A HISTÓRIA E DEVOÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA MADEIRA

 

 

 

 

EDIÇÃO

 

CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÒRIA DO ATLÂNTICO

FUNCHAL, 2001,

PP. 160

pvp: 5 EUROS

 

ÍNDICE GERAL do volume

 

D. TEODORO FARIA:

Vinde, Espírito de União e de Paz

 Jesus Ressuscitado . .Da-Nos o Espirito Santo

 

PE. JOÃO CARLOS COSTA GOMES:  O Espírito Santo na Liturgia

PAULO JORGE DOS REIS GODINHO: O Espírito Santo e a Nova Evangelização

LÚCIA E EUGÉNIO FRAGOEIRO:  O Espírito Santo e a Família: O Espírito Santo e a Família

JOSÉ HENRIQUE M. ALMEIDA: O Espírito Santo e a Caridade

P.E FRANCISCO CALDEIRA: O Espírito Santo e os Movimentos Apostólicos

JOSE MANUEL FARIA ABREU: O Espírito Santo na Piedade Madeirense (Aspecto histórico-litúrgico)

ABEL SOARES FERNANDES: Estudo sobre  a Vivência da Festa do Espírito Santo” na Madeira no Ano de 1998 (Trabalho de carácter pastoral)

PE  DUARTE CARLOS LINO NUNES: Relatório:  O Congresso do Espírito Santo

IR. JOSE MANUEL BRAZ FERREIRA. SCJ: Visitas do Espírito Santo. Apontamentos

ABEL SOARES FERNANDES: Devoção ao Espírito Santo – Igrejas e Capelas

 

ANEXO: 

Cantares das Saloias                            

DOCUMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apresentação

 

 

            Este trabalho resulta de uma reflexão sobre o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade nos aspectos teológico, litúrgico, pastoral e histórico.

            A primeira parte é uma compilação dos trabalhos realizados no Congresso sobre o “Espírito Santo – Senhor que dá a Vida” promovido pelo Conselho Pastoral da Diocese do Funchal a 30 e 31 de Maio de 1998, ano dedicado ao Espírito Santo de preparação para o Grande Jubileu do ano 2000.

            Nesta parte, destacamos as palavras do reverendo Bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria, “Vinde, Espírito de União e de Paz” na abertura e “Jesus Ressuscitado ... dá-nos o Espírito Santo” no encerramento do Congresso; a reflexão do Pe. João Carlos Costa Gomes, “O Espírito Santo na Liturgia” onde reflecte sobre o Espírito Santo nos Sacramentos; o trabalho do diácono José Manuel Faria Abreu, “O Espírito Santo na Piedade Madeirense” sobre a origem e a vivência histórica desta piedade na Madeira; o estudo de carácter pastoral do dr. Abel Soares Fernandes, “Vivência da Festa do Espírito Santo na Madeira no ano de 1998” que, a partir de um questionário feito a todas as paróquias, nos dá uma visão actual da vivência da festa do Espírito Santo na Madeira. Do painel, damos destaque aos termas: “Espírito Santo e a Nova Evangelização”; “O Espírito Santo e a Caridade” e “O Espírito Santo e os Movimentos Apostólicos”. Finalmente, sobre o Congresso, o Pe. Durte Carlos Lino Nunes, Secretário da Diocese do Funchal, elaborou o “Relatório” onde sintetizou as actividades realizadas.

            A segunda parte  é constituída  por um estudo feito por  José Manuel Braz Ferreira, Irmão da Congregação do Sagrado Coração de Jesus que nos dá um testemunho da vivência desta festa na zona pastoral da Ribeira Brava “Festa do Espírito Santo da Ribeira Brava – Apontamentos” e por um estudo feito pelo dr. Abel Fernandes “Devoção ao Espírito Santo – Igrejas e capelas” a partir das “Memórias Seculares e Eclesiásticas para a Composição da História da Diocese do Funchal na Ilha da Madeira em 1722” de Henrique Henriques de Noronha.

            Segue-se uma compilação dos cantares tradicionais das saloias e alguns documentos relativos a esta devoção.

            Esperamos que este trabalho seja um contributo para o conhecimento mais profundo da vivência da devoção que o povo madeirense prestou ao longo da sua história e continua a manifestar ao divino Espírito Santo.

 

 

 

 

 

 

 

                                                                      Anexo                          

 

 

 

 

IV - Cantares das saloias

                                                                                                                  
Paróquias de São Jorge e do Arco de São Jorge

 

Coro

                                              Vem Divino Espírito Santo

                                              Vem fogo purificador

                                              Vem purificar nossas almas

                                               Na frágua do Teu amor

 

Entrada da Igreja

 

                    I

Dai-me licença que eu entre

Destas portas para dentro

O Divino Espírito Santo

Vai entrar neste momento.

                    II

Divino Espírito Santo

Divino Consolador

Enchei-nos dos Vossos dons

Aumentai-nos o amor.

                   III

Nesta igreja onde louvamos

Nosso Deus e nosso Pai

Nós vos pedimos com fé

A todos abençoai.

 

Nas Casas

 

Aleluia! Aleluia!

                   I

O Divino Espírito Santo

Nesta casa vai entrar

Mandado do Pai Eterno

Pra família abençoar.

 

 

Saída da Igreja

 

                   I

Senhores imperadores

Olhai no que ides pegar

No Divino Espírito Santo

Que nos vai abençoar.

                    II

O Divino Espírito Santo

É nosso Consolador

Ele quer abençoar

O Seu povo com amor.

                    III

O Divino Espírito Santo

Enche-nos de alegria

Vai visitar as famílias

Desta nossa freguesia.

 

Nas Casas

 

Aleluia! Aleluia!

                   II

Abençoai esta casa

Abençoai a família

O Divino Espírito Santo

Seja sempre o vosso guia.

 

 

 

 

 

 

 

 

                 III

Pomba branca, imaculada

Do céu à terra baixou

Oh! Vem trazer a saúde

Ao doente que te beijou.

 

Ao entrar na  Igreja

 

                 Coro

Desce à terra luz bendita

Vem o teu povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

                    I

Nesta Igreja vai entrando

O Divino Espírito Santo

Vai pedir bênçãos a Deus

Para sair pelo campo.

                   II

Vinde Pai dos pobrezinhos

Esta família abençoai

A grandes e a pequeninos

Vossas graças derramai.

III

Vamos chegando ao altar

Desta Igreja que é sagrada

Onde as insígnias benditas

Vão fazer a sua pousada.

 

 

 

 

                   IV

Agradeço a  vossa oferta

Que é feita com devoção

O Divino Espírito Santo

Fique em vosso coração.

 

Saída da Igreja

 

                  Coro

Desce à terra luz bendita

Vem o teu povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

                      I

Adeus, Senhor, até tarde

Nós vamos com alegria

Visitar nossos irmãos

Pela nossa freguesia.

                     II

Com o Divino Espírito Santo

E alegria de irmãos

Desejando a cada um

Melhor bem e  suas bênçãos

 

Na casa do Sr. Padre

                   I

Vinde Pai dos pobrezinhos

Esta família abençoai

A grandes e  pequeninos

Vossas graças derramai.

                   II

O Divino Espírito Santo

E os companheiros seus

Vem desejar com este cântico

O digno ministro de Deus.

 

 

 

 

 

Na casa das pessoas

 

                   I

Vinde pai dos pobrezinhos

Esta família abençoai

A grande e pequeninos

Vossas graças derramai.

                    II

À  vossa porta parou

A quem não viste à tanto

Fazei a vossa oferta

Ao Divino Espírito Santo.

                   III

A oferta que vós dais

Seja feita com amor

O Divino Espírito Santo

É o nosso compensador.

 

De regresso à Igreja

 

                   I

Regressamos ao Senhor

Da visita que fizemos

Falando do Vosso amor

Àqueles que vós amais.

                  II

Receberam-nos bem

a todos abençoai

Ao reino do céu um dia

A todos encaminhai.

 

 

Durante a festa

 

              Coro

Divino Espírito Santo,

Baixai sobre o vosso povo

Como na sala do cenáculo

Quando desceste em línguas de fogo.

                   I

O Divino Espírito Santo

Vem entrando nesta Igreja,

Neste dia de alegria

Para nós, hoje, bendito seja.

 

                  II

O Divino Espírito Santo

É o Espírito da verdade,

É uma Pessoa Divina

Da Santíssima Trindade.

                 III

O Divino Espírito Santo

É o Espírito do amor,

Na hora do sofrimento

Aliviai a nossa dor.

 

 

 

 

aróquia

Na Igreja

 

               Coro

Oh! Vinde Espírito

Oh! Deus de amor

Ó Vinde com os Vossos dons

Ó Vinde aos pobres, aos pequeninos

Aos peregrinos corações

Vinde, ò luz dos corações.

                   I

Aqui é a casa de Deus

Morada do Redentor

Vamos todos respeitosos

A saudá-Lo com amor.

                  II

Desce à terra Luz bendita

Deus feito em fogo sagrado

Vem, abrasa e purifica

Nossa alma do pecado.

de Gaula

 

                  III

Ide para vossas casas

Preparai vossa ofertinha

O Divino Espírito Santo

Já para lá se encaminha.

                  IV

Ides ter em vossa casa

Uma maior alegria

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

                    V

Vinde Espírito Divino

Fogo purificador

Purifica a nossa alma

Na frágua do Teu amor.

 

 

Nas casas

 

                    I

O bom Jesus ressuscitado

A esta família vem

Com muitas graças e bênçãos

E alegria também.

Aleluia! Aleluia!

                   II

Desce à terra Luz Bendita

Vem o Teu povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

Aleluia! Aleluia!

                    III

À vossa casa chegou

Que não vedes há tanto

Vem fazer-vos uma visita,

O Divino Espírito Santo.

Aleluia! Aleluia!

 

Aos doentes

 

Vinde Espírito Santo

Divino consolador

Curai todos os doentes

Aliviai-lhes sua dor.

 

 

 

Ao Senhor Padre

 

Vinde Espírito Santo

Divino Consolador

Abençoai neste dia

O nosso Digno Pastor.

 

 

 

 

 

 

Paróquia dos

 

Entrada da Igreja

 

                  Coro

É o Espírito da Verdade

Enviado pelo Pai

No fogo da caridade

Nossas almas abrasai  (bis)

                     I

Dai-nos licença que entremos

Deixai-nos abrir fileiras

Vão passar sobre os presentes

Estas benditas bandeira .  (bis)

                    II

Senhoras que estais lá dentro

Toda vestida de branco

à espera duma visita

Do Divino Espírito Santo. (bis)

 

 

Em agradecimento

                    I

Agradece à vossa oferta

O Divino Espírito Santo

Se foi de boa vontade

Deus vos depare outro tanto.

                   II

Até um copo de água

Dado por amor de Deus

Terá grande recompensa

Lá no Reino dos Céus.

 

Canhas e Carvalhal

 

Saída da Igreja

 

                 Coro

É o Espírito da Verdade

Enviado pelo Pai

No fogo da caridade

Nossas almas abrasai  (bis)

                   I

Olhai senhores festeiros

Olhai em que ides pegar

Nessas insígnias benzidas

Que o sacerdote vai dar.

                  II

Vem, vem , Espírito de amor

Vem encher nossos corações

Eu não vivo pecador

sem os vossos  sete dons.

 

                  III

Ao entrarmos neste templo

Respeito o que é necessário

Recordemos Jesus

Que está oculto no sacrário.(bis)

 

                             IV

Luz celeste, luz celeste

Que hoje desce ao altar

Onde a pomba se reveste

Para o povo visitar. (bis)

                 V

Aqui é a casa de Deus

A casa de oração

Aonde estão os remédios

Para a nossa salvação. (bis)

 

 

 

Entrada da noite

 

                 Coro

Espírito Divino

Ó Deus verdadeiro

Salvai Portugal

e o mundo inteiro.

                   I

Já é tarde o sol não brilha

Como antes pelo campo

São horas de recolhermos

O Divino Espírito Santo.

                  II

Ao entrarmos neste Templo

Respeito o que é necessário

Recordemos Jesus

Que está oculto no sacrário.

                  III

O Divino Espírito Santo

Que sois cheio dalegria

Vai tirar a sua esmola

Prós pobres da freguesia.

                

 

                  IV

Ao sairmos deste templo

Saímos com alegria

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

                   V

Adeus senhores até à noite

Que agora vamos pró campo

Visitar os lavradores

do Divino Espírito Santo.

                  VI

O Divino Espírito Santo

Sua Igreja vai deixar

Vai pró sítio dos Salões

O Seu povo visitar.

 

Pelas casas

 

À vossa porta parou

Duas saloias de branco

Recebei com alegria

O Divino Espírito Santo.

 

Ao sair das casas

 

Ao sairmos desta casa

Saímos com alegria

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

 

                 III

Aqui a casa de Deus

É casa de oração

Aonde estão os remédios

Para a nossa salvação.

 

 

 

 

Agradecimento  aos donos

 

É com grande alegria

De poder aqui estar

O Divino Espírito Santo

Abençoe este lar.

 

Agradecimento a um menino

 

A esmola que a menina fez

Foi feita com devoção

O Divino Espírito Santo

Fique em vosso coração.

 

Oferta do estrangeiro

 

Ó Divino Espírito Santo

Ó meu Senhor verdadeiro

Agradeço esta oferta

Que veio do estrangeiro.

 

Para uma rapariga

 

Aceitada seja a esmola

Que esta donzela nos faz

Dai-lhe sorte e salvação

Depara-lhe um bom rapaz.

 

Para uma senhora

 

A esmola que a senhora fez

Foi à beira do caminho

Quem lhe vai agradecer

É o Espírito Divino.

 

 

Agradecimento da esmola

 

O Divino Espírito Santo

Agradece com alegria

A oferta desta senhora

E que o seu amor

Fique em  vossa companhia.

 

 

Para um bebé

 

Ó Divino Espírito Santo

Debaixo daquele véu

Agradeço esta oferta

Daquele anjinho do céu.

 

Agradece ofertas de França

 

Ó Divino Espírito Santo

Senhor que dás esperança

Agradeço esta oferta

Dum emigrante da França.

 

Para um rapaz

 

Aceitada seja a esmola

Se ela vem com alegria

Dai-lhe sorte e salvação

E uma boa rapariga.

 

Para um casado

 

O Divino Espírito Santo

Na bandeira retratado

Agradeço esta esmola

Da mão dum senhor casado.

 

Para uma senhora

 

A esmola que a senhora fez

Foi à beira da estrada

Um dia na eternidade

Será bem recompensada.

 

 

Para uma viúva

 

Ó Divino Espírito Santo

Que grande bondade é a Tua

Agradeço esta oferta

Duma senhora viúva.

 

Outro agradecimento

 

Agradeço aos senhores

Só pela sua bondade

Oxalá que um dia se veja

Lá no céu da eternidade.

 

Entrada ou  saída da Igreja

 

                 Coro

Desce à terra luz bendita

Vem nosso povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

 

                 Coro

Divino Espírito Santo

Baixai sobre o Vosso povo

Como na sala do Cenáculo

Desceste em línguas de fogo.

 

                 Hino

 

Benditas sejam as três Pessoas

Da Santíssima Trindade

Pai, Filho e Espírito Santo

Que governam toda a humanidade

Que vieste lá do céu à terra

Vestido de esplendor e beleza

É tão grande o amor  pelos Homens

Que a todos salvarás concerteza.

 

Para pessoas doentes

 

Pombinha que “avoais”

Não “avoais” de repente

Ide ao céu trazer saúde

Pró pobre que está doente.

 

A um velho

 

A esmola que o velho fez

Foi feita com alegria

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

 

Entrada ou  saída da Igreja

 

                 Coro

Ensinai-nos as virtudes

De que muito carecemos

Por meio do Espírito Santo

Essa graça alcançaremos.

 

                 Coro

Vinde Espírito Divino

E lá dos céus derramai

Raios de luz aos peregrinos

Luz de amor de Filho e Pai.

 

 

                                                  Paróquia de

Saída da Igreja

 

                   I

Olhai senhores festeiros

Olhai no que vão pegar

O Divino Espírito Santo

Que o sacerdote vai dar.

                  II

Ó Divino Espírito Santo

Enviado pelo Pai

No fogo da Caridade

Nossas almas abrasai.

                 III

O Divino Espírito Santo

Vai visitar os casais

Vai-lhes levar alegria,

Alegria, saúde e paz.

 

Pelas casas

 

                   I

Este senhor é tão rico

Pode dar a quem não tem,

Feliz será neste mundo

E na glória Eterna também

                  II

O Divino Espírito Santo

É o Deus do céu verdadeiro

Abençoai esta casa

E dai a paz ao mundo inteiro.

                  III

Esta casa tem tristeza

Alegria trago eu

As portas do céu se abram

Para entrar quem já morreu.

Santo António                 

 

                  IV

Agradeço a vossa oferta,

Com prazer e alegria,

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

                   V

O Divino Espírito Santo

É o nosso Consolador

Consolai as nossas almas

Quando deste mundo forem

 

Entrada na Igreja

 

               Coro

Desce à terra Luz Bendita

Vem o Teu povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

                   I

Dai-nos licença que entremos

Senhora da Conceição

O Divino Espírito Santo

Vem em nosso coração.

                  II

Senhora que estais lá dentro

Vestida de azul e branco

À espera duma visita

Do Divino Espírito Santo.

                 III

Maria, Mãe de Jesus

Senhora que és Nossa Mãe

Convertei os pecadores

Levai-os para o céu também

 

 

 

 

 

Paróquia de

                   I

Ó Divino Espírito Santo

Vem visitar os casais

Vem-lhes trazer alegria

Amor, saúde e paz.

                  II

Desce à terra Luz Bendita

Vem o Teu povo animar

As nossas almas visita

Nossos passos vem guiar.

Paróquia da

 

                   I

Olhai, senhores festeiros,

Olhai o que ides levar:

O Divino Espírito Santo

Que o sacerdote vai dar.

                 III

Deus vos salve, Casa Santa,

Do Senhor habitação

Onde está o remédio

Para a nossa salvação.

Fátima

                  III

Ó Divino Espírito Santo

Ó Deus do céu verdadeiro

Abençoai esta casa

E dai a paz ao mundo inteiro.

 

 

 

 

 

Serra de Água

 

                  II

Deus vos salve, Casa Santa,

Por Deus foste ordenada

Onde está o Deus do Céu

Numa hóstia consagrada.

                  IV

Aqui é a Casa de Deus

Morada do Redentor,

Entremos, pois, respeitosos

A saudá-Lo com amor.

 

                   V

Vinde , Espírito Divino,

Às nossas almas dar luz

Para que triunfemos

Lá na Pátria com Jesus.

                 VII

Agradeço a sua oferta

Que fizestes neste dia.

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

                  IX

Espírito Santo que voais

Pelo campo das flores

Abençoai a verdura

Pra valer aos pecadores.

 

                  XI

Ensinai-nos as virtudes

De que muito carecemos,

Pois só por via delas

Vosso bem alcançaremos.

                 XIII

Desce à terra, luz bendita,

Vem o teu povo animar.

As nossas almas visita,

Nossos passos vem guiar.

                  XV

O Divino Espírito Santo

É um Mestre verdadeiro!

Vinde-nos guiar para o bem

E dar a paz ao mundo inteiro.

                 XVII

O Espírito Santo pede

Pelas portas como um frade

Que lhe faça a sua oferta

Por obra da caridade.

                  VI

O Espírito Santo é rico

Pode dar a quem não tem.

É rico no Paraíso

E neste mundo também.

                 VIII

Agradeço a sua oferta

Da sua oferta o favor;

Quem vos há-de dar o pago

É Deus do Céu Nosso Senhor.

                   X

O Divino Espírito Santo

Dos altos céus vem voando

Vem acudir aos pobres

Quando no mundo penando.

 

                 XII

Alegrai-vos, pecadores,

Recebei com amor santo

A visita neste dia

Do Divino Espírito Santo.

                 XIV

Pomba pura, imaculada,

Sem mancha nenhuma ter

Pousai em nossas cabeças

Nossas almas vinde ver.

                 XVI

Ó Divino Espírito Santo

Nosso Mestre, nosso amor!

Abençoai a todo o povo

E também ao nosso Pastor

                XVIII

Fonte viva, unção sagrada,

Promessas boas do Pai:

Em vosso divino incêndio

Nossas almas abrasai.

 

                 XIX

Agradeço a sua oferta

Que fizestes neste dia

O divino Espírito Santo

A recompensa vos “deia”.

                 XXI

Vamos embora que é tarde

Que o sol não dá no campo

São horas de recolher

O Divino Espírito Santo.

                XXIII

Das almas que vos imploram

Escutai as orações.

Aos fiéis que Vos adoram

Dai os Vossos sete dons.

                  XXV

Vinde, Pai dos pobrezinhos,

Distribuir os vossos dons:

Aos grandes aos pequeninos,

Vinde, ó luz dos corações.

 

Paróquia do

 

Dentro da Igreja

 

                   I

Desce à terra Luz Bendita

Vinde o povo animar

Nossas almas são visitas

Nossos passos vão guiar.

                 III

Divino Espírito Santo

Já vem chegando ao pegão

Com Sua Divina Graça

Pra abençoar os cristãos

                   V

Retirai-vos do caminho

Filhos da Virgem Maria

Deixai passar o Império

Que hoje é o primeiro dia

 

Entrada nas casas

 

                   I

Dai-nos licença que eu entre

A vossa porta pra dentro

Divino Espírito Santo

vem trazer o Sacramento.

 

Na casa do Sr. padre

 

                   I

Deitai, saloias, deitai

Rosas ao Imperador

Os anjinhos no céu deitam

Rosas ao Nosso Senhor.

                  XX

Divino Espírito Santo,

Divino Consolador!

Aceitada, seja a oferta

Das mãos daquele senhor.

                 XXII

Deus vos dê cento por um

A vida que vós levais.

O Divino Espírito Santo

Vos queira dar muito mais.

                 XXIV

Ó Divino Espírito Santo,

Divino Consolador,

Consolai as nossas almas

Quando deste mundo forem.

                 XXVI

Dos pobres, amante Pai,

De graças, dispensador.

Jorra a luz aos corações.

Vinde a nós, ó santo Amor.

 

Curral das Freiras

 

Dentro da Igreja

 

                  II

Divino Espírito Santo

Já vem chegando ao cruzeiro

Com Sua Divina Graça

Meu celeste companheiro.

                  IV

Divino Espírito Santo

Já vem chegando à pia

Todo o povo já  beijou

Eu também beijar-vos queria

 

Saída das casas

 

                   I

Dai-nos licença que eu saia

A vossa porta para fora

Divino Espírito Santo

Recompense a sua esmola.

                  II

Fiquem bem na paz de Deus

Também na paz de Maria

Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

 

Nas casas de luto

 

                   I

Esta casa tem tristeza

Alegria trago eu

As portas do céu abertas

Pra pessoa que morreu.

 

 

 

De regresso à Igreja

 

                   I

Ai Jesus que já é tarde

O sol não dá no campo

São horas de recolher

O Divino Espírito Santo.

                  II

Ai Jesus que já é tarde

O sol não dá nas campinas

São horas de recolher

As três Pessoas Divinas.

 

 

 

 

A  chegada à Igreja

 

                   I

Virgem pura está lá dentro

Vestida de azul e branco

À espera de recolher

O Divino Espírito Santo.

 

Na casa dos festeiros

 

                   I

Deitai, saloias, deitai

Deitai flores no terreiro

Divino Espírito Santo

Já está em casa dos festeiros.

 

 

 

Paróquia de

 

Ó Divino Espírito Santo

Divino consolador

Consolai as nossas almas

Quando deste mundo for.

 

O Divino Espírito Santo

A todos leva alegria

Vai fazer uma visita

Ao povo da freguesia

 

Aqui chega uma visita

Que já não chegou há tanto

Recebam com alegria

O Divino Espírito Santo.

 

Agradeço a vossa oferta

Vossa oferta é um favor

Quem vos há-de agradecer

É Jesus Nosso Senhor.

 

Vamos embora para a Igreja

Que o sol já não está no campo

São horas de recolher

O Divino Espírito Santo.

 

Paróquia de São

 

Entrada da Igreja

 

            Refrão

Divino Espírito Santo

Tende de nós piedade

Fazei-nos todos entrar

Um dia na eternidade.                  

                   I

Vem, Ó Espírito Santo

Com os vossos sete dons

Iluminar nossas almas

Aquecer os corações.

                   II

Divina fonte do bem

Divina fonte de luz

És no trabalho descanso

Caminho que nos conduz.

 

 

São Vicente

 

Senhora que estás dentro

Vestida de azul e branco

Está à espera de uma visita

Do Divino Espírito Santo.

 

Ó Pombinha que voais

Vai e voa de repente

Vai ao Céu e trás saúde

Para dar a este doente

 

Ó Bom Deus Ressuscitado

Abençoa esta família

Muitas graças distribua

Abundantes neste dia.

 

Desce à terra Luz bendita

E vem ao teu povo animar

As nossas almas visita

E nossos passos vem guiar.

 

Deitai, Saloias, deitai,

Rosas ao nosso Pastor

Também os anjos deitavam

No céu a Nosso Senhor.

 

Roque do Faial

 

Saída da Igreja

 

               Refrão

O Divino Espírito Santo

A todos traz alegria

Por isso visita hoje

Filhos desta freguesia.

                   I

Adeus, senhores, até logo

Que nós vamos caminhar

E só na parte da tarde

É que nós vamos voltar.

                   II

Adeus, senhores, até logo,

Que agora vamos pro campo

Visitar os lavradores

Com o Divino Espírito Santo

 

 

Entrada nas casas

 

Oh bons donos desta casa

O Divino vem chegando

Se dão licença de entrar

Nós estamos perguntando

E para vossa alegria

Saloias vêm cantando.

 

O Divino Espírito Santo

A todos trás alegria

Por isso visita hoje

Filhos desta freguesia.

Saída das casas

 

Agradeço a vossa oferta

Com prazer e alegria

O Divino Espírito Santo

Fique em vossa companhia.

 

Ribeira Brava

Refrão

                                                     O Espírito da verdade,

                                                     Enviado pelo Pai,

 No fulgor da  caridade,

         Nossas almas abrasai.  (bis)

 

Espírito Santo que voais,

Pelos campos das flores,

Abençoai a verdura

P’ra valer aos pecadores (bis)

Ensinai-nos as virtudes,

De que muito carecemos,

Pois que só por via dela,

Nosso bem alcançaremos (bis)

Pomba pura imaculada,

Sem mancha nenhuma ter,

Poisai em nossas cabeças,

Nossas almas vinde ver (bis)

 

 

Olhai senhores festeiros,

Olhai o que vão levar,

O Divino Espírito Santo,

Que o sacerdote vai dar.

              Refrão

    Ó Divino Espírito Santo,

    Baixai sobre o Vosso povo

    Como na sala do cenáculo,

    Que descestes em língua de fogo.

 

 

    Deus vos salve casa santa,

    Por Deus fostes ordenados,

    Onde está o Deus do Céu,

    Numa hóstia consagrada.

 

Deus vos salve casa santa,

Do Senhor habitação,

Onde está o remédio

Para nossa salvação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui é a casa de Deus,

Morada do Redentor,

Entremos pois respeitosos,

A saudá-Lo com amor.

             

             Refrão

Descei à terra Luz Bendita,

Vem ao Teu povo animar,

Nossos passos vem guiar.

      Vinde Espírito Divino

      Às nossas almas dar luz,

      Para que triunfemos

      Lá na pátria com Jesus.

 

   O Espírito Santo é rico,

   Pode dar a quem não tem,

   É rico no paraíso,

   E neste mundo também.

 

 

 

Agradeço a sua oferta,

Que fizestes neste dia,

O Divino Espírito Santo,

Fica em vossa companhia.



 

DOCUMENTOS

 

 

S.D[1].: Breve e verdadeira demonstração dos princípios e progressos do Governo que João António de Sá Pereira fez na Ilha da Madeira.


AHU,
Madeira e Porto Santo, caixa, 17, nº. 4846

 

 

O Senhor Rei D. José Primeiro que Deus tem em glória, sabendo com desgosto a inquietação a desordem que se havia perpetuado na Ilha da Madeira, na qual não só os Naturais sofriam os efeitos da Liberdade, a malevolência de uns contra os outros, mas ainda o Prelado Diocesano, os Ministros de S: Majestade ate o mesmo Governador eram precisados a figurar activa ou passivamente naquela desordem Sabendo igualmente que a boa inteligência a zelo do honrado Governador, que então governava naquela Ilha se achava ineficaz pela sua avançada, enferma a decrépita idade contra as forças que tinham adquirido os Naturais para lhes fazer outro benefício mais do que lamentar em tais circunstâncias a ruins, em que via aquela boa paste dos Domínios de S. Majestade: Mas conhecendo o mesmo Senhor perfeitamente a actividade militar a prudência económica, o Zelo de João António de Sá Pereira, não só por experiência própria mas também pelos créditos, que dele davam os seus Generais pelo pronto cumprimento das mais importantes diligências de que o encarregavam a pelas úteis a felizes providências que deu per si em benefício dos Povos do Alto-Douro no tempo da campanha, o faz passar do Posto de Coronel, que exercitava na Praça de Chaves para Governador e Capitão General da dita Ilha; prevenindo-o das mais significantes recomendações, para que averiguando a raiz daquela desordem procurasse restabelecer a necessária sociedade civil, e a boa harmonia, que faz a estabilidade, e a felicidade de qualquer País; e para que ao mesmo tempo promovesse a Polícia, a Agricultura e o Comércio, como bases fundamentais de todo o bom governo.

 

A primeira das ditas recomendações era expressa no do seu Regimento nos termos seguintes: Que devia examinar primeiro que tudo o carácter comum dos Povos, que ia governar, para que as suas disposições se confrontassem com as proporções cios governados: E por isso logo em tempo oportuno, depois de chegar á dita Ilha, cuidou em espreitar as ideias comuns dos seus habitantes, e as particulares dos que faziam mais figura na desordem; e achou por uma parte, que pelo fundamento de uma educação preocupada de originais abusos, e de uma total ignorância dos principais deveres políticos, e cristãos; e pela outra parte, que pela mutua e quotidiana comunicação com os Ingleses, cujas máximas de liberdade Nacional insensivelmente arremedavam, ignorando o seu sistema, e igualmente o diferente espirito das Leis deste Reino, vinha tudo isto a produzir um Monstro informe de prepotência, e liberdade arbitrária, e sem sistema, a qual era mais visível, e mais perigosa na Nobreza animada da sua riqueza, e da sua vaidade.


Parece escusado individuar quais eram os frutos destas preocupações tão monstruosas, como lastimáveis; quais as opressões, que nuns faziam aos outros sem temor das Leis de Deus, e do Rei; e qual a aflição e angustia de quem era obrigado a governá-los, como Deus, e o Rei queriam: Basta só saber, que a intriga, a murmuração, o ódio a divisão, a prepotência e até o mesmo homicídio passavam por actos indiferentes e já como insensíveis no seu erro, e ignorância; pois chegava a ser comum entre eles: Que ali ninguém morria ou era castigado, por que
matasse ou revoltasse.

 

[...]

 

Não havia além disso naquela Ilha caminhos alguns por onde sem um evidente perigo de vida, se podesse passar de umas para outras Freguesias, e ainda sair da Cidade mais de meia légua para o que concorria a quase inacessível fragozidade de montes, e vales em que consiste a sua superfície: Não haviam as pontes necessárias para a passagem além das muitas ribeiras caudalosas, que principalmente no inverno fazem horror, por entre os referidos montes: Finalmente era quase impossível a comunicação da Capital com às Vilas e Lugares de toda a Ilha que não fosse unicamente pelo mar, que no inverno é bravíssimo: Mas o zelo, o desvelo, o cuidado do dito Governador em persuadir pios Povos esta grande importância, e procurar todos os meios, cálculos, e arbítrios para tão útil, e necessário objecto, fez que sem violência, antes com satisfação se comunicassem as Freguesias do Norte com as do Sul, onde está a Capital da Ilha, e umas com outras Vilas, e Freguesias por estradas, e pontes que fez construir quanto era possível.


O certo é que o remédio oportuno a estas e outras semelhantes negligencias daqueles Naturais estava reservado para o incessante zelo do dito Governador assim como para ele estava reservado o desabusar os ditos Povos até de preocupações as mais selvagens, que se podem sonhar em Terra de Cristãos, a que o Bispo não podia acudir por falta de precisa coacção.


Seja um abuso por exemplo o que praticavam nos vodos do Espirito Santo, como chamavam, pela Festa de Pentecostes com os seus chamados Impe
rios, que em cada rua da Cidade se ostentavam: A piedosa consideração da Ordem. do Livro 5 ° N.° 5, tinha permitido os ditos vodos certamente com o único motivo, como é a todas as mais puras luzes manifesto, de que neles se praticava a simples, e santa caridade dos fieis para com o próximo mais necessitado; mas porém as chamadas esmolas, que se extorquiam por sortes de grande valor; os sumptuosos Teatros públicos, que se erigiam ; as competências de luxo neles; as guias; as ebriedades; e as demasias, que até á noite do dia do Espirito Santo se cometiam, e até,a concorrência de ambos os sexos, que em noites sucessivas vinham por entre sombras, e com muitas ofensas de Deus aplaudir a iluminação, e as orquestras de Musica naqueles Teatros da, vaidade; tudo isto foi regulado com, a proibição das lucrosas, e violentas sortes aceitando só as esmolas que os fieis quisessem dar por caridade, e com a única permissão das solenidades das Igrejas, e dos Teatros símplices, e decentes, em que os daquele dia não passassem de sopas, vaca, e arroz, e pão, e vinho, cai beneficio dos pobres que concorressem; aplicando-se o restante, se o houvesse, para esmolas particulares de pessoas recolhidas, e necessitadas.


[...] 

 

 

 

1768.

ARM, CMF, Livro das Correições, nº168, fols. 68vº-69

 

Por ser informado que nos chamados imperios que se fazem nesta cidade, e em quaze todas as freguesias desta ilha, acontesem disturbios, e demazias de que rezultam escandalos publicos, e prejuizos consideraveis à saude dos pobres e à consciencia das pessoas que administram as esmollas, que os devotos voluntariamente dam para serem destribuidas pello imperadore mais irmaons na festa de Pentecoste; e suposto que estos vodos de comer e beber sam permitidos pella saudavel ley do Reyno hé alheio do espirito da mesma os effeitos perjudiciaes quecausam os bem sabidos e notorios excessos; e para evitar estes damnos na certa concideração que o fundo dos bens administrado, nasce das esmollas voluntarias.

 

Ordenou que nos chamados imperios houvese a festividade do culto divino com aquella devida reverencia, e submição devida ao divino Espirito Santo, e que as oblaçoens e esmollas que dam os devotos, e arecadão os administradores que sam tirada, digo que sam feitas ao arbitrio do imperador, e mais offeciaes não possam ser de outra qualidade mais do que vacca, pão, arros, e vinho quando prohibido outro algum genero de oblação, que se costuma praticar nesta ilha e porque sea //de galinhas, capoens, frangos, patos, dosse, manteigarama e prezuntos e outras    das que ficão permitidas por este capitulo,deram reduzidas a dinheiro, pondoseem leilão publicoas ditas oblaçoens e o seuproducto poderão aplicar  em esmolas, dinheiro ou vestuario para vestir os pobres de huum e outro sexo, segundolhe dictar a sua piedade, e lhe fica tão bem prohuibido todo o fausto profano, e iluminação que costumão fazer nesta festividade excepto as que pertensem ao culto divino

 

 

1892. Março.28:  Pastoral de D. Manuel Agostinho Barreto

BARRETO, Manuel Agostinho, Pastoral, s.n., 1892

 

D. Manuel Agostinho Barreto, por mercê de Deus e da Sancta Sé Apostolica, Bispo do Funchal, ilha da Madeira, Prelado domestico de Sua Santidade, do Conselho d’El-Rei, &ª.

 

                A nossos estimados Cooperadores a paz de Jesus Christo.

 

                Tendo-nos informado alguns reverendos parochos de nossa diocese que em suas freguezias se commettem abusos por occasião dos peditorios e festas do Espirito Santo  havendo ainda a circumstancia aggravante da falta de uniformidade nos costumes a tal respeito seguidos, dando tudo isto em resultado prejuizo á religião e difficuldades aos mesmos parochos, determinamos estabelecer o seguinte:

 

                1º Os peditorios para a festa do Espirito Santo, como para outra qualquer, só podem ser feitos na respectiva parochia, salvo especial licença nossa e da competente auctoridade civil, como desde muito está estabelecido.

                2º Quer nas quatro domingas depois da paschoa, quer em outra epocha do anno que se façam taes peditorios, não podem ser levadas imagens, a não ser o pendão do Espirito Santo, cessando por tanto o costume de levar-se corôa e seeptro.

                3º Se os esmoleres quizerem ser acompanhados por musicos e cantores, serão estes previamente examinados pelo seu parocho, para evitar-se profanos e trovas populares inconvenientes ou deshonestas.

4º Se a estes, ou mesmo aos esmoleres, se houver de dar alguma remuneração, sahirá esta do bolso do festeiro e nunca das esmolas colhidas, que se devem applicar exlusivamente aos pobres e á solemnidade religiosa.

                5º O reverendo parocho fiscalisará sempre as esmolas para dirigir sua applicação e evitar-se assim o desvio para banquetes ou interesse particular, pois que tudo isto constitue um roubo feito a Deus e aos pobres.

                6º E para melhor superintender em tudo, muito convirá que o respectivo parocho ou seu coadjuctor, se o tiver, ou ainda um qualquer clerigo acompanhe os esmoleres; convindo tambem munir-se de livro proprio onde se lance a receita e despeza á semelhança do que se faz com a Fabrica. Em tudo isto haverá  uma garantia de moralidade, justiça e decencia que nem sempre se tem guardado.

                7º A escola ou nomeação do festeiro ou imperador será sempre presidida e approvada pelo respectivo parocho, desterrando-se de vez a escolha de pessoa falta de probidade e religião.

                8º Se da parte dos freguezes ou dos festeiros se manifestar resistência a estas determinações, nos darão noticia os reverendos parochos, para se proceder como melhor fôr, quer prohibindo a festa, quer recorrendo á auctoridade civil para ser mantida a ordem e disciplina necessarias(...)

 

                (...)

 

Dada na residencia da Penha de França aos 28 dias de Março de 1892, sob nosso signal e sello.

 

 

 

1900. ABRIL.24:  Pastoral de D. Manuel Agostinho Barreto

BARRETO, Manuel Agostinho, Pastoral, s.n., 1900

 

D. Manuel Agostinho Barreto, por mercê de Deus e da Santa Sé apostolica, Bispo do Funchal (archipelago da Madeira e Porto Santo), Prelado da casa do Summo Pontifice, do Conselho de Sua Magestade Fidelissima, &. &.

 

 

(...) Frequentes são as solemnidades religiosas celebradas entre nós no decurso de cada anno, agora especialmente n’esta quadra da primavera e do estio: as do Divino Espirito Santo e do  Santissimo Corpo de Christo, precedidas das que consagramos à Mãe de Deus.

                Acaso poderá ficar tranquilla e satisfeita a consciencia dos fieis, sobre tudo dos que tomam parte directa e activa n’essas festividades, se não se aproximam do confessionario e da meza santa? Se tal succede, devemos confessar que está ahi um triste documento de falsa piedade e de ignorancia do genuino Christão! Quem se atreve a suppor que a Divindade possa comprazer-se n’estas ruidosas manifestações exteriores, mais profanas que sagradas, nas quaes o coração toma parte minima, quasi por completo alheio ao verdadeiro sentimento sobrenatural? Erro deploravel, que já foi severamente reprehendido pelo Senhor n’aquellas palavras fulminantes dirigidas ao povo d’Israel:  Populus isle labiis suis honorat me; cor autem corum longe est a me.

 

                É mesmo licito duvidar que taes festeiros cheguem a implorar o Senhor com uma prece, e tantas vezes o deshonram com reprehensiveis excessos.

                Hão de fazer-se as novenas do Esirito Santo na semana anterior à sua festa, como desde há annos está determinado tambem pelo Papa. Pois não será opportuno ensejo de se aproximarem dos sacramentos, aquelles, ao menos, que se occupam dos necessarios preparativos da festa?

                Vem pouco depois a solemne commeroração do augustissimo mysterio do Corpus Christi. Impossivel será offerecer ao mesmo amoroso Jesus mais vehemente e sincera prova de amor e fé do que unir-se a Elle n’esse adoravel sacramento.

                Mas quem sabe se alguns d’estes ainda nem ao menos terão dado obediencia à Santa Egreja, no cumprimento do preceito quaresmal

                Attendam seriamente a isto os nossos zelosos Cooperadores. É forçoso afugentar dos actos solemnes da nossa Religião os indignos, quaes são os que levam vida escandalosa e deshonesta, ou mostram nenhuma fé nos sacramentos, dos quaes vivem afastados.

                Outrosim chamamos vossa attenção para os abusos, predominantes n’algumas parochias, de se reuniram os confrades ou irmãos nas dependencias da egreja para ahi comerem e beberem, antes ou depois da festa. E’ um feio e lastimoso abuso que tem lançado raizes, mas que é de toda a necessidade estirpar de vez, pois que, além da indecencia, dá logar a vergonhosas consequencias. Relembrem nossas admoestações, exaradas na Pastoral da ultima quaresma, sobre a intemperança, particularmente de bebidas alcoolicas; vicio medonho que está fazendo avultado numero de victimas no presente, com espantoso alastramento, no futuro, visto que se transmitte fatalmente ás novas gerações.

                A avidez do torpe lucro leva muitos a estabelecerem vendas de bebidas espirituosas nas immediações da egreja. Há taes exploradores que levam a sua audacia ao ponto de se installarem no proprio adro. Necessario é afugentar do templo esses vendilhões, recorrendo, se tanto fôr preciso, á competente auctoridade policial, pois que assim o exige o respeito que é devido á Religião e aos actos do culto.

                O largo dispendio que se faz em ornatos e manifestações, quasi de todo profanas, bem podia reverter em auxilio dos indigentes e enfermos da parochia, como tantas vezes temos ponderado. Que bella obra de caridade se faria matando a fome, cobrindo a nudez e dando remedios aos miseros que de tudo isto carecem por falta de recursos! E deveram, nos espiritos christãos, estar gravadas em caracteres brilhantes aquellas palavras do Evangelho que o supremo Juiz há de proferir no dia tremendo do ultimo juizo: Afastae-vos de mim, malditos; pois tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, estava nu e não me cobristes, enfermo e não me visitastes.

                E’ devéras lamentavel que nos bellos dias de festa, quando todos os moradores da freguezia trasbordam de prazer, estejam a essa mesma hora alguns luctando com a penuria, a doença e o abandono, pois que era tão facil cercear uma parte modica do grande dispendio em fogos, illuminações e musicas, comidas e bebidas em excesso, para acudir aos necessitados.

                Vejam os reverendos Parochos se tornam estas verdades bem frizantes, de modo a levar alguma luz aos espiritos obcecados de seus parochianos

 

                N’este momento se trata de crear uma obra modesta de caridade, muitissimo necessaria n’esta terra: um hospicio para albergar os desventurados que cahiram nas trevas medonhas da loucura. Se há doença que nos cause profunda lastima e pungente compaixão é esta da perda do juizo. Apagando-se no homem a luz da razão, perdeu elle a similhança com Deus, deixando de ser a sua imagem, para ficar rebaixado a uma esphera inferior á dos irracionaes.

                E’ impossivel contemplar com indifferença este doloroso quadro, um dos mais lancinantes para o coraçãp humano.

                E parece que o mal vae alastrando cada vez mais, impondo-se por isso mesmo o impreterivel dever de acudirmos a uma obra tão necessaria e meritoria. Podem e devem abrir-se todos os corações á compaixão, para assim se envidarem os convenientes esforços para tal realisação, A’s quantias avultadas dos favorecidos da fortuna (e devemos confessar que se tem aberto em generosas dadivas muitas pessoas) importa unir-se o diminuto obolo dos que menos possuem; sendo certo que o Senhor dá a recompensa na medida da boa vontade e do sacrificio.

                Conviria muito que todos os festeiros, já n’este anno, pozessem de parte alguma quantia para acudir a esta obra sublime de caridade. Umas luzes de menos na egreja e no adro , uns sons menos estridulos de granadas e de instrumentos musicos, nada ou pouco tirariam ao brilho da festa, e poderiam ser fonte de luz e doce harmonia d’alguma para os desventurados recolhidos no projectado manicomio, tão necessario como urgente. E sem duvida esse procedimento dos festeiros attrahirá as bençãos do ceo, contribuindo para alliviar as dores da terra.

                Queiram os nossos estimados Cooperadores envidar todos os louvaveis esforços para se obter algum resultado faboravel e honroso.

                Na Camara Ecclesiastica, ou pela benemerita commissão, constituida para tal fim, se receberão todos os donativos.

                Permitta Deus dar força às nossas palavras, favorecer os nosso desejos e abençoar todo o nosso rebanho.

 

                Funchal, 24 de Abril de 1900.

 



[1] . Foi Governador entre 1766 e 1777