues da Silva

ARM, L746

1733

António Auchiaolly Bittencurt

Pedro Gonçalves Correa

ARM, L746

1734

Henrique Joam Correa Henriques

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L746

1735

Diogo Bittencurt de Sá

Joam Rodrigues de Sousa

ARM, L746

1736

Jorge Correa de Vasconcelos

António de Ornellas

ARM, L746

1737

Joam da Câmara Leme

António Pereira de Andrade

ARM, L746

 

 

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1738

Pedro de Bittencurt Henriques

Manuel de Freitas

ARM, L34 e 587

1739

Pedro Bittencourt Henriques

 

ARM, L34

1740

António Joseph Spínolla

Vicente Enes da Silva

ARM, L34

1741

Pedro Bittencourt Henriques

Manoel de Castro

ARM, L34

1742

Manoel Carvalho Valdavesso

Domingos Telles de Menezes

ARM, L591 e 34

1743

Pedro Bittencurt Henriques

Miguel sousa

ARM, L34 e592

1744

Pedro Bittencurt Henriques

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L34 e 592

1745

João da Câmara Leme

Luis Moniz de Torres

ARM, L34 e 593

1746

Francisco Joseph Bettencurt de Freitas

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L34 e 594

1747

João de Freitas e Albuquerque Figueiroa

Vicente Enes da Silva

ARM, L34

1748

António João Bittencourt Henriques

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34 e 596

1749

António João Bittencourt Henriques

Francisco Xavier Fernandes

ARM, L34

1750

Miguel da Câmara Leme

Miguel de Sousa de Castro

ARM, L34

1751

António João Bettencourt Henriques

Silvestre de Sousa

ARM, L34

1752

Rev. António Joaquim Bittencurt Henriques

Noytel Soares Pereira

ARM, L 34 e 600

1753

Diogo Luis Bittencurt

Luiz Moniz de Torres

ARM, L34 e 602

1754

Diogo Luis Bittencurt Esmeraldo

Noytel Soares Pereira

ARM, L34

1755

Luis Bettencourt e Albuquerque

Filipe Nery da Silva

ARM, L34 e 605

1756

Henrique Felix de Freitas e Silva

Noytel Soares Pereira

ARM, L34 e 606

1757

António de Brito Oliveira Bittencourt

Manoel Francisco de Ornellas

ARM, L34

1758

Cónego Pedro Nicolau Aucciolly

Filipe Nery da Silva

ARM, L34 e 608

 

 

 

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1759

Luis Esmeraldo Bittencourt Henriques

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 610

1760

Nuno de Freitas da Silva

António da Luz Pereira

ARM, L34 e 610

1761

Roque João Auciolly

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 613

1762

Joaquim José Bahena Henriques

Thomé Henriques

ARM, L34

1763

João Paulo Berenguer

Filipe Gonçalves Vieira

ARM, L34

1764

João Paulo Berenguer

Filipe Gonçalves Vieira

ARM, L34

1765

João Paulo Berenguer

Filipe Gonçalves Vieira

ARM, L34

1766

António Carvalhal Esmeraldo

Manoel Ferreira

ARM, L34

1767

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 618

1768

António Bittencurt Villella da Câmara

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 619

1769

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 620

1770

Francisco de Ornelas de Brito Bittencourt

José Rodrigues Pereira

ARM, L34

1771

Rev. Francisco Xavier de Brito

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 621

1772

António Ferreira Correia Henriques e Câmara

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 623

1773

António Ferreira Correia Henriques e Câmara

Manoel de Santa Ana e Vasconcellos

ARM, L34 e 624

1774

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 625

1775

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L626

 

 

Tesoureiro

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1776

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L627

1777

António Carvalhal Esmeraldo

José Rodrigues Pereira

ARM, L628

1778

António Carvalhal Esmeraldo

Catanho Fernandes Pimenta

ARM, L630

1779

Rev. João Paulo Bereguer César

Alexandre Marques de Mendonça

ARM, L631

1780

Francisco Xavier de Ornellas

Miguel Francisco de Abreu

ARM, L632

1781

Francisco de Freitas da Silva

Francisco Xavier Veríssimo

ARM, L633

1782

Tristão Joaquim de França Netto

Manoel António Gomes da Estrella

ARM, L634

1783

Tristão Joaquim de França Netto

Manoel António Gomes da Estrella

ARM, L635

1784

Tristão Joaquim de França Netto

Marcos João de Ornellas

ARM, L636

1785

Tristão Joaquim de França Netto

Capitão Calisto José de Aguiar

ARM, L637

1786

Tristão Joaquim de França Netto

Paulo Malheiro e Melo

ARM, L638

1787

Joaquim José Sanches

Amnoel António Gomes da Estrella

ARM, L639

1788

Capitão Luis Alexandre Sevayre

António Francisco Xavier Figueira

ARM, L640

1789

Capitão Luis Alexandre Sevayre

António Francisco Xavier Figueira

ARM, L641

1795

Capitão Luis Alexandre Sevayre

Domingos Telles de Menezes

ARM, L646

1796

Capitão Luis Alexandre Sevayre

Domingos Telles de Menezes

ARM, L647

1797

Capitão Luis Alexandre Sevayre

Manoel de Santa Ana

ARM, L648

1798

Capitão Luis Alexandre Sevayre

Manoel de Santa Ana

ARM, L649

1799

Henrique Correia de Villena Henriques

Marcos João de Ornellas

ARM, L650

1800

Cónego António Accioly Bettencourt

Marcos João de Ornellas

ARM, L650

 

 

1.3.4 - O Mordomo do hospital

mordomo do Hospital não podia ter menos de quarenta anos de idade, tal como o Provedor. Era responsável por todo o serviço administrativo do Hospital e tinha a coadjuvá-lo um parceiro de segunda condição. Este cargo, tal como os restantes era honorífico, no entanto exigia uma permanência no Hospital que só " um homem de posses podia exercer".

O mordomo acompanhava o médico na visita aos doentes durante a qual fazia o rol das necessidades e verificava, depois, o seu cumprimento. Todos os domingos comparecia no escritório da Santa Casa para receber o dinheiro necessário às despesas semanais. Providenciava de modo que o serviço religioso fosse realizado todos os dias na enfermaria. No entanto os doentes confessavam-se e comungavam na capela, desde que tivessem condições para o fazer.

Quadro nº 4 Mordomos do Hospital da Santa Casa da Misericódia do Funchal - século XVIII

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1700

Diogo Dromundo de Vasconcelos

Joseph Teixeira

ARM, L745

1701

Pe. Capelão-Mor Domingos Castro e Menezes

Matheus Pereira

ARM, L745 e 558

1702

António de Carvalhal Esmeraldo

Matheus Pereira

ARM, L745e 559

1703

Pedro Afonso de Aguiar

Matheus Pereira

ARM, L745e 560

1704

Cónego Thomas de Bettencurt Henriques

Sebastião de Abreu

ARM, L561

1705

Jorge Correia Betancurt

Francisco Fernandes Pimenta

ARM, L562

1706

Cónego ThomasHenriques de Noronha

Sebastião de Abreu

ARM, L563

1707

Pedro Júlio da Cãmara Leme

Francisco Friz Pimenta

ARM, L564

1708

Jorge Correa Bitencurt

Jorge Correa Bitencourt

ARM, L746

1709

Cónego Gaspar Mendes de Vasconcelos

Francisco Fernandes Pimenta

ARM, L565

1710

Cónego Gaspar Mendes de Vasconcelos

Matheus Pereira Coelho

ARM, L566

1711

João C. da Câmara

Francisco Fernandes Pimenta

ARM, L746

1712

Manuel B. César de Andrade

Diogo

ARM, L746

1713

Aires de Ornelas de Vasconcelos

António de Araújo Amorim

ARM, L746

1714

Cónego António de Carvalhal Esmeraldo

Domingos Fernandes Mónica

ARM, L746

1715

Rev. Padre Francisco Accioli de Vasconcelos

Manoel da Silva Barreto

ARM, L746

 

 

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1716

António Correa Bettencurt

Manoel da Silva Barreto

ARM, L569

1717

Manoel de Veloza de Vasconcelos

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L570

1719

António Correa Lomelino

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L572

1720

Jorge Correa de Vasconcelos

Domingos de Abreu Florença

ARM, L746

1721

Diogo Villella Bitancourt

Lourenço Franco

ARM, L746

1722

Pedro Bittencourt Henriques

Manoel Correa

ARM, L746

1723

Pedro Bittencourt Henriques

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1724

Rev. Cónego Gaspar Mendes de Vasconcelos

Mathias Gonçalves

ARM, L746

1725

Pedro Bitencurt Henriques

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1726

Pedro Bittencurt Henriques

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1727

Padre Francisco Acciaolli

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1728

Jorge Correa de Vasconcelos

Mathias F. de Freitas

ARM, L746

1729

Pedro Bitencurt Henriques

Mathias F. de Freitas

ARM, L746

1730

Diogo Luis Bittancourt

Manuel Rodrigues Pereira

ARM, L746

1731

Pedro Nicolao de Freitas

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1732

Pedro Nicolao de Freitas

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

 

 

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1733

Francisco Sanches de Baenna Henriques

Manuel Rodrigues Pereira

ARM, L746

1734

Joam Bittencurt Villella da Costa

Manuel Rodrigues Pereira

ARM, L746

1735

Francisco Changes de Baenna Henriques

Manuel Rodrigues Pereira

ARM, L746

1736

Hiacinto Aucciaolly de Vasconcelos

Diogo Fernandes Mónica

ARM, L746

1737

Brás de Freitas da Silva

Mathias Ferreira Freitas

ARM, L746

1738

Francisco de Vasconcelos Heredia

António de Sousa

ARM, L34 e 587

1739

Ayres Telles de Menezes Allencastre

ARM, L34

1740

Miguel de Câmara Leme

Manuel Ferreira

ARM, L34

1741

Miguel de Câmara Leme

Domingos Telles

ARM, L34

1742

Diogo Luis Bettencourt e França

Manoel Rodrigues Pereira

ARM, L591 e 34

1743

António Joseph Spínola

António de Sousa

ARM, L34 e592

1744

Padre Felix Lucas de Carvalhal

Manoel Rodrigues Pereira

ARM, L34 e 592

1745

António José Spínola

António de Sousa

ARM, L34 e 593

1746

Diogo Bittencurt e Sá

Manoel Pacheco

ARM, L34 e 594

1747

Rev. Padre Feliz Lucas de Carvalhal

Pedro Fernandes da Costa

ARM, L34

1748

Miguel da Cãmara Leme

Ignácio Numes Pereira

ARM, L34 e 596

1749

Luis de Albuquerque Freitas

João de Freitas

ARM, L34

1750

Pdro Henriques da Câmara Leme

Ignácio Nunes Pereira

ARM, L34

1751

Pedro Bittencourt Henriques

António M. Pestana

ARM, L34

1752

Henrique Filix de Freitas

Manoel Pacheco

ARM, L 34 e 600

1753

Pedro Henriques da Câmara Leme

João Nunes Pereira

ARM, L34 e 602

1754

Pedro Henriques da Câmara Leme

José Nunes Pereira

ARM, L34

1755

Dr. João Afonso Henriques

António Martins Pestana

ARM, L34 e 605

1756

Rev. Manoel Caetano Henriques

António Martins Pestana

ARM, L34 e 606

1757

Francisco Esmeraldo

Manoel Alves de Castro

ARM, L34

1758

Francisco Aurélio da Câmara Leme

Manoel de Freitas

ARM, L34 e 608

1759

Francisco Esmeraldo Bittencourt Henriques

Sebastião Figueira

ARM, L34 e 610

1760

Francisco Esmeraldo Bittencourt Henriques

Sebastião Figueira

ARM, L34 e 610

1761

João Pedro de Freitas

André Mendes

ARM, L34 e 613

1762

António João Bittencurt Henriques

António Martins Pestana

ARM, L34

1763

Francisco de Ornellas de Brito Bettencourt

Manoel Alves Pereira

ARM, L34

1764

Francisco de Ornellas de Brito Bettencourt

Manoel Francisco de Sousa

ARM, L34

1765

Francisco de Ornellas de Brito Bettencourt

Manoel Francisco de Sousa

ARM, L34

 

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1766

Francisco Esmeraldo de Bettencurt Henriques

Diogo de Andrade

ARM, L34

1767

Mendo de Brito Oliveira

Manoel Alves

ARM, L34 e 618

1768

Francisco de Ornelas Frazão

António Pestana

ARM, L34 e 619

1769

Francisco de Ornelas Frazão

Sebastião de Abreu e Brito

ARM, L34 e 620

1770

Tristão Joaquim Neto

António Martins Pestana

ARM, L34

1771

Francisco de Ornelas Frazão

Thomás Correia da Silva

ARM, L34 e 621

1772

António João Bittencourt Henriques

M, L34 e 622

1773

António João Bittencourt Henriques

Silvestre de Azevedo

ARM, L34 e 624

1774

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Manoel Alves Pereira

ARM, L34 e 625

1775

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Manoel Alves Pereira

ARM, L626

1776

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Silvestre de Azevedo

ARM, L627

1777

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Silvestre de Azevedo

ARM, L628

1778

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Manoel Alves Pereira

ARM, L630

1779

Dom João Bittencourt Henriques e Castro

Manoel Marques de Sousa

ARM, L631

1780

Dr Goncalves Aires Telles de Menezes

João Carvalho de Almeida

ARM, L632

1781

Manoel Accioly de Vasconcellos

Nicolau Dias

ARM, L633

1782

Tristao Joaquim Netto

Catanho Fernandes Pimenta

ARM, L634

1783

Francisco de Freitas da Ssilva

Domingos da Costa

ARM, L635

1784

Capiitao Jose Francisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Domingos da Costa

ARM, L636

1785

Capitao Jose Francisco Esmeraldo betencurt Henriques

Domingos da Costa

ARM, L637

1786

Capitao Jose Francisco Esmeraldo Bettencurt Henriques

Domingos da Costa

ARM, L638

1787

Capitao Jose FRancisco Esmeraldo Bettencurt Henriques

Domingos da Costa

ARM, L639

1788

Nicolau Luis de Mendonca Vasconcelos

Ferancisco António de Sousa

ARM, L640

1789

Diogo de Ornelas Felgueira Pereira de Britto

Capitão Domingos da Costa

ARM, L641

1790

João Paulo Esmeraldo Betencurt Henriques Vogado

Capitão Domingos da Costa

ARM, L642

1791

Antonio João Betencurt Henriques

Capitão Domingos da Costa

ARM, L643

1793

Jose Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L644

1794

Jose Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L645

 

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1795

Jose Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L646

1796

Jose Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L647

1797

Jose Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L648

 

M. Hospital

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1798

José Fracisco Esmeraldo Betencurt Henriques

Francisco José de Macedo

ARM, L649

1799

Joaquim Manoel de França

Francisco Alexandre Teixeira de Sousa

ARM, L650

 

1.3.5 - O Mordomo dos presos

ordomos dos presos competia as visitas aos presos sós, pobres e desamparados. As suas funções iam desde o acompanhamento dos reclusos, providenciando o seu sustento e cuidando da sua saúde e nos casos de degredo providenciavam o seu embarque. Verificavam a celeridade com que os procuradores da Casa acompanhavam os processos, porque da morosidade dos despachos resultava muitas vezes grandes perdas à instituição.

Elaborámos também um quadro com os dados referentes a estes mordomos para uma melhor especificação.

Quadro nº 5 Mordonos dos presos da Santa Casa da Misericórdia do Funchal - séc. XVIII

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1700

Capitão Lourenço Furtado de Mendonça

Francisco Glz Correia

ARM, L745

1701

Manoel da Costa de Almeida

Francisco Glz Correia

ARM, L745 e 558

1702

Francisco Luis de

Vasconcelos

ARM, L745e 559

1703

Jorge Correia de Vasconcelos

Francisco Gonçalves

ARM, L745e 560

1704

Pe. Júlio da Câmara Leme

Phelippe Riz Cunha

ARM, L561

1705

Ayres Ornellas de Vasconcelos

João Lopes Netto

ARM, L562

1706

José Correia de Vasconcelos

Bernardo Roiz

ARM, L563

1707

Capitão Miguel da Câmara Lume

Manoel Correa da Silva

ARM, L564

1708

Jorge Correia de Vasconcelos

Manoel Correa da Silva

ARM, L746

1709

Cónego João de Frietas e Albuquerque

António Pimenta

ARM, L565

1710

João de Freitas da Silva

Francisco Fernandes Pimenta

ARM, L566

1711

António Carvalhal Esmeraldo

Manuel Correa da silva

ARM, L746

1712

António Correa Bettencourt

Henrique Teixeira

ARM, L746

1713

António Correa Bettencourt Henriques

Manuel Correa da Silva

ARM, L746

 

 

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1714

Tenente Coronel Aires de Ornellas e Vasconcelos

Manoel Correa da Silva

ARM, L746

1715

João de Freitas da Silva

António Dionízio de Oliveira

ARM, L746

1716

Hiacinto de Freitas da Silva

António Dionízio de Oliveira

ARM, L569

1717

João de Freitas da Silva

António Dionísio de Oliveira

ARM, L570

1719

Diogo Bittancourt Aguiar e Sá

António Dionísio de Oliveira

ARM, L572

1720

Pedro de Bettencourt Henriques

Manoel Correa da Silva

ARM, L746

1721

António de Brito de Oliveira

António Dionízio

ARM, L746

1722

António Correa Bittencourt Henriques

Manoel Correa

ARM, L746

1723

António Correa Bittencourt Henriques

Manoel Correa

ARM, L746

1724

Pedro Afonso de Aguiar

António Dionísio de Oliveira

ARM, L746

1725

Diogo Bittancurt de Sá

Manoel Correa

ARM, L746

1726

Diogo Bittancurt de Sá

António Dionísio de Oliveira

ARM, L746

1727

Jacinto Acciaolli de Vasconcelos e Sá

Manoel Correa da silva

ARM, L746

 

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1728

Hiacinto da Câmara Leme

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L746

1729

Pedro Henriques Câmara Leme

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L746

1730

Manoel da Câmara de Brito

António Rodrigues

ARM, L746

1731

António Auchiaolly Bittencurt

Francisco Fernandes

ARM, L746

1732

António Auchiaolly Bittencurt

Francisco Fernandes

ARM, L746

1733

João de Freitas da Silva

Henrique Soares do Vale

ARM, L746

1734

Nuno de Freitas da Silva

Ignácio Gomes Cardozo

ARM, L746

1735

Ayres de Ornellas de Vasconcelos

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L746

1736

João de Freitas da Silva

António Dionísio de Oliveira

ARM, L746

1737

António Josephe Espinhola

André de Sousa

ARM, L746

1738

Manuel Vogado Lomelino

António Cotrim

ARM, L34 e 587

1739

Padre Gaspar de Valdevesso Gomdim

ARM, L34

1740

Pedro Bittencourt Henriques

André de Sousa

ARM, L34

1741

António Joseph Spínola

Manuel Ferreira

ARM, L34

1742

Pedro Teixeira Dória

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L591 e 34

1743

Ayres Telles de Menezes

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L34 e592

1744

Diogo Luis Bittencurt

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L34 e 592

1745

José Agostinho de Vasconcellos

António Lourenço de Sousa

ARM, L34 e 593

1746

Joseph Agostinho de Vasconcelos

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L34 e 594

1747

Brás de Freitas da Silva

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L34

1748

José Agostinho de Vasconcelos

Manoel Baptista de Oliveira

ARM, L34 e 596

1749

Pedro Bittencourt Henriques

Hiacinto Xavier Freitas

ARM, L34

1750

Diogo de Ornellas de Vasconcelos Frazão e Figueiroa

Pedro Gonçalves Correa

ARM, L34

1751

Dom Sancho Gaspar de Herédia

Ambrósio Soares de Vasconcelos

ARM, L34

1752

José Agostinho de Vasconcelo Correa

Thomé Rodrigues Silva

ARM, L 34 e 600

1753

João Bittencurt Henriques

Domingos da Corte e Abreu

ARM, L34 e 602

1754

João Bettencourt Henriques Cabral

Ambrózio Soares de Vasconcelos

ARM, L34

1755

António João Bettencourt Henriques

António Lourenço de Sousa

ARM, L34 e 605

1756

João de Figueiroa Albuquerque e Freitas

Manoel Francisco e Vasconcelos

ARM, L34 e 606

1757

João Pedro de Freitas e Silva

Sebastião Figueira

ARM, L34

1758

Francisco Esmeraldo Bittencourt Henriques

António Lourenço de Sousa

ARM, L34 e 608

1759

António João Bittencourt Henriques

Domingos da Corte e Abreu

ARM, L34 e 610

1760

Ayres Telles de Meneses Allencastre

Silvestre de Sá

ARM, L34 e 610

 

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1761

António Leandro da Câmara

António dos Passos

ARM, L34 e 613

1762

João de Carvalhal Esmeraldo

Ambrósio Soares

ARM, L34

1763

Joaquim José Sanches de Bahena

Thomé da Silva

ARM, L34

1764

Joaquim José Sanches de Bahena

Thomé da Silva

ARM, L34

1765

António Teixeira Dória

António da Luz Pereira

ARM, L34

1767

Henrique Teles de Freitas

António Lourenço

ARM, L34 e 618

1768

Mendo de Brito de Oliveira Bittencourt

Bartholomeu Fernandes

ARM, L34 e 619

1769

Cristovão Esmeraldo Teles de Menezes

Domingos da Corte e Abreu

ARM, L34 e 620

1770

Francisco Xavier

Bartholomeu Fernandes

ARM, L34

1771

António Carvalhal Esmeraldo

Bartholomeu Fernandes

ARM, L34 e 621

1772

João António de Brito Bitencourt

João Teles de Menezes

ARM, L34 e 623

1773

Henrique Felix de Freitas da Silva

Florenço Francisco Machado

ARM, L34 e 624

1774

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

João Teles de Menezes

ARM, L34 e 625

1775

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

Bartholomeu Fernandes

ARM, L626

1776

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

Bartholomeu Fernandes

ARM, L627

1777

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

Bartholomeu Fernandes

ARM, L628

1778

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

Bartholomeu Fernandes

ARM, L630

1779

Jorge Correia Accioli e Vasconcellos

Bartholomeu Fernandes

ARM, L631

1780

Filipe de Carvalhal Esmeraldo

Roque Vidal

ARM, L632

1781

José António Spínola

António João de Andrade

ARM, L633

1782

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L634

1783

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L635

1784

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L636

1785

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L637

1786

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L638

1787

Joaõ de Carvalhal Esmeraldo

Thomás Ferreira Saldanha

ARM, L639

1788

Captitão Francisco da Câmara Leme

António Joaquim Gonçalves

ARM, L640

1789

Captitão Francisco da Câmara Leme

António Joaquim Gonçalves

ARM, L641

1790

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L642

1791

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L643

1793

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L644

 

 

 

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1794

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L645

1795

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L646

1796

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L647

 

 

 

M. dos Presos

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

 

1797

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L648

1798

José Nicolau Teixeira de Vasconcelos e Câmara

António Joaquim Gonçalves

ARM, L649

1799

Pedro Nicolau Bittencourt e Freitas

Francisco José de Oliveira

ARM, L650

1800

José Joaquim de Freitas e Aragão

Paulo Maria Passalaqua

ARM, L650

 

1.3.6 - Os informadores

uanto aos informadores, um de primeira e outro de segunda condição, como era norma, competia-lhes dar esmolas aos pobres. Essas esmolas não podiam ser dadas em casa do mordomo nem arbitrariamente, pois obedeciam a uma série de requisitos. O mordomo inquiria junto dos curas das igrejas àcerca da necessidade de cada pobre da freguesia, bem como do seu comportamento. As novas petições para pertencer ao rol dos pobres da Misericórdia eram apresentadas ao Provedor. Aos informadores competia também providenciar o tratamento das doenças, bem como de remédios da botica da Santa Casa para os doentes do rol. Era da sua competência cuidarem dos doentes pobres e desamparados que andassem pela cidade.

Os informadores levantavam o dinheiro dos pobres ao domingo no escritório da Santa Casa. De todo o dinheiro recebido era lavrado um termo devidamente assinado pelos informadores e pelo tesoureiro da Mesa.

Quadro nº 6 Informadores da Santa Casa da Misericórdia do Funchal - séc. XVIII

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1700

Manoel da Atouguia Betencurt

Manoel Soares

ARM, 745

1701

Gaspar Soares

Sebastião de abreu

ARM, 745 e 558

1702

Francisco Henriques Esmeraldo

Salvador da Costa

ARM, 745e 559

1703

Pe. Gaspar Tello de Menezes

Salvador da Costa

ARM, 745e 560

1704

Agostinho de Ornellas e Vasconcelos

Matheus Pereyra

ARM, 561

 

 

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1705

Francisco Henriques Esmeraldo

Salvador da Costa

ARM,L562

1706

Manoel Betancurt Atouguia

Dionízio Gomes

ARM,L563

1707

Capitão Hiacinto de Freitas da Silva

João Lobo de Matos

ARM,L564

1708

António da Silva Favilla de Vasconcelos

João Lobo de Matos

ARM,L746

1709

Cónego Estevão de Faria e Castro

Sebastião de Abreu

ARM,L565

1711

Rev. Cónego Bartholomeu Cézar B.

João Lobo de Matos

ARM,L746

1712

António Carvalhal Esmeraldo

Francisco Fernandes Pimenta

ARM,L746

1713

Agostinho de Ornelas e Vasconcelos

João Ferreira de Noronha

ARM,L746

1714

Cónego Aires de Ornelas e Vasconcelos

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1715

Jorge Correa de Vasconcelos

João Dias de Aguiar

ARM,L746

1716

António Carvalhal Esmeraldo

Simão de Nóbrega Caldeira

ARM,L569

1717

Cónego João de Freitas Albuquerque

Faustino de Araújo

ARM,L570

1719

Padre Francisco Aucciolli deVasconcelos

António Vieira da Fonseca

ARM,L572

1720

António Correa Lomelino

Diogo Fernandes Mónica

ARM,L746

1721

João Esmeraldo de Atouguia

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1722

Rev. Padre Francisco Acciolli de Vasconcelos

Henrique Teixeira

ARM,L746

1723

Rev. Padre Francisco Acciolli de Vasconcelos

Henrique Teixeira

ARM,L746

1724

Ayres de Ornellas e Vasconcelos

Simão de Nóbrega e Sousa

ARM,L746

1725

Jorge Correa de Vasconcelos

Domingos Ferreira da Silva

ARM,L746

1726

Hiacinto Acciolli da Sá

Francisco Gomes Brazão

ARM,L746

1727

Francisco Luis de Vasconcelos Bittencourt

Henrique Teixeira

ARM,L746

1728

Cónego Francisco Cândido Correa Henriques

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1729

António Brito de Oliveira

Domingos Ferreira da Silva

ARM,L746

1730

Ayres Telles de Menezes Allencastre

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1731

Hiacinto Aucciaolly de Vasconcelos

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1732

Jorge Correa de Vasconcelos

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1733

António Correa Bittencurt Henriques

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1734

Padre António de Freitas da Silva

Pantalliam Ferreira

ARM,L746

1735

Hiacinto Aucciaolly de Vasconcelos

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1736

António Correa Bittencurt Henriques

António Vieira da Fonseca

ARM,L746

1737

Diogo de Ornellas Frazam

André de Sousa

ARM,L746

1738

Diogo de Ornellas Frazam

Domingos Fernandes silva

ARM,L34 e 587

1739

Luis António Esmeraldo Telles de Menezes

 

ARM,L34

1740

António de Brito de Olliveira

Manuel de Freitas

ARM,L34

1741

Padre Gaspar de Valdevesso Gondim

Francisco Ferreira Duarte

ARM,L34

1742

Agostinho António de Ornellas e Vasconcellos

João de Pontes Garcês

ARM,L591 e 34

1743

Luis António Esmeraldo Telles

Manoel Rodrigues Pereira

ARM,L34 e592

1744

Hiacinto Acciolli Vasconcelos

Domingos Fernandes Silva

ARM,L34 e 592

1745

Gaspar Simão Bettencourt

Manoel de Freitas

ARM,L34 e 593

1746

Pedro Bittencurt Henriques

Manoel de Freitas

ARM,L34 e 594

1747

Rev. Cónego João de Freitas da Silva

António Pinto

ARM,L34

1748

Francisco Aurélio da Câmara Leme

Marcus Gonçalves de Nóbrega

ARM,L34 e 596

1749

António Correia Bittencurt Henriques

Manoel Baptista de Oliveira

ARM,L34

1750

Diogo Luis Bettencourt Esmeraldo

Domingos Fernandes Silva

ARM,L34

1751

António Correia Bittencurt Henriques

Domingos Fernandes Silva

ARM,L34

1752

António Correa Bittencourt Henriques

António M. Pestana

ARM,L 34 e 600

1753

Rev. Mestre Escola Francisco Cândido Correa

Miguel de Sousa e Castro

ARM,L34 e 602

 

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1754

António João Bettencourt Henriques

Manoel Alves Castro

ARM,L34

1755

José Agostinho de Vasconcelos Correa

Manoel Ferreira

ARM,L34 e 605

1756

Hiacinto Auciolly de Vasconcelos

António Pinto

ARM,L34 e 606

1757

João Freitas da Silva

António dos Passos Jardim

ARM,L34

1758

Mendo de Brito de Oliveira Bittencourt

Luis de Almeida Ferreira

ARM,L34 e 608

1759

Francisco Aurélio da Câmra Leme

Manoel de Freitas

ARM,L34 e 610

1760

António Correia Bittencourt Henriques

Miguel de Sousa

ARM,L34 e 610

1761

Hiacinto Auciolly de Vasconcellos

Noytel Soares

ARM,L34 e 613

1762

Dr. Francisco Bettencourt Heredea

Francisco Lopes Correia

ARM,L34

1763

António João Bittencourt Henriques

Antonio Martins Pestana

ARM,L34

1764

António João Bittencourt Henriques

Antonio Martins Pestana

ARM,L34

1765

Tristão Joaquim Neto

Antonio Martins Pestana

ARM,L34

1766

António João Bittencourt Henriques

Antonio Martins Pestana

ARM,L34

1767

Francisco António da Câmara Leme

Antonio Martins Pestana

ARM,L34 e 618

1768

João de Carvalhal Esmeraldo Atouguia e Câmara

Manoel Francisco de Ornellas

ARM,L34 e 619

1769

João de Carvalhal Esmeraldo Atouguia e Câmara

Alferes Ignácio Rodrigues Gouveia

ARM,L34 e 620

1770

Ayres Telles de Menezes Alencastre

Alferes Ignácio Rodrigues Gouveia

ARM,L34

1771

Capitão António João Bittencourt Henriques

Manoel Rodrigues de Abreu

ARM,L34 e 621

1772

Dr. João Afonso Henriques

João Rodrigues da Silva

ARM,L34 e 623

1773

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Manoel de Freitas Caldeira

ARM,L34 e 624

1774

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,L34 e 625

 

 

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1775

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,L626

1776

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,L627

1777

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,628

1778

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,L630

1779

Cónego João Venâncio de Vasconcelos

Domingos de Oliveira Alves

ARM,L631

1780

Joaquim José Sanches de Bahena

António João de Freitas

ARM,L632

1781

Cónego António Acciaoli Bettencourt

José Caetano Spinola Bettencourt

ARM,L633

1782

Cónego Pedro Nicolau Acciaoli

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L634

1783

Cónego Pedro Nicolau Acciaoli

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L635

1784

Cónego Pedro Nicolau Acciaoli

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L636

1785

António Fernandes Correia Jarves de Atouguia

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L637

1786

António Fernandes Correia Jarves de Atouguia

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L638

1787

Dr. Francisco Machado de Azevedo

Capitão Filipe Nere da Silva

ARM,L639

1788

António João Bettancourt Henriques

Thomé da Silva

ARM,L640

1789

António João Bettancourt Henriques

Thomé da Silva

ARM,L641

1790

António João Bettancourt Henriques

Thomé da Silva

ARM,L642

1791

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Domingos João de Afonseca

ARM,L643

1793

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Francisco José de Macedo

ARM,L644

1794

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Francisco José de Macedo

ARM,L645

 

 

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1795

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Francisco José de Macedo

ARM,L646

1796

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Francisco José de Macedo

ARM,L647

1797

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Domingos João da Fonseca

ARM,L648

 

 

 

 

Informadores

Ano

1ª condição

2ª condição

Fonte

1798

Nicolau Luis de Mendonça e Vasconcelos

Domingos João da Fonseca

ARM,L649

1799

Nuno de Freitas da Silva

Caetano Fernandes Pimenta

ARM,L650

1800

Conego Caetano Alberto de Araújo

Francisco Xavier Veríssimo

ARM,L650

       
       

O cargo de informador foi de entre todos os cargos desempenhados pelos mesários da Misericórdia do Funchal , aquele que foi exercido por um maior número de elementos da hierarquia eclesiástica. Desde os reverendos cónegos Bartholomeo Cézar Bettencourt, Ayres de Ornellas Vasconcelos, Francisco Cândido Correia Henriques, aos padres Gaspar Tello de Menezes, Gaspar de Valdevesso Gondim, que foi Provedor, vários elementos do clero foram informadores da Mesa da Misericórdia neste período .

Podemos mais uma vez verificar que os cargos eram rotativos e que muitos irmãos se mantinham em exercício no mesmo cargo durante vários anos. Podemos citar Domingos de Oliveira Alves, o capitão Filipe Nery da Silva e Thomé da Silva que exerceram este cargo durante vários mandatos seguídos.

 

1.3.7 - O Mordomo da capela

Mensalmente era eleito um outro mordomo, designado por mordomo da capela. Esta eleição recaía alternadamente sobre um nobre e um oficial mecânico. Competia-lhe acompanhar os defuntos até à sepultura, dar mortalha aos pobres e providenciar todo o culto e cerimónias religiosas. Além disso consultavam os testamentos e verificavam as esmolas que cada defunto deixava à Santa Casa.

1.3.8 - O Mordomo da bolsa

O mordomo da bolsa também era eleito mensalmente e da mesma forma que o mordomo da capela. Todos os dias comparecia na Santa Casa. Aos sábados comprava os mantimentos necessários e geria o dinheiro das despesas, dos qual prestava contas semanalmente, aos domingos.

Por fim, podemos afirmar que na Misericórdia do Funchal o poder era exercido por um grupo de irmãos eleitos anualmente numa eleição indirecta, isto é, os irmãos votavam naqueles em quem confiavam para os representar na votação. A esse grupo cabia então a missão de eleger a Mesa.

A Mesa geria todos os negócios da Santa Casa e tinha amplos poderes. Mas, nalgumas matérias importantes na vida da instituição tinha de consultar a Junta:

Pelas informações que recolhemos, podemos afirmar que frequentemente os cargos eram exercidos pelos mesmos irmãos durante vários anos. Sobressai, ainda, outra característica, a influência, ou seja, o domínio exercido por certas famílias na gestão da Misericórdia. Os quadros apresentados neste trabalho mostram-nos também que a influência de certas famílias se alternava temporariamente na direcção da Misericórdia. Assim, vemos que em relação aos irmãos de primeira condição a família dominante foi sem dúvida ao longo de todo o século, a dos Bittencourt e seus aparentados. Mas, os Câmara Leme, os Auciolly e os Henriques exerceram um poder deveras significativo.

A característica mais marcante era o caracter laico desta instituição. Como podemos ver o número de clérigos que pertenciam à Mesa era reduzido e não desempenhavam os cargos pelo facto de pertencerem ao clero, mas antes pelos laços familiares ou pelas amizades pessoais.

Sendo estes cargos honoríficos como se justifica a aptência destas famílias pelos lugares administrativos da Misericórdia? Sabemos que a Misericórdia controlava vastos sectores económico-sociais que permitia a concessão de uma série de favores a familiares, amigos e conhecidos, como por exemplo os empréstimos em dinheiro, os aforamentos, os enternamentos no Hospital e no Asilo, enfim sem falar no prestígio social adquirido por quem dirigia esta instituição.

Quanto aos informadores, um de primeira e outro de segunda condição, como era norma, competia-lhes dar esmolas aos pobres. Essas esmolas não podiam ser dadas em casa do mordomo nem arbitaraiamente, pois obedeciam a uma série de requesitos. O mordomo inquiria junto dos curas das igrejas àcerca da necessidade de cada pobre da freguesia, bem como do seu comportamento. As novas petições para pertencer ao rol dos pobres da Misericórdia eram apresentadas ao Provedor. Aos informadores competia também providenciar o tratamento das doenças, bem como de remédios da botica da Santa Casa para os doentes do rol. Era da sua competência cuidarem dos doentes pobres e desamparados que andassem pela cidade.

Os informadores levantavam o dinheiro dos pobres ao domingo no escritório da Santa Casa. De todo o dinheiro era lavrado um termo devidamente assinado pelos informadores e pelo tesoureiro da Mesa.

Servidores da Santa Casa

ma instituição como a Misericórdia do Funchal que exercia a sua acção em diversos sectores de ambito social e assistêncial, através de diversas instituições anexas, exigia para o seu funcionamento um elevado número de pessoas que assegurassem os múltiplos serviços de cada departamento.

Apesar do empenho e da boa vontade dos irmãos da Confraria, em especial dos corpos gerentes, que em cada ano servia gratuitamente a Misericórdia, nem todos compareciam diariamente na Casa. Os assuntos do quotidiano tinham de resolver-se e, era imprescindível a nomeação de um corpo de funcionários fixo, remunerado que assegurasse o funcionamento da instituição.

Entre aqueles que serviam a Casa por salário incluíam-se os capelães, o secretário, o pessoal do Hospital e da Botica, o Letrado, os procuradores, o porteiro e o pessoal auxiliar.

O capelão

capelão da santa Casa da Misericórdia apesar de ser um trabalhador a quem a Santa Casa pagava um salário, como a qualquer outro, gozava dos privilégios e imunidades inerentes ao seu grupo social. Os capelães constituíam o grupo mais numeroso dos trabalhadores da Casa. O trabalho por eles realizado era importante porque asseguravam os serviços religiosos a que a Misericórdia estava obrigada pelo Compromisso e satisfaziam as obrigações de missas quotidianas ou esporádicas que os testadores impunham nos legados que deixavam à Santa Casa.

Segundo conseguimos apurar a Misericórdia do Funchal tinha em 1713 e 1738 respectivamente vinte e dois e vinte e cinco capelães dos chamados do número. Diz-nos o Cónego Thomás Henriques de Noronha, escrivão da Mesa no ano de 1713 que o livro das Capelanias se encontrava em grande desordem devido "às contínuas e repetidas mudanças que os capelães faziam de uma para outras capelanias". Uma das razões destas mudanças era o facto de alguns testadores estipularem o ordenado que o capelão usufruiria e que a Santa Casa cumpria, outras vezes, a falta de rendimentos não permitia aumentos aos capelães. Esta e outras razões contribuíram para que, muitas vezes, o relacionamento entre os capelães e administração da Santa Casa não fosse pacífico.

Os livros de termos mostram-nos que, muitas vezes os capelães praticavam acções susceptíveis de punição segundo o Compromisso. Sempre que o Capelão praticasse alguma acção passível de causar escândalo e, assim, prejudicar o bom nome da instituição, ou também se o seu comportamento pusesse em causa o funcionamento da Misericórdia, como a falta de cumprimento das suas obrigações era alvo de sanções por parte da administração que podia ir desde a admoestação verbal e pública, à suspensão ou em casos mais graves ao despedimento.

Nos livros dos Autos ficaram registados várias situações em que o Capelão devido ao seu comportamento sofreu punições aplicadas pela administração que comprovam as nossas afirmações . A 17 de Janeiro de 1706 a Mesa analisou o comportamento do Padre Capelão Mathias Gomes. A queixa foi apresentada aos presentes pelo escrivão da Mesa, como era uso e costume e resumiu-se ao seguinte: o Padre Mathias Gomes contestou o preço de um livro que comprara no leilão feito no pátio da Santa Casa. Segundo o testemunho do Escrivão Francisco Luís de Vasconcelos, a reclamação fora feita em termos injuriosos para com a sua pessoa. A Mesa deliberou, então, segundo o Compromisso, o afastamento do dito Padre Capelão e mandou logo afixar editais para o provimento da Capelania.

Por vezes os motivos eram tão delicados que não ficavam registados no livro dos Autos. E o caso do padre Capelão Pedro de Miranda que foi despedido em Fevereiro de 1701, mas os motivos não ficaram registados no Livro dos Autos, apenas no Livro dos Segredos, que não chegou até nós.

Mas o despedimento era normalmente o último recurso usado pelos administradores da Santa Casa que recorriam primeiro à chamada de atenção e, algumas vezes mais do que uma vez. O padre Francisco Teixeira da Silva, Capelão da Casa faltava frequentemente à obrigação de dizer missa aos Domingos e dias santos na capela dos presos, como era sua obrigação. Foi chamado á atenção e justificou-se dizendo que estava doente. No entanto, chegou ao conhecimento da Mesa que o seu estado de saúde era normal. Foi novamente chamado e a sua justificação foi a de que ia para o campo nos Domingos e dias santos. O Provedor e a restante administração resolveu que o padre Francisco Teixeira fosse logo despedido para sempre, porque a falta do cumprimento das obrigações punham em causa o funcionamento da instituição e era o castigo a aplicar nestes casos segundo o Compromisso.

A não aceitação das imposições da administração por parte dos padres capelães foi também muitas vezes referida nos livros dos Autos e frequentemente levava a confrontos verbais entre uns e outros. Referimos o caso do Capelão-mor padre Miguel de Spínola que insultou o gaveteiro da Casa Diogo Fernandes chamado-lhe "pedaço de asno" e criticou de forma injuriosa a Santa Casa pelo que na sessão de 10 de Dezembro de 1718 foi despedido para sempre do serviço.

Uma outra situação de escândalo foi a do padre Leandro Figueira que costumava embriagar-se e, apesar de ter sido advertido, por várias vezes para que se abstivesse de semelhante defeito pelo mau exemplo e escândalo que causava, não se corrigiu. A Mesa de 2 de Setembro de 1725 decidiu despedi-lo para sempre.

De facto, nem sempre os Capelães cumpriam devidamente as suas obrigações. A Mesa de 1 de Outubro de 1724 debruçou-se sobre este assunto, trazido pelo escrivão que levou ao conhecimento de todos o facto de constar que alguns capelães não diziam as missas de suas capelanias nas igrejas determinadas em que eram obrigados a dizê-las conforme a disposição dos testadores. O Provedor de então, Francisco Luís Bettencourt de Sá Machado e os demais conselheiros votaram por unanimidade que a todos os capelães das obrigações da Casa fossem passadas cartas com as condições e obrigações para que dali em diante não tivessem mais desculpa que dar, nem ignorância alguma que alegar. De facto encontrámos referências às cartas passadas a cada capelão com as suas obrigações e a parte determinada em que deveriam dizer as missas estipuladas pelos testadores, que cada capelão lia e assinava.

Também algumas vezes para se furtarem às obrigações os capelães pediam dispensas que faziam coincidir com os dias das festas mais importantes que a confraria realizava, porque nessas mesmas alturas, havia noutras igrejas, festas, e missas cantadas melhor remuneradas.

Para evitar situações desagradáveis que levavam a conflitos entre a administração e os padres, a Misericórdia deliberou não serem autorizadas as dispensas nessas ocasiões. Até porque nos termos do contrato os capelães assumiam vários compromissos. Além de cumprirem as obrigações que eram estipuladas pelos testadores, como já foi referido, os capelães da Casa, desde o Capelão-mor a todos os outros tinham obrigações para com a Santa Casa, além do serviço religioso imposto pela sua capelania. Eram obrigados a assistir ao ofício geral da irmandade, às procissões de quinta-feira de Endoenças e do dia de Santa Isabel, solenidades feitas na capela da Misericórdia, Semana Santa, sextas-feiras da quaresma, festas da Visitação e Natal. E a obrigação de acompanhar a irmandade nos cortejos fúnebres dos irmãos, suas mulheres e filhos. Sem esquecer as obrigações religiosas que incluíam as três missas do Natal e a celebração da missa na capela dos presos, aos Domingos e dias santos.

Esta última obrigação não era bem aceite pelos capelães da Casa que, por diversas vezes reclamaram por considerarem injusto que os padres das capelanias de "fora" não fossem também sujeitos a essa obrigação. A Mesa de 1 de Novembro de 1705, presidida pelo Provedor D. José de Sousa de Castello Branco, bispo do Funchal decidiu que os capelães de "fora" fossem também obrigados a celebrar missa aos presos nos domingos e dias santos, sendo feito de forma rotativa, cada mês caberia a um.

Quanto ao vencimento auferido pelos capelães conseguimos apurar alguns dados com os quais elaborámos o quadro nº para melhor sistematização.

Quadro nº 7 Ordenado dos capelães

Designação

Quant/ reis

Capelão-mor

45$000

Capelão de 2ª

30$800

Serviço do coro

4$000

 

O anual de missas variava entre 36$000 reis e 45$000 reis e isto, como já foi referido porque muitas vezes era a vontade expressa pelo testador e outras porque os rendimentos não eram suficientes para pagar mais. Esta situação levava a constantes reclamações por parte dos capelães e frequentes vezes ao abandono das capelanias, que andavam sempre vagas. Por esta razão a Santa Casa solicitou à Santa Sé a 2 de Julho de 1724 a solução deste problema. O Breve Apostólico que foi alcançado em 20 de Setembro de 1734 quando era Provedor Jorge Vieira e Andrade, permitiu à Santa Casa da Misericórdia reduzir as missas das capelanias que não eram rentáveis e juntá-las. Além deste a Santa Casa conseguiu, ainda no século XVIII, outro Breve o que lhe permitiu arrecadar muito dinheiro sem deixar de cumprir as suas obrigações para com os benfeitores.

Na sessão de 16 de Maio de 1775 foi analisada uma petição apresentada pelos capelães da Casa reclamando o limitado emolumento 4$000 reis anuais que a Santa Casa lhes pagava pelo trabalho do coro e da Capela que estavam obrigados como capelães da Casa. Alegavam que os emolumentos não chegavam para pagar o trabalho da Semana Santa e muito menos a sua falta de liberdade, pois não são senhores do seu tempo, por estarem obrigados ao cumprimento desses deveres durante todo o ano, porque a qualquer hora podiam ser chamados à Casa para ministrar os últimos sacramentos a um moribundo ou para um funeral.

Não compreendiam os Capelães como a Misericórdia sendo "tam opulenta e rica" não lhes pagasse o seu justo "merisimento" já reclamado anteriormente sem qualquer resposta por parte da Mesa. Se o seu pedido não fosse atendido e a Mesa não aumentasse o ordenado para 8$000 reis, todos os capelães da Casa colocariam os seus lugares do coro à disposição da Mesa para que procedesse ao seu provimento a quem os pretendesse. Perante atitude tão frontal e decidida dos capelães a Mesa presidida pelo bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brandão, considerou justo o requerimento dos capelães e por unanimidade decidiu aumentar-lhes o ordenado do coro para 8$000 reis como pretendiam. Apesar das reclamações feitas pelo capelães ao longo de todo o século XVIII que são patentes nos Autos da Mesa, não podemos dizer que os capelães fossem mal pagos. Se atendermos ao somatório de todas as remunerações auferidas verificámos que o Capelão-mor no final do século auferia um vencimento superior a qualquer outro trabalhador da Santa Casa. Pois, além dos 40$000 reis anuais que recebia como capelão, juntavam-se os 8$000 reis do serviço do coro e os 60$000 reis da sua capelania, o que perfazia 108$000 reis anuais.

È claro que os restantes capelães auferiam também um vencimento inferior, mas comparativamente com os outros servidores da Casa ficavam sempre numa posição privilegiada.

Devido à falta de sacerdotes que continuava a verificar-se na última década do século XVIII, o Provedor e os conselheiros da Misericórdia decidiram na sessão de 17 de Fevereiro de 1792 aumentar novamente os ordenados. O reverendo Capelão-mor passou a usufruir de 100$000 reis anuais, além dos 7$000 reis do coro, propinas anuais pelo trabalho extra, cinquenta alqueires de trigo e, ainda, 60$000 reis da sua capelania. O capelão de segunda usufruía do ordenado de 80$000 reis mais 6$000 reis do coro e quinze alqueires de trigo e as referidas propinas da pauta e, é claro, os 60$000 reis da sua capelania.

A Santa Casa juntava o serviço religioso de várias capelanias numa só. Por exemplo o reverendo António João Cabral requereu à Santa Casa o aumento da esmola da sua capelania anual de missas instituída pelas almas de Pedro Bettencourt de Atouguia durante seis meses e pela de João Afonseca 3 meses, cujo ordenado era de 54$453 reis. A Mesa depois de indagar acerca dos bens dos instituidores estabeleceu que o padre fosse aumentado, cumprindo o seguinte serviço religioso:

Pela alma de Pedro Bettencourt 8 meses e 3 dias a $200 reis cada 48$600

Pela de João de Afonseca 3 meses e onze dias a $200 reis cada 20$200

Pela de Francisco Pereira da Silva 16 dias a $200 reis 3$200

o que perfazia a quantia de 72$000

 

O secretário

regime de voluntariado com que os irmãos da Misericórdia exerciama as funções para as quais eram eleitos, acarretava inúmeros inconvenientes para a instituição. Eram frequentemente apontadas nas sessões ordinárias da Mesa a morosidade com que se cobravam as rendas e a lentidão com que decorriam os processos.

Quando as receitas diminuíam as culpas eram atribuídas à incapacidade de alguns escrivães em cobrar as rendas porque não verificavam os nomes de todos aqueles que eram devedores bem como dos atrasados. Na sessaõ de 23 de Junho de 1741 os administradores mais uma vez manifestaram grande preocupação pela diminuição das rendas da Misericórdia e concluíram da necessidade de proceder a uma remodelação de carácter administrativo.

A primeira medida, aprovada por unanimidade foi a nomeação de um secretário para coadjuvar a Mesa nos assuntos burocráticos imprescindíveis ao funcionamento da instituição e à correcta e atempada cobrança de suas rendas. Toda a Mesa concordou que o salário auferido pelo secretário fosse de 200000$000 reis quantia que se manteve até ao final da centúria. Nesta mesma sessão os mesário regulamentaram a a ctividade do secretário tendo como referência o Compromisso e definiram claramente as suas funções:

 

Para desempenhar essas funções a Mesa escolheu Domingos Lopes Fernandes a quem Dom João V deu provisão a 2 de Novembro de 1745. Presume-se que o cargo fosse vitalício porque Domingos Lopes Fernandes exerceu até 1781 altura do seu falecimento.

António José de Jesus Lamedo desempenhou o cargo na última década do século. A sua nomeação dá-nos uma ideia aproximada de como se processava a escolha e a nomeação do secretário da Santa Casa. Mostra-nos também que a Misericórdia não dependia de hierarquias religiosas, pois os ofícios seguiram a hierarquia do Estado. António José de Jesus Lamedo foi eleito pela Mesa na sessão de 11 de Outubro de 1791. A Mesa oficiou ao Dr. Corregedor da Ilha informando-o da eleição e, evidenciando as qualidade do eleito: zelo, probidade e inteligência.

O Corregedor inderessou o ofício à Rainhajuntando um documento da sua lavra, no qual confirmava a Sua Majestade as qualidades do eleito. A Rainha deu então despacho favorável.

  1. - O Procurador

 

Procurador representava os intresses da Misericórdia em todos os lugares aonde esta instituiço detinha a posse de bens ou rendimentos. Defendia os interesses da instituição incluindo as demandas que esta tinha de travar em sua defesa. A dispersão dos bens da Misericórdia por toda a Ilha e até no Porto Santo exigia uma série de procuradores a quem a Misericórdia tinha de pagar um salário.

Na sessão de 18 de Março o Procurador da Santa Casa Francisco Gonçalves Correia reclamou o ordenado que a Santa Casa lhe pagava, pois as custas das demandas haviam subido. Alegava o referido Procurador que qualquer particular com apenas uma demanda ganhava por ano entre 20 e 30$000 reis, enquanto que ele auferia apenas a módica quantia de 6$000 reis. O Provedor e restantes menbros da Mesa deliberaram aumentar-lhe o ordenado em 4$000 reis ficando assim em 10$000 reis anuais. São frequentes os pedidos de aumento de vencimento por parte dos procuradores e letrados do partido da Casa. Umas vezes alegavam os excesso de trabalho, outras as despesas que efectuavam na defesa das demandas. Muitas vezes a Mesa atendia estes pedidos.

O Letrado da Casa o Dr. Manoel de Oliveira apresentou em Mesa em 17 de Março de 1703 um proposta de aumento do seu vencimento alegando duas razões: o muito trabalho e o aumento dos rendimentos da Santa Casa. Por deliberação da Mesa passou de 3$000 reis de três em três meses a 4$500 reis.

Mas nem sempre os procuradores e letrados cumpriam as obrigações a que estavam sujeitos. Por deliberação da Mesa de 4 de Maio de 1703 foram nomeados novos procuradores para tratarem dos negócios da Santa Casa na Corte e das demandas dos presos em lugar de Manoel do Rego Quintanilla que estava velho, não cumpria com as suas obrigações perdendo os documentos e, consequentemente as demandas. Os novos procuradores Francisco Pereira e seu filho, o licenciado Francisco Pereira Barreto eram consideradas pessoas de toda a confiança da Mesa que, por unanimidade, confiou na sua capacidade para resolver os problemas da instituição.

A administração da Misericórdia procurava ser cautelosa em relação aos dinheiros gastos. Em 28 de Janeiro de 1714 a Mesa deliberou oferecer ao Procurador de Lisboa, o atrás referido, António da Costa, 400$000 reis para que alcançasse para a Misericórdia do Funchal as extensão do Breve sobre legados não cumpridos com que o Santo Padre tinha agraciado a Misericórdia de Lisboa. O dinheiro foi enviado em Janeiro do ano seguinte, não directamente ao Procurador, mas por razões de segurança à Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com ordem expressa de só o entregar mediante a entrega do Breve e só depois de confirmada a sua autenticidade.

Os negócios da Corte levam a Misericórdia do Funchal a nomear em 24 de Fevereiro de 1741 novos procuradores para tratar das causas e dependências da Casa na Corte e cidade de Lisboa: Manoel Rodrigues Sereno de Carvalho e Joseph Vieira da Silva.

Para tratar dos assuntos relativos aos bens da Santa Casa na Ilha do Porto Santo, a Santa Casa deliberou constituir seus procuradores o reverendo vigário da Ilha e o sargento-mor, Duarte Pestana Velosa, para que com o maior cuidado se fizesse a cobrança e daí uma melhor arrecadação das rendas que a Santa Casa tinha direito.

De facto a Misericórdia dispendia muito dinheiro do seu rendimento anual com os procuradores e os letrados. Mas não podia prescindir dos seus serviços. Numa tentativa de diminuir as despesas, já no final do século o Provedor e restantes mesários pretenderam alcançar da Rainha Dona Maria I o previlégio de contarem com um juiz privativo alegando entre outros o facto de "ser util e mnecessário o terem juiz privativo como tem a ditta Misericórdia desta cidade cauzando a sua falta hum grande danno e perjuízo, pois sendo diminutas as suas rendas, e aplicadas ao curativo dos enfermos, não podem suprir as despesas das demandas e litígios dispersas em muitos lugares e juízos da ditta Ilha dilatada, percizando(sic) de diversos procuradores com multiplicados ordenados(...)".