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ALBERTO VIEIRA
Dos primeiros quarenta anos de ocupação do arquipélago
já muito se tem dito e os documentos, do domínio
público, estão mais ou menos explorados. Estes
últimos são poucos e em quase nada satisfazem a
curiosidade do investigador interessado. Sem duvida, aquele que
se nos apresenta mais importante, pela informação
que contem, suplanta o seu âmbito cronológico. É
a extensa resposta do infante D. Fernando às reclamações
dos moradores feitas por dois procuradores idos da ilha. As soluções
e respostas aos pedidos permitem rastrear a situação
vivida no tempo de governo do infante D. Henrique.
À parte a documentação diplomática,
existe um conjunto variado de fontes narrativas que abordam estes
primeiros anos de ocupação do arquipélago.
Aqui, a principal dificuldade é encontrar uma versão
consensual para as diversas dúvidas que nos assaltam.
E, lamentavelmente, a historiografia tem-se dedicado mais a descobrir
as diferenças do que as suas semelhanças.
Por tudo isto, a História dos primeiros quarenta anos
de ocupação do arquipélago, faz-se mais
pelas dúvidas do que pelas certezas. A cada historiador
ou erudito, que se debruça sobre a época, corresponde
uma nova e, por vezes, original versão.
Falar da Madeira no tempo do Infante é um doloroso acto
de repitação de tudo o que está dito e redito.
Por isso, porque não é nossa intenção
entrar nesta lista, decidimo-nos por outro caminho, assim a nossa
atenção estará centrada nas dúvidas
e certezas que se nos assaltam quando nos ocupamos deste tema.
São quatro as questões fundamentais para debate:
-quem descobriu o arquipélago? -Quem comandou o processo
de descobrimento e povoamento do arquipélago: o rei ou
o infante? -Quando começou de facto o povoamento da Madeira?
-Serão algarvios os colonos madeirenses? A nossa intenção
é tão só colocar o leitor perante um conjunto
variado de informações que lhe possibilitem a sua
leitura e resposta a estas pertinentes questões. Mesmo
assim é possível retirar deste conjunto de dúvidas
e certezas uma opinião unânime sobre o que terão
sido os primeiros anos de ocupação e valorização
económica das ilhas. Aqui a presença do Infante
D. Henrique foi fundamental. A dúvida principal levanta-se
quanto ao período de duração da mesma. Acresce,
ainda, que o conhecimento aprofundado de tudo o que se passou
no arquipélago da Madeira é fundamental para a
compreensão do fenómeno daí decorrente.
A Madeira, para além de ter sido a primeira terra portuguesa
do Novo Mundo Atlântico, foi, por isso mesmo, modelo para
todas as iniciativas levadas a cabo em novas áreas de
ocupação.
De acordo com o texto de Gaspar Frutuoso o descobrimento da
Ilha da Madeira teve lugar a 1 de Julho de 1419, desembarcando
os portugueses na baía de Machico no dia seguinte, da
visitação de Santa Isabel5. Esta versão
poderá ser considerada como a oficial e foi a que conquistou
a aprovação do madeirense que a estabeleceu como
o marco para o dia da Região Autónoma.
O descobrimento da Madeira, tal como Gaspar Frutuoso o apresenta,
embora considerado como uma verdade adquirida e intransponível,
carece de fundamentação e merece, à luz
da crítica histórica, inúmeros reparos.
Estamos perante uma opção oitocentista que teve
como base os testemunhos dos cronistas dos séculos XV
e XVI, mais divulgados e que possibilitam a fundamentação
desta tese oficial, isto é, de Gomes Eanes de Zurara6,
João de Barros7, Gaspar Frutuoso8. É de salientar
que todas as demais fontes que contrariam esta visão foram
ignoradas, como aconteceu com os textos de Cadamosto9, Duarte
Pacheco Pereira10, Damião de Góis11, Valentim Fernandes12
e António Galvão13, ou então vilependiadas,
como sucedeu com o relato de Francisco Alcoforado14, D. Francisco
Manuel de Melo15, Giulio Landi16 e Manuel Constantino17.
Na actualidade, com a revelação de algumas fontes,
como o texto de Francisco Alcoforado (1878-1961), de Jerónimo
Dias Leite (1947) e o aparecimento de novos dados, é tarefa
urgente reformular o ideário subjacente ao descobrimento
da ilha. Eis uma sintese das nossas conclusões.
Todos os autores referenciados são unânimes em considerar
o povoamento do arquipélago como obra portuguesa, tendo
como obreiro o infante D. Henrique e por executor João
Gonçalves Zarco, com ou sem o apoio de Tristão
Vaz Teixeira. Apenas Giulio Landi tem opinião diferente,
pois para ele tudo foi feito por Machim. A polémica tem
lugar quanto à data do descobrimento e à sua autoria.
Para uns, as ilhas foram descobertas por portugueses: João
Gonçalves Zarco com Tristão Vaz, ou Afonso Fernandes.
Para outros esta é da iniciativa de estrangeiros: castelhanos
(o Porto Santo), ou ingleses (Madeira).
Numa breve sintese podemos afirmar que existem quatro versões
coevas, que serviram de base a todas as restantes:
1. Relação de Francisco Alcoforado, atribui
o descobrimento da ilha ao inglês Robert Machim e o reconhecimento
aos portugueses;
2. Relação de Diogo Gomes18 apresenta o descobrimento
como sendo de iniciativa do piloto português Afonso Fernandes
e o povoamento a João Gonçalves Zarco e Tristão
Vaz;
3. Zurara atribui a João Gonçalves Zargo e Tristão
Vaz o achamento das ilhas bem como o seu reconhecimento e povoamento;
4. Cadamosto aponta o descobrimento pelos homens do infante D.
Henrique e o seu povoamento por João Gonçalves
Zargo e Tristão Vaz.
É a estas quatro versões-base que a Historiografia
vai buscar os argumentos para a defesa das múltiplas teorias
que se colocam. Neste contexto merecem a nossa atenção
os textos de João de Barros e Gaspar Frutuoso. Ambos foram
e continuam a ser o principal sustentáculo da tese oficial
do descobrimento henriquino. Os seus arautos, aproveitando-se
das lacunas do texto de Zurara, afinam pela visão posterior
de Barros, repetida com grande evidência em Frutuoso. No
entanto, quanto a este último, apenas o fazem de modo
parcelar, uma vez que ignoram todas as outras versões
aí compiladas. A divulgação de fontes inéditas,
que apresentam argumentos contraditórios desta versão,
não os convencem, pois tudo o que o contrariasse era considerado
como falso ou apócrifo.
O debate que teve lugar a partir do século XIX, tendo
como ponto de partida o estudo de Álvaro Rodrigues de
Azevedo19, deu origem ao aparecimento de várias teses
sobre o descobrimento da Madeira. A polémica recrudesceu
na décadas de cinquenta e sessenta, por altura da comemoração
da morte do Infante D. Henrique20. Entretanto, para tràs
ficara a evocação do quarto centenário do
descobrimento da Madeira, que foi uma importante manifestação
de relevo na Madeira do primeiro quartel do nosso século21.
Não obstante, o vasto número de estudos existentes
que, de um ou de outro modo, abordam a questão, podemos
dizer que todo este movimento editorial orienta-se de acordo
com quatro ideias-base, que resumem toda a informação
e fundamentação do problema:
1. TESE QUATROCENTISTA, os que argumentam, a partir
de Zurara, João de Barros e Gaspar Frutuoso, considerando
o arquipélago descoberto pelos portugueses no século
XV, destacam a acção de Zargo e Tristão
Vaz e o infante D. Henrique. A sua formulação e
fundamentação foi definida, a partir de 1873, por
Álvaro Rodrigues de Azevedo. Mais tarde, com o quinto
centenário do descobrimento da ilha, é retomada
por Fernando Augusto da Silva, saindo reforçada em 1960,
no momento do quinto centenário da morte do infante D.
Henrique, por Eduardo Pereira.
Em todos os autores que defendem esta tese é manifesta
a intenção nacionalista e patriótica, quer
na hipervalorização da iniciativa dos portugueses,
quer na marginalização de outras versões,
assumindo Álvaro Rodrigues de Azevedo e Eduardo Pereira
uma crítica cerrada à versão de Machim.
- os que afirmam ser o relato pura lenda, carecendo de fundamento
histórico, baseando a sua argumentação nas
crónicas coevas,
- os que defendem afincadamente a veracidade do relato, apresentando
o necessário fundamento histórico,
- os que perfilham uma opinião eclética, fazendo
coincidir as versões anteriores no conhecimento da ilha.
Esta tese foi definida pela primeira vez, em 1812, por N.
C. Pitta28, a que se seguiu, em 1869, H. Major29. No entanto,
só a partir deste último mereceu a sanha de Álvaro
Rodrigues de Azevedo e Camilo Castelo Branco30, que lançaram
uma onda de descrédito sobre a aventura de Machim. Na
actualidade, A. G. Rodrigues31, Pita Ferreira32 e Armando Cortesão33
retomaram-na procurando apagar o descrédito vigente. Assim
António Gonçalves Rodrigues preocupa-se em comprovar
documentalmente a existência das personalidades envolvidas
no relato, através de uma busca nos arquivos ingleses.
Pita Ferreira, por seu turno, procura fundamentar a veracidade
do relato dado por Francisco Alcoforado e os factos que se relacionam
com o achado da cruz, que o testemunha, por Robert Page34. Entretanto
Armando Cortesão contraria a critica dos seus detractores
ao referir que as versões da aventura são todas
portuguesas, não sendo razoável a opinião
divulgada da sua origem inglesa. Não obstante, a intenção
destes dois últimos não é a defesa da descoberta
de Machim, mas sim enquadrar o facto no conhecimento trecentista,
ou na tradição remota, conforme atestam as fontes
greco-romanas.
A defesa do descobrimento da ilha por Machim esta subjacente
à existência e veracidade da relação
de Francisco Alcoforado. Para muitos é uma criação
do século XVII e, por isso mesmo, carece de fundamento
a versão que veicula. Muito se escreveu sobre isto, mas
apenas Ernesto Gonçalves35 teve a coragem de avançar
com uma análise de crítica interna, onde veio a
revelar-nos alguns problemas. Mais recentemente, Luís
de Sousa Melo36 retoma este tipo de análise com novos
dados. A isto acresce a mais recente aportação
de David Pinto Correia que procura enquadrar op relato dentro
do panorama literário da época37. Todavia este
é um percurso ainda inacabado, a merecer redobrada atenção
de historiadores e linguistas.
4. TESE ECLÉTICA, os que procuram uma opinião
de consenso entre as várias fontes e versões, perfilhando
soluções intermédias, ou reforçando
a sua dúvida em face de todas.
Assim, Jordão de Freitas38 e João Franco Machado39
procuram conciliar as fontes que atestam um conhecimento trecentista
com aquelas que apontam apenas para o século seguinte,
concluindo por um processo contínuo de conhecimento ou
reconhecimento e divulgação na Europa. Armando
Cortesão e J. A. Betencourt40 defendem a ideia do seu
conhecimento desde tempos imemoráveis. No entanto, concordam,
ainda que parcialmente, com as restantes versões, buscando
nelas a informação necessária e esclarecida
para a sua fundamentação.
Após esta enunciação das principais opiniões
ou versões parece-nos ilógico continuar a defender
a opinião, embora comumente aceite, do seu primeiro conhecimento
em 2 de Julho de 1419, por João Gonçalves Zarco
e Tristão Vaz Teixeira. Esta, à luz do que atrás
foi dito, carece de fundamento histórico. Além
disso, a opinião de Gaspar Frutuoso parece-nos pouco válida,
uma vez que o autor relata um facto que não presenciou
e que se passara há mais de 160 anos, recorrendo, por
isso, à tradição escrita e oral. Por outro
lado, o mesmo autor, que serve de fundamento à versão
oficial, nos cinco volumes que dedicou à história
das ilhas do Atlântico não apresenta uma certeza
do descobrimento quatrocentista e henriquino, antes fica-se pela
compilação do maior número de versões
existentes até a data da sua escrita. E, deste modo, o
texto que serviu de base à fundamentação
à tese oficial poderá ser utilizado na defesa da
descoberta de Machim.
Perante informação tão contraditória
que credibilidade merece uma tese fundamentada apenas numa perspectiva?
Que razões encontrou a historiografia do século
XIX e princípios do século XX para valorizar a
denominada versão oficial? Que motivos levaram a historiografia
a alhear-se das fontes coevas, como Zurara, Cadamosto, Francisco
Alcoforado, Diogo Gomes e Jerónimo Dias Leite ?
A "LENDA" DE MACHIM
No debate do descobrimento da Madeira surge uma importante
questão: a relação da viagem de Machim pode
ser considerada como verdadeira ou, ao invés é
apenas uma lenda? Esta é, sem dúvida, a versão
que mais tem entusiasmado o público, preocupado os historiadores
e eruditos que se debruçam sobre a História dos
primórdios da ilha.
Tal como vimos atràs, desde finais do século XVI,
com a célebre compilação de Gaspar Frutuoso,
que a História da Madeira se debate com o problema da
data e propriedade da sua descoberta sem que seja possível
uma opinião de consenso e de acordo com as fontes históricas.
Aqui, os interesses políticos sobrepuseram-se aos testemunhos
históricos conduzindo-a para uma profissão de fé,
alheando-se dos dados concludentes da cartografia ou da veracidade
da polémica Relação de Francisco Alcoforado.
Este relato atribui o primeiro descobrimento da ilha a Robert
Machim, antes de 1344, aquando da sua fuga de Bristol com Ana
Arfet. E, de acordo com o testemunho de Valentim Fernandes, o
nome dado à baía onde aportaram foi Machim, sendo
o Matchico a sua corruptela. Estava assim encontrada a relação
entre Machim e Machico.
Todavia, o facto deste relato ter chegado ao conhecimento dos
eruditos sob a forma de opúsculo anónimo, editado
em 167141 em Paris, e através do texto novelesco de D.
Francisco Manuel de Melo, a Epanáfora Amorosa, não
colheu muitas opiniões a seu favor. E, deste modo, a partir
da sua defesa por Henry Major em 186842 logo se levantaram inúmeros
protestos da Historiografia nacional. O primeiro a ditar a sentença
foi Alvaro Rodrigues de Azevedo em 1873 nas anotações
às Saudades da Terra. A extensa nota V43, lida e relida
pelos eruditos locais foi o veredicto final contra a veracidade
do relato. Com isso ignorou-se, por exemplo, o aparecimento dos
manuscritos que serviram de fonte a esta versão: primeiro
o da Biblioteca Nacional de Madrid revelado em 1878 por Cesareo
Fernandes Duro, depois o da Biblioteca do Paço Ducal de
Vila Viçosa, apresentado ao público em 1960 por
Juan Fontvieille.
Foi o Padre Pita Ferreira44 o único, entre os eruditos
madeirenses, que se atreveu a defender a veracidade deste relato
não colhendo qualquer apoio. O tema apaixonou a geração
dos historiadores do cenáculo e dela passou ao público.
Mas, disto pouco ou nada resultou, uma vez que todos se preocuparam
em defender aprioristicamente a sua versão, esquecendo
o estudo crítico do documento e a necessidade de inserção
ou não na contextualidade da época. Aqui a existência
de documentos que corroborassem a existência dos protagonista
e a ausência de anacronismos no relato eram e continuam
a ser o único meio capaz de assegurar a sua veracidade.
Todos ignoraram à crítica interna do texto e preocuparam-se
mais com o acolhimento que o tema merecia junto dos literatos
ingleses. O espectro do medo que isto fosse usado para reivindicação
da posse por parte dos ingleses foi o mote para a sua negação
como facto histórico.
Em 1861 o Rev. Samuel Lysons45 preocupou-se com a questão
e escreveu um opúsculo apresentando provas documentais
que atestavam a veracidade do relato. Foi ele quem primeiro encontrou
documentos probatórios da existência do par amoroso
que protagonizou a aventura. Aliás, em 1943, H. A. Machen46,
um dos descendentes deste Machim trecentista, traçou-nos
de forma precisa a genealogia dos seus ascendentes. Em 1940 António
Gonçalves Rodrigues apresento parte destas provas genealógicas
dos Machins de Bristol, corroborando a veracidade do relato.
A tudo isto acresce a existência de dois outros Machins.
Nas Canárias é referenciado um Juan Machim47, enquanto
em Lisboa no ano de 1544 temos um Machym Fernandes. Entretanto,
em 1894 Brito Rebelo48 revela-nos um Machico, mestre de barca
em Lisboa, que foi motivo de regojizo para todos os que se preocupavam
em negar a relação deste local com Machim. Este
era sem dúvida um argumento mais plausível que
a associação ao toponímo Monchique.
A descoberta recente de dois documentos dos arquivos britânicos
parecem trazer nova Luz. Em 137349 surge o apelido Macheco atribuído
a um patrão de navio de Portugal que se dirigia para St.
Mallo. Mais tarde, uma ordem de expulsão de Henrique IV
datada de 140650 apresenta uma lista de estrangeiros a expulsar
da Inglaterra, temos um Macheco e um Machim. Este último
documento adquire importância uma vez que faz associar
o Machim ao Macheco e diz-nos que os mesmos teriam saído
de Inglaterra em 1406. Se a este facto juntarmos o relato de
Francisco Alcoforado teremos uma maior consistência entre
a aventura de Machim e o descobrimento de João Gonçalves
Zarco por intermédio da informação do piloto
João de Amores. Note-se, que a disparidade de datas entre
ambos os factos é um dos argumentos mais seguros na contestação
da relação. Entre este facto e o reconhecimento
por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz mediaram
apenas treze anos, enquanto em relação à
anterior data (1344) passavam setenta e cinco anos, o que seria
impossível a transmissão do relato por meio de
sobreviventes.
Deste modo é muito plausível que estes tenham sido
os protagonistas da façanha relatada por Francisco Alcoforado,
sendo Macheco, o mestre da embarcação que em Machico
encalhou e que por isso mesmo teria dado o nome ao porto de salvamento.
Tendo em conta a proximidade de datas entre este e o referido
em 1416 em Lisboa é muito natural que seja o mesmo ou
um familiar seu, que concerteza não esteve alheio a esta
realidade. A forma como o relato foi escrito por Francisco Alcoforado
pode ser justificada pela necessidade de enfabular o feito, de
acordo com os cânones da época, apresentando-o como
resultado de uma aventura amorosa. Esta não é uma
situação inédita na tradição
literária que testemunhou a revelação do
oceano Atlântico.
A partir daqui poder-se-á afirmar, com segurança,
a veracidade do relato sem que isso ponha em causa a prioridade
lusíada na sua revelação, pois um dos protagonistas
é marinheiro português. Por outro lado o nome dado
à baía radicar-se-ia, como vimos, a origem neste
Macheco, filho de marinheiros lusos, e não deverá
ser entendido como uma corruptela de Monchique ou Machim. Esta
foi uma atitude comum entre os marinheiros portugueses.
Uma das questões mais debatidas nos primórdios
da História da Madeira prende-se com o real protagonismo
do rei e do infante D. Henrique, no processo de (re)descobrimento
e ocupação das ilhas do arquipélago51.
A leitura das crónicas coevas e quasi-coevas leva-nos
a concluir que tudo começou sob a orientação
da coroa. De todos o mais esclarecedor é a "relação
de Francisco Alcoforado"52. De acordo com esta o infante
ordenou a João Gonçalves Zarco "fosse logo
a El Rey a Lisboa" e foi o rei quem mandou preparar as embarcações
para a viagem de reconhecimento da ilha53 como, depois, de povoamento54.
O próprio infante D. Henrique testemunha este real protagonismo
de seu pai ao afirmar em 1460 que "Por serviço de
El Rey meu senhor e padre de virtuosa memória, (...) comecei
a povoar a minha ilha de Madeira haverá ora XXXb anos,
E assim mesmo a de Porto Santo E dessy prosseguindo a deserta
(...)". Todavia esta ideia contrasta com outra veiculada
pelo próprio infante nas cartas de doação
das capitanias de Madeira e Porto Santo. Em 1440, ao conceder
a posse da capitania de Machico a Tristão Vaz, ele declara
que este havia sido "um dos primeiros que por seu mandado
fora povoar as ditas ilhas". O mesmo surge quanto ao Porto
Santo em 1446 e ao Funchal em 1450. Neste último caso
o infante considera João Gonçalves Zarco como "o
primeiro que por seu mandado povoara a ilha".
Entretanto em 1443 D. Duarte reclamava a sua intervenção
referindo as ilhas "que agora novamente o dito infante per
nossa autoridade pobra". Mas, já o rei D. Afonso
V, em 1454, tem outra opinião ao afirmar que "por
serviço de Deus e nosso conquistou e povoou" as ilhas
de Madeira e Porto Santo. Esta ideia é expressa, mais
tarde, pelo capitão do Funchal, Simão Gonçalves
da Câmara: "esta ilha era uma horta do senhor infante
e ele pôs e trouxe a semente e plantou estas canas e a
deu a toda a ilha à sua própria custa (...)"55.
3.3.ORIGEM DOS PRIMEIROS COLONOS: DO ALGARVE ?
É comum afirmar-se que os primeiros povoadores da Madeira
são oriundos do Algarve. Esta ideia filia-se na tradição
algarvia da gesta expansionista e na expressão de Jerónimo
Dias Leite «muitos do Algarve»56. Todavia, a dedução
parece-nos apressada, uma vez que faltam provas que a corroborem.
Senão, vejamos. Numa listagem dos primeiros povoadores
referidos nos documentos e crónicas, a presença
nortenha (64%) é superior à algarvia (25%). Por
outro lado, os registos paroquiais da freguesia da Sé
(desde 1539), no período de 1539 a 1600, confirmam essa
ideia, uma vez que os nubentes oriundos de Braga, Viana e Porto
representam 50% do total, enquanto os provenientes de Faro não
ultrapassam os 3%57. A mesma ideia é reafirmada por recente
estudo58 em que se analisa a situação das demais
freguesias da Madeira no século XVI. MAis uma vez somos
remetidos para o norte do país, onde se destacam Braga(11%),
Viana do Castelo(8,4%). Tudo isto contraria o estudo de Alberto
Iria que, ao contrário do que se possa pensar não
foi capaz de responder as dúvidas que o tema suscita59.
Esta ideia mantem-se na actualidade e continua a merecer a aprovação
de muitos estudiosos60.
Os mais eminentes investigadores madeirenses hesitam entre a
procedência minhota ou algarvia dos primeiros colonos61.
Ernesto Gonçalves, no entanto, é peremptório
em apontar a ascendência minhota dos primeiros obreiros
do povoamento do arquipélago62.
Tendo em consideração que o povoamento da Madeira
é um processo faseado, em que intervêm colonos oriundos
dos mais recônditos destinos, e que de todo o Reino surgem
gentes empenhadas nesta experiência tentadora, é
de prever a confluência de várias localidades, em
especial as áreas ribeirinhas - Lisboa, Lagos, Aveiro,
Porto e Viana -, adestradas no arroteamento de terras incultas.
Se é certo que do Algarve partem muitos dos apaniguados
da casa do infante, com uma função importante no
lançamento das bases institucionais do senhorio, não
é menos certo que do norte de Portugal, nomeadamente da
região de Entre Douro e Minho, provêm os cabouqueiros
necessários ao desbravamento da densa floresta e preparar
o solo para as culturas mediterrânicas - cereal, vinha,
cana-de-açúcar e pastel. O Norte de Portugal, quer
pelo facto de ser a região do país mais densamente
povoada, quer pela sua permanente vinculação à
economia madeirense, exerceu aqui uma decisiva influência.
A conclusão deste debate só será possível
mediante uma abordagem multidisciplinar onde seja possível
equacionar a diversa informação capaz de suprir
a inexistência de listagens. Assim para além do
estudo do homem nos seus aspectos psicossomáticos e hemotipológicos,
há que encontra-lo, também nos usos e costumes,
na forma de se relacionar com o meio e dos instrumentos usados.
Depois temos a identificação onomástica
e topoímica. Será da conjunção de
todos estes elementos que se conseguirá avançar
com alguma certeza sobre a origem geográfica dos primeiros
colonos que povoaram a ilha.
3.4. A DATA DE INÍCIO DO POVOAMENTO: 1420-1425-1433
Um dos muitos pontos polémicos no início de
História da Madeira é a data em que o solo virgem
começou a ser desbravado pelos primeiros colonos europeus.
Os cronistas são unânimes em definir o ano de 1420
como o de começo. Todavia, surgem opiniões diferentes,
como a do infante D. Henrique, que em 1460 declarava: "começei
a povoar a minha ilha da Madeira averá ora XXXb anos...",
isto é, a partir de 1425 ele iniciara o povoamento da
ilha. Mas, na doação régia de 1433, o monarca
afirmara "que agora novamente o dito infante per nossa autoridade
pobra".
Quererá isto dizer que o infante só nesta data
assume o comando do processo ? Não. Pelo menos esta não
é a opinião do infante, que nas cartas de doação
das capitanias apresenta João Gonçalves Zarco,
Tristão Vaz e Bartolomeu Perestrelo, como os primeiros
povoadores por seu mandado.
Será que só podemos falar de povoamento a partir
de 1425 ou 1433, contrariando a opinião dos cronistas
? A resposta parece ser também negativa, à luz
daquilo que nos dizem dois documentos. Primeiro, uma sentença
do Duque D. Diogo de 6 de Fevereiro de 148363 refere que "podia
haver cincoenta e sete anos, pouco mais ou menos, que a essa
ilha fora João Gonçalves Zargo, capitã que
fora nessa ilha, levando consigo sua mulher e filhos e outra
gente...". Depois, noutra sentença Diogo Pinheiro,
vigário de Tomar em 1499, afirma: "podera bem aver
oytenta annos que a dicta ilha era achada pouco mais ou menos
e se começara a povoar"64. Esta versão é
corroborada em 27 de Julho de 1519 por acórdão
da Câmara do Funchal em que se dá conta do início
do povoamento há cem anos atrás. Ambos os documentos
abonam versões diversas: enquanto o primeiro coincide
com a data apontada pelo infante, o segundo corrobora os cronistas.
Por tudo isto a unica conclusão plausível é
de que o povoamento efectivo terá começado a partir
do fim do último quartel do século XV. Os seis
anos que medeiam entre esta data e o seu reconhecimento não
deverão ser encarados como de total alheamento, pois o
processo não parou.
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"V Centenário Henriquino sua projecção
na História madeirense", in AHM, XIII, 1962-63, 42-70;
"Adenda", in Ilhas de Zargo, Funchal, 1989, 856-865.
4. "Infante D. Henrique e geografia histórica das
capitanias de Madeira", in AHM, XII (1960-1961), 21-54.
5. Note-se que até esta data é questionada à
luz de um estudo do calendário, uma vez que em 1419 o
dia 2 de Julho não foi num domingo, como o pretende afirmar
Gaspar Frutuoso. Por curiosidade anote-se que em 1590, uma das
datas apontadas para a redação do livro sobre a
Madeira, o dia 2 de Julho coincide com um domingo o que poderá
ter levado o autor a semelhante equívoco.
6. Crónica de Guiné, Porto, 1937, cap. CXXXII,
pp.189-196.
7. Asia, decada I, livro I, caps. II e III.
8. Saudades da Terra. livro segundo, Ponta Delgada, 1979, cap.I
a VIII
9. "Primeira Navegação", publ. in A Madeira
vista por estrangeiros, Funchal, 1981, pp.35-36.
10. Esmeraldo de situ orbis, ed. 1975, pp. 14, 97-98.
11. Crónica do principe D. João, Coimbra, 1790,
cap. VIII, pp.13-14.
12. O manuscrito de Valentim Fernandes, Lisboa, 1940, pp.155-159,
219.
13. Tratado dos descobrimentos antigos e modernos, Porto, 1944,
pp.82-83, 114-119.
14. Edição de Jean Fontvieille, "A lenda de
MAchim. une découverte bibliographique à la bibliotheque
Musée du Palais Ducal de Bragance à Vila Viçosa(Portugal)",
in Actas do Congresso Internacional de História dos Descobrimentos,
vol. III, Lisboa, 1961, pp.197-238.
15. Epanáfora Amorosa, Braga, 1975 (edição
de José MAnuel de Castro.
16. "Descrição da ilha da Madeira", in
A Madeira vista por estrangeiros, Funchal, 1981, pp.79-82.
17. História da ilha da Madeira, Funchal, 1930 (edição
anotada por Fernando Augusto da Silva).
18. "Relações do descobrimento da Guiné
e das ilhas dos Açores, Madeira e Cabo Verde", in
Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1898-99, pp. 25-28.
19. "Nota III. Descobrimento do archipelago da Madeira Por
Zargo e Tristão Vaz", "Nota IV. Descobrimento
do archipelago da Madeira: diversas tradições,
lendas e noticias", "Nota V. Descobrimento da ilha
da Madeira por ingleses: caso de Machim e Anna de Arfet",
publicado in Saudades da Terra(...), Funchal, 1873, pp. 329-339,
340-348, 348-429.
20. Confronte-se Arquivo Histórico da Madeira, vol. XII,
1960-61.
21. Pe. Fernando Augusto da SILVA, "Quincentenario do descobrimento
da Madeira", in Elucidário Madeirense, vol. III,
pp. 163-168. A propósito disto foi feita um publicação
comemorativa: V centenário do descobrimento da Madeira,
Funchal, 1922.
22. Îles de l'Afrique, Paris, 1847; Notice des découvertes
faites au Moyen-Age dans l'ocean Atlantique, Paris, 1845.
23. "Memórias para a História das navegações
e descobrimento dos portugueses", in Memórias da
Academia Real de Ciencias de Lisboa, vol. IV, Lisboa, 1819, pp.1-19;
"Aditamento à primeira parte da memória sobre
as verdadeiras épocas em que principiarão as nossas
navegações e descobrimento do oceano Atlântico",
in Memórias da Academia Real de Ciências, vol. IX,
Lisboa, 1831, pp. 177-230.
24. Memória sobre a prioridade dos descobrimentos portugueses
na costa ocidental africana, Lisboa, 1958.
25. Livro de Marinharia, Lisboa, 1903.
26. Ob.cit., nota V.
27. "A lenda de Machim", in Congresso do Mundo Português,
vol. III, tomo 1, Lisboa, 1940, pp. 188-208.
28. Account of the island of Madeira, Londres, 1812.
29. Vida do Infante D. Henrique, Lisboa, 1876.
30. Sentimentalismo e História, Porto, 1897.
31. D. Francisco Manuel de Melo e o descobrimento da Madeira,
Lisboa, 1935, sep. Biblos; "Machim, Machico, Melo e Madeira",
in Biblos, vol. XVI, t.II, pp. 567-571.
32. Notas Para a História da ilha da Madeira. Descoberta
e inicio do povoamento, Funchal, 1957; A relação
de Francisco Alcoforado, Funchal, 1961(sep.DAHM, nº.31);
"O caso Machim à face dos documentos", in Das
Artes e Da História da Madeira, nº.25-26-27, 1957.
33. "O descobrimento do Porto Santo e da Madeira e o Infante
D. Henrique", Revista da Universidade de Coimbra, vol. XXIII,
1973, pp.305-317; "A História do descobrimento da
ilha da MAdeira por Roberto Machim em fins do século XIV",
in Revista da Universidade de Coimbra, vol. XXIII, pp. 292-409.
34. Isto valeu-lhe um ataque cerrado do Visconde do Porto da
Cruz(Revista Portuguesa, nº.84) e Eduardo Pereira("Adenda",
in Ilhas de Zargo, vol. II, pp. 857-865). A resposta do autor
surgiu em "As notas para a História da ilha da Madeira"no
Pelourinho, Funchal, 1959.
35. "Estudo da «Relação de Francisco
Alcoforado»", "Algo mais acerca da «Relação
de Francisco Alcoforado»", im Portugal e a Ilha, Funchal,
1992, pp. 235-255, 257-268.
36. "O texto de Francisco Alcoforado", in Atlântico,
nº.5, 1986, pp. 19-26.
37. "Da história à literatura-ainda o descobrimento
da Madeira", in Actas III Colóquio Internacional
de História da Madeira, Funchal, 1993, pp.201-206.
38. Quando foi descoberta a Madeira ?, Lisboa, 1911.
39. "O conhecimento dos arquipélagos no século
XV",in História da Expansão Portuguesa no
Mundo, vol. I, pp. 269-273; "A relação de
Francisco Alcoforado", in Arquivo Histórico da Marinha,
vol.I, 1936, pp.317-329.
40. Descobrimentos, guerras e conquistas dos Portugueses em terras
do ultramar nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1881-82.
41. Desta edição fez-se uma reprodução
no século dezanove que figura com a mesma data.
42. Chama-se a atenção para o facto de que a primeira
edição em inglês do texto de Francisco Alcoforado
é de 1675 (The first discovery of the island of Madeira),
seguindo-se outra em 1750 ( An historical account of the discovery
of the island of Madeira, abridged from the portugueze original
to which is added, an account of the present state of the island,
in a letter to a friend) Em 1845 Terence Mahon Hughes publicou
um poema (The ocean flower. A poem preceded by an historical
and descriptive account of the island of Madeira).
43. "Descobrimento da ilha da Madeira por inglezes: Caso
de Machim e Anna de Arfet", pp.348-429
44. "O caso Machim à face dos documentos", in
DAHM, nº.25-27, 1957.
45. "Machin and Madeira", in Gloucestershire Illustrations,
Londres, 1861, pp.5-23.
46. "Machen Family, Gloucestershire", in Bristol and
Gloucestershire Arcaelogical Transactions for the year 1943,
pp.96-112.
47. Juan ALVAREZ DELGADO, "El episodio de Juan Machin en
la Madera", in Das Artes e Da História da Madeira,
vol. VI, nº.31, 1961.
48. Livro de Marinharia, Lisboa, 1903, pp. XXIII-XXIV; Frei Ayres
de SÁ, Frei Gonçalo Velho, Lisboa, 1899, pp. CXVII-CXXIII
49. Public Record Office, Calendar of close Rolls, ref. 23/59
X/II 7137, pp. 488 a 489.
50. Public Record Office, Parliament.VII & VIII Hen.IV, ref.
RR11/84 83227, pp. 571-572.
51. Confronte-se Vitorino Magalhães GODINHO, Os descobrimentos
Portugueses e a economia mundial, vol. II, Lisboa, 1982, p.232.
Aí releva-se a acção de João Afonso,
vedor da Fazenda.
52. Utilizamos a versão publicada em 1961 por Jean FONTVIEILLE.
Publicada: "A Lenda de Machim (...)" in Actas do Congresso
Internacional de História dos Descobrimentos, III, Lisboa,
1961, 197-238.
53. "mandoulhe ell Rey fazer prestes hum navjo e hum barynel..."
o regresso ao reino: "levou ellRey muyto prazer do que tynha
João Gez feito..."
54. "no verão syguinte na etrada de Mayo mandou el
Rey fazer prestes três navjos (...) e as que ouveses devedor
mandou ell Rey dar os omeziados e comdenados que ouvese polas
cadeas e reynos (..) EllRey cada verão mandava navjos
e ferro e aço e sementes e gados..."
55. ANTT, C.C., parte I, maço 27, doc. 22, carta ao rei
56. Ob. cit., 16; Gaspar FRUTUOSO, ob.cit., 54.
57. Luís Francisco de Sousa MELO, "A imigração
da Madeira" in História e Sociedade, nº 6, 1979,
39-57; Idem, "O Problema de origem geográfica do
povoamento" in Islenha, nº 3, 1988, 19-34.
58. Maria Luís Rocha PINTO e Teresa MAria Ferreira RODRIGUES,
"Aspectos do povoamento das ilhas da Madeira e Porto Santo
nos séculos XV e XVI", in Actas III Colóquio
Internacional de História da Madeira, Funchal ,1993, pp.403-471.
59. O Algarve e a Madeira no Século XV, Lisboa, 1974,
sep. de Ultramar; confronte-se com a crítica de Fernando
J. PEREIRA em O Algarve e a Madeira, Braga, 1975.
60. A.T. MATOS, "Do contributo algarvio no povoamento de
Madeira e dos Açores" in Actas das I Jornadas de
História do Algarve e Andaluzia, Loulé, 1987, 173-183;
"Origem e reminiscências dos povoadores das ilhas
atlânticas", in Congresso Internacional. Bartolomeu
Dias e a sua época, Vol. III, Porto, 1989, 241-252.
61. Fernando Augusto da SILVA, «Do começo do povoamento
madeirense», in Das Artes e História da Madeira,
Vol. VIII, nº 37, 5; Joel SERRÃO, «Na alvorada
do mundo atlântico», in Ibidem, vol. VI, nº
31, 1961, 6.
62. «No Minho ao sol de Verão», in Ibidem,
vol. IV, nº 21, 1955, 45-46; Fernando Vaz PERERIRA Famílias
da Madeira e Porto Santo, vol. I, Funchal, s.d., pp. 224 (nº
1) e 248 (nº 1).
63. ANTT, Convento de Santa Clara, maço 1, ref. Pe. Manuel
Juvenal Pita FERREIRA, O arquipélago da Madeira terra
do senhor infante, p.132.
64. ANTT, Cabido da Sé do Funchal, maço 1, nº
1, 20 de Fevereiro 1499.
Última alteração : 95/10/03