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A HISTÓRIA E DEVOÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
NA MADEIRA EDIÇÃO CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÒRIA DO ATLÂNTICO FUNCHAL, 2001, PP. 160 pvp: 5 EUROS |
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ÍNDICE
GERAL do volume
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D.
TEODORO FARIA: Vinde,
Espírito de União e de Paz Jesus Ressuscitado . .Da-Nos o Espirito
Santo PE. JOÃO CARLOS COSTA GOMES: O
Espírito Santo na Liturgia
PAULO
JORGE DOS REIS GODINHO: O Espírito Santo e a Nova Evangelização LÚCIA E EUGÉNIO FRAGOEIRO: O
Espírito Santo e a Família: O Espírito Santo e a Família
JOSÉ HENRIQUE M. ALMEIDA: O Espírito Santo e a Caridade
P.E FRANCISCO CALDEIRA: O Espírito Santo e os Movimentos Apostólicos
JOSE MANUEL FARIA ABREU: O Espírito Santo na Piedade
Madeirense (Aspecto histórico-litúrgico) ABEL SOARES FERNANDES:
Estudo sobre “a Vivência da Festa do Espírito Santo” na Madeira no Ano de 1998 (Trabalho de carácter
pastoral) PE DUARTE CARLOS LINO NUNES:
Relatório: O Congresso do Espírito
Santo
IR. JOSE MANUEL BRAZ
FERREIRA. SCJ: Visitas do Espírito Santo. Apontamentos ABEL
SOARES FERNANDES: Devoção ao Espírito Santo – Igrejas e Capelas ANEXO: Cantares
das Saloias DOCUMENTOS |
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Este trabalho resulta de uma reflexão sobre o Espírito
Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade nos aspectos teológico,
litúrgico, pastoral e histórico.
A primeira parte é uma compilação dos trabalhos
realizados no Congresso sobre o “Espírito Santo – Senhor que dá a Vida”
promovido pelo Conselho Pastoral da Diocese do Funchal a 30 e 31 de Maio de
1998, ano dedicado ao Espírito Santo de preparação para o Grande Jubileu do ano
2000.
Nesta parte, destacamos as palavras do reverendo Bispo do
Funchal, D. Teodoro de Faria, “Vinde, Espírito de União e de Paz” na
abertura e “Jesus Ressuscitado ... dá-nos o Espírito Santo” no
encerramento do Congresso; a reflexão do Pe. João Carlos Costa Gomes, “O
Espírito Santo na Liturgia” onde reflecte sobre o Espírito Santo nos Sacramentos;
o trabalho do diácono José Manuel Faria Abreu, “O Espírito Santo na Piedade
Madeirense” sobre a origem e a vivência histórica desta piedade na Madeira;
o estudo de carácter pastoral do dr. Abel Soares Fernandes, “Vivência da
Festa do Espírito Santo na Madeira no ano de 1998” que, a partir de um
questionário feito a todas as paróquias, nos dá uma visão actual da vivência da
festa do Espírito Santo na Madeira. Do painel, damos destaque aos termas: “Espírito
Santo e a Nova Evangelização”; “O Espírito Santo e a Caridade” e “O
Espírito Santo e os Movimentos Apostólicos”. Finalmente, sobre o Congresso,
o Pe. Durte Carlos Lino Nunes, Secretário da Diocese do Funchal, elaborou o “Relatório”
onde sintetizou as actividades realizadas.
A segunda parte é constituída por um estudo feito por
José Manuel Braz Ferreira, Irmão da Congregação do Sagrado Coração de
Jesus que nos dá um testemunho da vivência desta festa na zona pastoral da
Ribeira Brava “Festa do Espírito Santo da Ribeira Brava – Apontamentos”
e por um estudo feito pelo dr. Abel Fernandes “Devoção ao Espírito Santo –
Igrejas e capelas” a partir das “Memórias Seculares e Eclesiásticas para a
Composição da História da Diocese do Funchal na Ilha da Madeira em 1722” de
Henrique Henriques de Noronha.
Segue-se uma compilação
dos cantares tradicionais das saloias e alguns documentos relativos a esta
devoção.
Esperamos que este
trabalho seja um contributo para o conhecimento mais profundo da vivência da
devoção que o povo madeirense prestou ao longo da sua história e continua a manifestar
ao divino Espírito Santo.
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Anexo
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IV - Cantares das saloias |
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Paróquias
de São Jorge e do Arco de São Jorge
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Coro
Vem Divino Espírito Santo Vem fogo purificador Vem purificar nossas almas |
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Entrada da Igreja I Dai-me licença que eu entre Destas portas para dentro O Divino Espírito Santo Vai entrar neste momento.II Divino Espírito Santo Divino Consolador Enchei-nos dos Vossos dons Aumentai-nos o amor. III Nesta igreja onde louvamos Nosso Deus e nosso Pai Nós vos pedimos com fé A todos abençoai. Nas Casas Aleluia! Aleluia!I O Divino Espírito Santo Nesta casa vai entrar Mandado do Pai Eterno Pra família abençoar. |
Saída da Igreja I Senhores imperadores Olhai no que ides pegar No Divino Espírito Santo Que nos vai abençoar. IIO Divino Espírito Santo É nosso Consolador Ele quer abençoar O Seu povo com amor. IIIO Divino Espírito Santo Enche-nos de alegria Vai visitar as famílias Desta nossa freguesia. Nas Casas Aleluia! Aleluia!II Abençoai esta casa Abençoai a família O Divino Espírito Santo Seja sempre o vosso guia. |
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III Pomba branca, imaculada Do céu à terra baixou Oh! Vem trazer a saúde Ao doente que te beijou. Ao entrar na Igreja Coro
Desce à terra luz bendita Vem o teu povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem guiar. INesta Igreja vai entrando O Divino Espírito Santo Vai pedir bênçãos a Deus Para sair pelo campo. IIVinde Pai dos pobrezinhos Esta família abençoai A grandes e a pequeninos Vossas graças derramai. III Vamos chegando ao altar Desta Igreja que é sagrada Onde as insígnias benditas Vão fazer a sua pousada. |
IV Agradeço a vossa oferta Que é feita com devoção O Divino Espírito Santo Fique em vosso coração. Saída da Igreja
Coro
Desce à terra luz bendita Vem o teu povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem guiar. I Adeus, Senhor, até tarde Nós vamos com alegria Visitar nossos irmãos Pela nossa freguesia. II Com o Divino Espírito Santo E alegria de irmãos Desejando a cada um Melhor bem e suas bênçãos Na casa do Sr. Padre I Vinde Pai dos pobrezinhos Esta família abençoai A grandes e pequeninos Vossas graças derramai. II O Divino Espírito Santo E os companheiros seus Vem desejar com este cântico O digno ministro de Deus. |
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Na casa das pessoas I Vinde pai dos pobrezinhos Esta família abençoai A grande e pequeninos Vossas graças derramai. II À vossa porta parou A quem não viste à tanto Fazei a vossa oferta Ao Divino Espírito Santo. III A oferta que vós dais Seja feita com amor O Divino Espírito Santo É o nosso compensador. |
De regresso à Igreja I Regressamos ao Senhor Da visita que fizemos Falando do Vosso amor Àqueles que vós amais. II Receberam-nos bem a todos abençoai Ao reino do céu um dia A todos encaminhai. |
Durante a festa
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CoroDivino Espírito Santo, Baixai sobre o vosso povo Como na sala do cenáculo Quando desceste em línguas de fogo. I O Divino Espírito Santo Vem entrando nesta Igreja, Neste dia de alegria Para nós, hoje, bendito seja. |
II O Divino Espírito Santo É o Espírito da verdade, É uma Pessoa Divina Da Santíssima Trindade. III O Divino Espírito Santo É o Espírito do amor, Na hora do sofrimento Aliviai a nossa dor. |
aróquiaNa Igreja Coro Oh! Vinde Espírito Oh! Deus de amor Ó Vinde com os Vossos dons Ó Vinde aos pobres, aos pequeninos Aos peregrinos corações Vinde, ò luz dos corações. I Aqui é a casa de Deus Morada do Redentor Vamos todos respeitosos A saudá-Lo com amor. II Desce à terra Luz bendita Deus feito em fogo sagrado Vem, abrasa e purifica Nossa alma do
pecado. |
de
Gaula III Ide para vossas casas Preparai vossa ofertinha O Divino Espírito Santo Já para lá se encaminha. IV Ides ter em vossa casa Uma maior alegria O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. VVinde Espírito Divino Fogo purificador Purifica a nossa alma Na frágua do Teu amor. |
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Nas casas |
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I O bom Jesus ressuscitado A esta família vem Com muitas graças e bênçãos E alegria também. Aleluia! Aleluia! IIDesce à terra Luz Bendita Vem o Teu povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem guiar. Aleluia! Aleluia! |
III À vossa casa chegou Que não vedes há tanto Vem fazer-vos uma visita, O Divino Espírito Santo. Aleluia!
Aleluia! Aos doentes Vinde Espírito Santo Divino consolador Curai todos os doentes Aliviai-lhes sua dor. |
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Ao Senhor Padre Vinde Espírito Santo Divino Consolador Abençoai neste dia O nosso Digno Pastor. Paróquia dos Entrada da Igreja Coro É o Espírito da Verdade Enviado pelo Pai No fogo da caridade Nossas almas abrasai (bis) I Dai-nos licença que entremos Deixai-nos abrir fileiras Vão passar sobre os presentes Estas benditas bandeira . (bis) II Senhoras que estais lá dentro Toda vestida de branco à espera duma visita Do Divino Espírito Santo. (bis) |
Em agradecimento I Agradece à vossa oferta O Divino Espírito Santo Se foi de boa vontade Deus vos depare outro tanto. II Até um copo de água Dado por amor de Deus Terá grande recompensa Lá no Reino dos Céus. Canhas e Carvalhal Saída da Igreja Coro É o Espírito da Verdade Enviado pelo Pai No fogo da caridade Nossas almas abrasai (bis) I Olhai senhores festeiros Olhai em que ides pegar Nessas insígnias benzidas Que o sacerdote vai dar. II Vem, vem , Espírito de amor Vem encher nossos corações Eu não vivo pecador sem os
vossos sete dons. |
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III Ao entrarmos neste templo Respeito o que é
necessário Recordemos Jesus Que está oculto
no sacrário.(bis) IV Luz celeste, luz celeste Que hoje desce ao altar Onde a pomba se reveste Para o povo
visitar. (bis) V Aqui é a casa de Deus A casa de oração Aonde estão os remédios Para a nossa
salvação. (bis) Entrada da noite Coro Espírito Divino Ó Deus verdadeiro Salvai Portugal e o mundo inteiro. I Já é tarde o sol não brilha Como antes pelo campo São horas de recolhermos O Divino Espírito Santo. II Ao entrarmos neste Templo Respeito o que é necessário Recordemos Jesus Que está oculto
no sacrário. |
III O Divino Espírito Santo Que sois cheio dalegria Vai tirar a sua esmola Prós pobres da freguesia. IV Ao sairmos deste templo Saímos com alegria O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. V Adeus senhores até à noite Que agora vamos pró campo Visitar os lavradores do Divino
Espírito Santo. VI O Divino Espírito Santo Sua Igreja vai deixar Vai pró sítio dos Salões O Seu povo visitar. Pelas casas À vossa porta parou Duas saloias de branco Recebei com alegria O Divino Espírito Santo. Ao sair das casas Ao sairmos desta casa Saímos com alegria O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. |
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III Aqui a casa de Deus É casa de oração Aonde estão os remédios Para a nossa salvação. Agradecimento aos donos É com grande alegria
De poder aqui estar O Divino Espírito Santo Abençoe este
lar. Agradecimento a um menino A esmola que a menina fez Foi feita com devoção O Divino Espírito Santo Fique em vosso coração. Oferta do estrangeiro Ó Divino Espírito Santo Ó meu Senhor verdadeiro Agradeço esta oferta Que veio do estrangeiro. Para uma rapariga Aceitada seja a esmola Que esta donzela nos faz Dai-lhe sorte e salvação Depara-lhe um bom rapaz. Para uma senhora A esmola que a senhora fez Foi à beira do caminho Quem lhe vai agradecer É o Espírito Divino. |
Agradecimento da esmola O Divino Espírito Santo Agradece com alegria A oferta desta senhora E que o seu amor Fique em vossa companhia. Para um bebé Ó Divino Espírito Santo Debaixo daquele véu Agradeço esta oferta Daquele anjinho do céu. Agradece ofertas de França Ó Divino Espírito Santo Senhor que dás esperança Agradeço esta oferta Dum emigrante da França. Para um rapaz Aceitada seja a esmola Se ela vem com alegria Dai-lhe sorte e salvação E uma boa rapariga. Para um casado O Divino Espírito Santo Na bandeira retratado Agradeço esta esmola Da mão dum senhor casado. Para uma senhora A esmola que a senhora fez Foi à beira da estrada Um dia na eternidade Será bem recompensada. |
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Para uma viúva Ó Divino Espírito Santo Que grande bondade é a Tua Agradeço esta oferta Duma senhora viúva. Outro agradecimento Agradeço aos senhores Só pela sua bondade Oxalá que um dia se veja Lá no céu da eternidade. Entrada ou saída da Igreja Coro Desce à terra luz bendita Vem nosso povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem guiar. Coro Divino Espírito Santo Baixai sobre o Vosso povo Como na sala do Cenáculo Desceste em línguas de fogo.
Hino Benditas sejam as três Pessoas Da Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo Que governam toda a humanidade Que vieste lá do céu à terra Vestido de esplendor e beleza É tão grande o amor pelos Homens Que a todos salvarás concerteza. |
Para pessoas doentes Pombinha que “avoais” Não “avoais” de repente Ide ao céu trazer saúde Pró pobre que está doente. A um velho A esmola que o velho fez Foi feita com alegria O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. Entrada ou saída da Igreja Coro Ensinai-nos as virtudes De que muito carecemos Por meio do Espírito Santo Essa graça alcançaremos. Coro Vinde Espírito Divino E lá dos céus derramai Raios de luz aos peregrinos Luz de amor de Filho e Pai. |
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Paróquia de
Saída da Igreja I Olhai senhores festeiros Olhai no que vão pegar O Divino Espírito Santo Que o sacerdote vai dar. II Ó Divino Espírito Santo Enviado pelo Pai No fogo da Caridade Nossas almas abrasai. III O Divino Espírito Santo Vai visitar os casais Vai-lhes levar alegria, Alegria, saúde e paz. Pelas casas I Este senhor é tão rico Pode dar a quem não tem, Feliz será neste mundo E na glória Eterna também II O Divino Espírito Santo É o Deus do céu verdadeiro Abençoai esta casa E dai a paz ao mundo inteiro. III Esta casa tem tristeza Alegria trago eu As portas do céu se abram Para entrar quem
já morreu. |
Santo António IV Agradeço a vossa oferta, Com prazer e alegria, O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. V O Divino Espírito Santo É o nosso Consolador Consolai as nossas almas Quando deste mundo forem Entrada na Igreja Coro Desce à terra Luz Bendita Vem o Teu povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem guiar. I Dai-nos licença que entremos Senhora da Conceição O Divino Espírito Santo Vem em nosso coração. II Senhora que estais lá dentro Vestida de azul e branco À espera duma visita Do Divino Espírito Santo. III Maria, Mãe de Jesus Senhora que és Nossa Mãe Convertei os pecadores Levai-os para o céu também |
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Paróquia de I Ó Divino Espírito Santo Vem visitar os casais Vem-lhes trazer alegria Amor, saúde e paz. II Desce à terra Luz Bendita Vem o Teu povo animar As nossas almas visita Nossos passos vem
guiar. Paróquia da I Olhai, senhores festeiros, Olhai o que ides levar: O Divino Espírito Santo Que o sacerdote
vai dar. III Deus vos salve, Casa Santa, Do Senhor habitação Onde está o remédio Para a nossa salvação. |
Fátima III Ó Divino Espírito Santo Ó Deus do céu verdadeiro Abençoai esta casa E dai a paz ao mundo inteiro. Serra de Água II Deus vos salve, Casa Santa, Por Deus foste ordenada Onde está o Deus do Céu Numa hóstia consagrada. IV Aqui é a Casa de Deus Morada do Redentor, Entremos, pois, respeitosos A saudá-Lo com
amor. |
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V Vinde , Espírito Divino, Às nossas almas dar luz Para que triunfemos Lá na Pátria com Jesus. VII Agradeço a sua oferta Que fizestes neste dia. O Divino Espírito Santo Fique em vossa companhia. IX Espírito Santo que voais Pelo campo das flores Abençoai a verdura Pra valer aos
pecadores. XI Ensinai-nos as virtudes De que muito carecemos, Pois só por via delas Vosso bem alcançaremos. XIII Desce à terra, luz bendita, Vem o teu povo animar. As nossas almas visita, Nossos passos vem guiar. XV O Divino Espírito Santo É um Mestre verdadeiro! Vinde-nos guiar para o bem E dar a paz ao mundo inteiro. XVII O Espírito Santo pede Pelas portas como um frade Que lhe faça a sua oferta Por obra da caridade. |
VI O Espírito Santo é rico Pode dar a quem não tem. É rico no Paraíso E neste mundo também. VIII Agradeço a sua oferta Da sua oferta o favor; Quem vos há-de dar o pago É Deus do Céu Nosso Senhor. X O Divino Espírito Santo Dos altos céus vem voando Vem acudir aos pobres Quando no mundo
penando. XII Alegrai-vos, pecadores, Recebei com amor santo A visita neste dia Do Divino Espírito Santo. XIV Pomba pura, imaculada, Sem mancha nenhuma ter Pousai em nossas cabeças Nossas almas vinde ver. XVI Ó Divino Espírito Santo Nosso Mestre, nosso amor! Abençoai a todo o povo E também ao nosso Pastor XVIII Fonte viva, unção sagrada, Promessas boas do Pai: Em vosso divino incêndio Nossas almas abrasai. |
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XIX Agradeço a sua oferta Que fizestes neste dia O divino Espírito Santo A recompensa vos “deia”. XXI Vamos embora que é tarde Que o sol não dá no campo São horas de recolher O Divino Espírito Santo. XXIII Das almas que vos imploram Escutai as orações. Aos fiéis que Vos adoram Dai os Vossos sete dons. XXV Vinde, Pai dos pobrezinhos, Distribuir os vossos dons: Aos grandes aos pequeninos, Vinde, ó luz dos corações. Paróquia do Dentro da Igreja I Desce à terra Luz Bendita Vinde o povo animar Nossas almas são visitas Nossos passos vão guiar. III Divino Espírito Santo Já vem chegando ao pegão Com Sua Divina Graça Pra abençoar os cristãos V Retirai-vos do caminho Filhos da Virgem Maria Deixai passar o Império Que hoje é o primeiro dia Entrada nas casas I Dai-nos licença que eu entre A vossa porta pra dentro Divino Espírito Santo vem trazer o Sacramento. Na casa do Sr. padre I Deitai, saloias, deitai Rosas ao Imperador Os anjinhos no céu deitam Rosas ao Nosso Senhor. |
XX Divino Espírito Santo, Divino Consolador! Aceitada, seja a oferta Das mãos daquele senhor. XXII Deus vos dê cento por um A vida que vós levais. O Divino Espírito Santo Vos queira dar muito mais. XXIV Ó Divino Espírito Santo, Divino Consolador, Consolai as nossas almas Quando deste mundo forem. XXVI Dos pobres, amante Pai, De graças, dispensador. Jorra a luz aos corações. Vinde a nós, ó santo Amor. Curral das Freiras Dentro da Igreja II Divino Espírito Santo Já vem chegando ao cruzeiro Com Sua Divina Graça Meu celeste companheiro. IV Divino Espírito Santo Já vem chegando à pia Todo o povo já beijou Eu também beijar-vos queria Saída das casas I Dai-nos licença que eu saia A vossa porta para fora Divino Espírito Santo Recompense a sua esmola. II Fiquem bem na paz de Deus Também na paz de Maria Divino Espírito Santo Fique em vossa
companhia. Nas casas de luto IEsta casa tem tristeza Alegria trago eu As portas do céu abertas Pra pessoa que morreu. |
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De regresso à Igreja I Ai Jesus que já é tarde O sol não dá no campo São horas de recolher O Divino Espírito Santo. II Ai Jesus que já é tarde O sol não dá nas campinas São horas de recolher As três Pessoas Divinas. |
A chegada à Igreja I Virgem pura está lá dentro Vestida de azul e branco À espera de recolher O Divino Espírito Santo. Na casa dos festeiros I Deitai, saloias, deitai Deitai flores no terreiro Divino Espírito Santo Já está em casa dos festeiros. |
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Paróquia de Ó Divino Espírito Santo Divino consolador Consolai as nossas almas Quando deste
mundo for. O Divino Espírito Santo A todos leva alegria Vai fazer uma visita Ao povo da freguesia Aqui chega uma visita Que já não chegou há tanto Recebam com alegria O Divino Espírito Santo. Agradeço a vossa oferta Vossa oferta é um favor Quem vos há-de agradecer É Jesus Nosso Senhor. Vamos embora para a Igreja Que o sol já não está no campo São horas de recolher O Divino Espírito Santo. Paróquia de São Entrada da Igreja Refrão Divino Espírito Santo Tende de nós piedade Fazei-nos todos entrar Um dia na eternidade.IVem, Ó Espírito Santo Com os vossos sete dons Iluminar nossas almas Aquecer os corações. IIDivina fonte do bem Divina fonte de luz És no trabalho descanso Caminho que nos conduz. |
São Vicente Senhora que estás dentro Vestida de azul e branco Está à espera de uma visita Do Divino Espírito Santo. Ó Pombinha que voais Vai e voa de repente Vai ao Céu e trás saúde Para dar a este doente Ó Bom Deus Ressuscitado Abençoa esta família Muitas graças distribua Abundantes neste dia. Desce à terra Luz bendita E vem ao teu povo animar As nossas almas visita E nossos passos vem guiar. Deitai, Saloias, deitai, Rosas ao nosso Pastor Também os anjos deitavam No céu a Nosso Senhor. Roque do Faial Saída da Igreja Refrão O Divino Espírito Santo A todos traz alegria Por isso visita hoje Filhos desta freguesia. IAdeus, senhores, até logo Que nós vamos caminhar E só na parte da tarde É que nós vamos voltar. IIAdeus, senhores, até logo, Que agora vamos pro campo Visitar os lavradores Com o Divino Espírito Santo |
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Entrada nas casas Oh bons donos desta casa O Divino vem chegando Se dão licença de entrar Nós estamos perguntando E para vossa alegria Saloias vêm cantando. O Divino Espírito Santo A todos trás alegria Por isso visita hoje Filhos desta freguesia. |
Saída das casas Agradeço a vossa oferta Com prazer e alegria O Divino Espírito Santo Fique em vossa
companhia. |
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Refrão
O Espírito da verdade,
No
fulgor da caridade,
Nossas almas abrasai. (bis)
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Espírito Santo que voais, Pelos campos das flores, Abençoai a verdura P’ra valer aos pecadores (bis) |
Ensinai-nos as virtudes, De que muito carecemos, Pois que só por via dela, Nosso bem alcançaremos (bis) |
Pomba pura imaculada, Sem mancha nenhuma ter, Poisai em nossas cabeças, Nossas almas vinde ver (bis) |

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Olhai senhores festeiros, Olhai o que vão levar, O Divino Espírito Santo, Que o sacerdote vai dar. |
Refrão
Ó
Divino Espírito Santo,
Baixai sobre o Vosso povo Como
na sala do cenáculo, Que
descestes em língua de fogo. |
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Deus
vos salve casa santa, Por
Deus fostes ordenados, Onde
está o Deus do Céu, Numa
hóstia consagrada. |
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Deus vos salve casa santa, Do Senhor habitação, Onde está o remédio Para nossa salvação. |

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Aqui é a casa de Deus, Morada do Redentor, Entremos pois respeitosos, A saudá-Lo com amor. |
Refrão Descei à terra Luz Bendita, Vem ao Teu povo animar, Nossos passos vem guiar. |
Vinde Espírito Divino Às
nossas almas dar luz,
Para que triunfemos Lá
na pátria com Jesus. |
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O
Espírito Santo é rico, Pode
dar a quem não tem, É rico
no paraíso, E
neste mundo também. |
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Agradeço a sua oferta, Que fizestes neste dia, O Divino Espírito Santo, Fica em vossa companhia. |

DOCUMENTOS
S.D[1].:
Breve e verdadeira
demonstração dos princípios e progressos do Governo que João António de Sá Pereira fez na Ilha da Madeira.
AHU, Madeira e Porto Santo, caixa, 17, nº. 4846
O Senhor Rei D. José
Primeiro que Deus tem em glória, sabendo com desgosto a inquietação a desordem
que se havia perpetuado na Ilha da Madeira, na qual não só os Naturais sofriam
os efeitos da Liberdade, a malevolência de uns contra os outros, mas ainda o
Prelado Diocesano, os Ministros de S: Majestade ate o mesmo Governador eram
precisados a figurar activa ou passivamente naquela desordem Sabendo igualmente
que a boa inteligência a zelo do honrado Governador, que então governava
naquela Ilha se achava ineficaz pela sua avançada, enferma a decrépita idade
contra as forças que tinham adquirido os Naturais para lhes fazer outro
benefício mais do que lamentar em tais circunstâncias a ruins, em que via
aquela boa paste dos Domínios de S. Majestade: Mas conhecendo o mesmo Senhor
perfeitamente a actividade militar a prudência económica, o Zelo de João
António de Sá Pereira, não só por experiência própria mas também pelos
créditos, que dele davam os seus Generais pelo pronto cumprimento das mais
importantes diligências de que o encarregavam a pelas úteis a felizes providências
que deu per si em benefício dos Povos do Alto-Douro no tempo da campanha, o faz
passar do Posto de Coronel, que exercitava na Praça de Chaves para Governador e
Capitão General da dita Ilha; prevenindo-o das mais significantes
recomendações, para que averiguando a raiz daquela desordem procurasse
restabelecer a necessária sociedade civil, e a boa harmonia, que faz a estabilidade,
e a felicidade de qualquer País; e para que ao mesmo tempo promovesse a
Polícia, a Agricultura e o Comércio, como bases fundamentais de todo o bom
governo.
A primeira das ditas recomendações era
expressa no do seu Regimento nos termos seguintes: Que devia examinar primeiro
que tudo o carácter comum dos Povos, que ia governar, para que as suas
disposições se confrontassem com as proporções cios governados: E por isso logo
em tempo oportuno, depois de chegar á dita Ilha, cuidou em espreitar as ideias
comuns dos seus habitantes, e as particulares dos que faziam mais figura na
desordem; e achou por uma parte, que pelo fundamento de uma educação preocupada
de originais abusos, e de uma total ignorância dos principais deveres
políticos, e cristãos; e pela outra parte, que pela mutua e quotidiana
comunicação com os Ingleses, cujas máximas de liberdade Nacional
insensivelmente arremedavam, ignorando o seu sistema, e igualmente o diferente
espirito das Leis deste Reino, vinha tudo isto a produzir um Monstro informe de
prepotência, e liberdade arbitrária, e sem sistema, a qual era mais visível, e
mais perigosa na Nobreza animada da sua riqueza, e da sua vaidade.
Parece escusado individuar quais eram os frutos destas preocupações tão
monstruosas, como lastimáveis; quais as opressões, que nuns faziam aos outros
sem temor das Leis de Deus, e do Rei; e qual a aflição e angustia de quem era
obrigado a governá-los, como Deus, e o Rei queriam: Basta só saber, que a
intriga, a murmuração, o ódio a divisão, a prepotência e até o mesmo homicídio
passavam por actos indiferentes e já como insensíveis no seu erro, e
ignorância; pois chegava a ser comum entre eles: Que ali ninguém morria ou era
castigado, por que matasse ou revoltasse.
[...]
Não havia além disso naquela Ilha caminhos
alguns por onde sem um evidente perigo de vida, se podesse passar de umas para
outras Freguesias, e ainda sair da Cidade mais de meia légua
para o que concorria a quase inacessível fragozidade de montes, e vales em
que consiste a sua superfície: Não haviam as pontes necessárias para a passagem
além das muitas ribeiras caudalosas, que principalmente no inverno fazem
horror, por entre os referidos montes: Finalmente era quase impossível a
comunicação da Capital com às Vilas e Lugares de toda a Ilha que não fosse
unicamente pelo mar, que no inverno é bravíssimo: Mas o zelo, o desvelo, o
cuidado do dito Governador em persuadir pios Povos esta grande importância, e
procurar todos os meios, cálculos, e arbítrios para tão útil, e necessário
objecto, fez que sem violência, antes com satisfação se comunicassem as
Freguesias do Norte com as do Sul, onde está a Capital da Ilha, e umas com
outras Vilas, e Freguesias por estradas, e pontes que fez construir quanto era
possível.
O certo é que o remédio oportuno a estas e outras semelhantes negligencias
daqueles Naturais estava reservado para o incessante zelo do dito Governador
assim como para ele estava reservado o desabusar os ditos Povos até de
preocupações as mais selvagens, que se podem sonhar em Terra de Cristãos, a que
o Bispo não podia acudir por falta de precisa coacção.
Seja um abuso por exemplo o que praticavam nos vodos do Espirito Santo, como
chamavam, pela Festa de Pentecostes com os seus chamados Imperios, que em cada rua
da Cidade se ostentavam: A piedosa consideração da Ordem. do Livro 5 ° N.° 5,
tinha permitido os ditos vodos certamente com o único motivo, como é a todas as
mais puras luzes manifesto, de que neles se praticava a simples, e santa
caridade dos fieis para com o próximo mais necessitado; mas porém as chamadas
esmolas, que se extorquiam por sortes de grande valor; os sumptuosos Teatros
públicos, que se erigiam ; as competências de luxo neles; as guias; as
ebriedades; e as demasias, que até á noite do dia do Espirito Santo se cometiam,
e até,a concorrência de ambos os sexos, que em noites sucessivas vinham por
entre sombras, e com muitas ofensas de Deus aplaudir a iluminação, e as
orquestras de Musica naqueles Teatros da, vaidade; tudo isto foi regulado com,
a proibição das lucrosas, e violentas sortes aceitando só as esmolas que os
fieis quisessem dar por caridade, e com a única permissão das solenidades das
Igrejas, e dos Teatros símplices, e decentes, em que os daquele dia não
passassem de sopas, vaca, e arroz, e pão, e vinho, cai beneficio dos pobres que
concorressem; aplicando-se o restante, se o houvesse, para esmolas particulares
de pessoas recolhidas, e necessitadas.
[...]
1768.
ARM, CMF, Livro das Correições, nº168, fols. 68vº-69
Por ser informado que nos
chamados imperios que se fazem nesta cidade, e em quaze todas as freguesias
desta ilha, acontesem disturbios, e demazias de que rezultam escandalos publicos,
e prejuizos consideraveis à saude dos pobres e à consciencia das pessoas que
administram as esmollas, que os devotos voluntariamente dam para serem
destribuidas pello imperadore mais irmaons na festa de Pentecoste; e suposto
que estos vodos de comer e beber sam permitidos pella saudavel ley do Reyno hé
alheio do espirito da mesma os effeitos perjudiciaes quecausam os bem sabidos e
notorios excessos; e para evitar estes damnos na certa concideração que o fundo
dos bens administrado, nasce das esmollas voluntarias.
Ordenou que nos chamados
imperios houvese a festividade do culto divino com aquella devida reverencia, e
submição devida ao divino Espirito Santo, e que as oblaçoens e esmollas que dam
os devotos, e arecadão os administradores que sam tirada, digo que sam feitas
ao arbitrio do imperador, e mais offeciaes não possam ser de outra qualidade
mais do que vacca, pão, arros, e vinho quando prohibido outro algum genero de
oblação, que se costuma praticar nesta ilha e porque sea //de galinhas,
capoens, frangos, patos, dosse, manteigarama e prezuntos e outras das que ficão permitidas por este
capitulo,deram reduzidas a dinheiro, pondoseem leilão publicoas ditas oblaçoens
e o seuproducto poderão aplicar em
esmolas, dinheiro ou vestuario para vestir os pobres de huum e outro sexo,
segundolhe dictar a sua piedade, e lhe fica tão bem prohuibido todo o fausto
profano, e iluminação que costumão fazer nesta festividade excepto as que
pertensem ao culto divino
1892. Março.28:
Pastoral de D. Manuel Agostinho Barreto
BARRETO, Manuel Agostinho, Pastoral, s.n., 1892
D. Manuel
Agostinho Barreto, por mercê de Deus e da Sancta Sé Apostolica, Bispo do
Funchal, ilha da Madeira, Prelado domestico de Sua Santidade, do Conselho
d’El-Rei, &ª.
A
nossos estimados Cooperadores a paz de Jesus Christo.
Tendo-nos
informado alguns reverendos parochos de nossa diocese que em suas freguezias se
commettem abusos por occasião dos peditorios e festas do Espirito Santo havendo ainda a circumstancia aggravante da
falta de uniformidade nos costumes a tal respeito seguidos, dando tudo isto em
resultado prejuizo á religião e difficuldades aos mesmos parochos, determinamos
estabelecer o seguinte:
1º
Os peditorios para a festa do Espirito Santo, como para outra qualquer, só
podem ser feitos na respectiva parochia, salvo especial licença nossa e da
competente auctoridade civil, como desde muito está estabelecido.
2º
Quer nas quatro domingas depois da paschoa, quer em outra epocha do anno que se
façam taes peditorios, não podem ser levadas imagens, a não ser o pendão do
Espirito Santo, cessando por tanto o costume de levar-se corôa e seeptro.
3º
Se os esmoleres quizerem ser acompanhados por musicos e cantores, serão estes
previamente examinados pelo seu parocho, para evitar-se profanos e trovas
populares inconvenientes ou deshonestas.
4º Se a estes, ou mesmo aos
esmoleres, se houver de dar alguma remuneração, sahirá esta do bolso do
festeiro e nunca das esmolas colhidas, que se devem applicar exlusivamente aos
pobres e á solemnidade religiosa.
5º
O reverendo parocho fiscalisará sempre as esmolas para dirigir sua applicação e
evitar-se assim o desvio para banquetes ou interesse particular, pois que tudo
isto constitue um roubo feito a Deus e aos pobres.
6º
E para melhor superintender em tudo, muito convirá que o respectivo parocho ou
seu coadjuctor, se o tiver, ou ainda um qualquer clerigo acompanhe os
esmoleres; convindo tambem munir-se de livro proprio onde se lance a receita e
despeza á semelhança do que se faz com a Fabrica. Em tudo isto haverá uma garantia de moralidade, justiça e
decencia que nem sempre se tem guardado.
7º
A escola ou nomeação do festeiro ou imperador será sempre presidida e approvada
pelo respectivo parocho, desterrando-se de vez a escolha de pessoa falta de
probidade e religião.
8º
Se da parte dos freguezes ou dos festeiros se manifestar resistência a estas
determinações, nos darão noticia os reverendos parochos, para se proceder como
melhor fôr, quer prohibindo a festa, quer recorrendo á auctoridade civil para
ser mantida a ordem e disciplina necessarias(...)
(...)
Dada na residencia da Penha
de França aos 28 dias de Março de 1892, sob nosso signal e sello.
1900. ABRIL.24: Pastoral de D. Manuel Agostinho Barreto
BARRETO, Manuel Agostinho, Pastoral, s.n., 1900
D. Manuel Agostinho Barreto, por mercê de Deus e da Santa Sé apostolica, Bispo do Funchal (archipelago da Madeira e Porto Santo), Prelado da casa do Summo Pontifice, do Conselho de Sua Magestade Fidelissima, &. &.
(...) Frequentes são as solemnidades
religiosas celebradas entre nós no decurso de cada anno, agora especialmente
n’esta quadra da primavera e do estio: as do Divino Espirito Santo e do Santissimo Corpo de Christo, precedidas das
que consagramos à Mãe de Deus.
Acaso
poderá ficar tranquilla e satisfeita a consciencia dos fieis, sobre tudo dos
que tomam parte directa e activa n’essas festividades, se não se aproximam do
confessionario e da meza santa? Se tal succede, devemos confessar que está ahi
um triste documento de falsa piedade e de ignorancia do genuino Christão! Quem
se atreve a suppor que a Divindade possa comprazer-se n’estas ruidosas manifestações
exteriores, mais profanas que sagradas, nas quaes o coração toma parte minima,
quasi por completo alheio ao verdadeiro sentimento sobrenatural? Erro
deploravel, que já foi severamente reprehendido pelo Senhor n’aquellas palavras
fulminantes dirigidas ao povo d’Israel: Populus isle labiis suis honorat me; cor autem corum longe est a
me.
É
mesmo licito duvidar que taes festeiros cheguem a implorar o Senhor com uma
prece, e tantas vezes o deshonram com reprehensiveis excessos.
Hão
de fazer-se as novenas do Esirito Santo na semana anterior à sua festa, como
desde há annos está determinado tambem pelo Papa. Pois não será opportuno
ensejo de se aproximarem dos sacramentos, aquelles, ao menos, que se occupam
dos necessarios preparativos da festa?
Vem
pouco depois a solemne commeroração do augustissimo mysterio do Corpus
Christi. Impossivel será offerecer ao mesmo amoroso Jesus mais vehemente e
sincera prova de amor e fé do que unir-se a Elle n’esse adoravel sacramento.
Mas
quem sabe se alguns d’estes ainda nem ao menos terão dado obediencia à Santa
Egreja, no cumprimento do preceito quaresmal
Attendam
seriamente a isto os nossos zelosos Cooperadores. É forçoso afugentar dos actos
solemnes da nossa Religião os indignos, quaes são os que levam vida escandalosa
e deshonesta, ou mostram nenhuma fé nos sacramentos, dos quaes vivem afastados.
Outrosim
chamamos vossa attenção para os abusos, predominantes n’algumas parochias, de
se reuniram os confrades ou irmãos nas dependencias da egreja para ahi comerem e
beberem, antes ou depois da festa. E’ um feio e lastimoso abuso que tem lançado
raizes, mas que é de toda a necessidade estirpar de vez, pois que, além da
indecencia, dá logar a vergonhosas consequencias. Relembrem nossas
admoestações, exaradas na Pastoral da ultima quaresma, sobre a intemperança,
particularmente de bebidas alcoolicas; vicio medonho que está fazendo avultado
numero de victimas no presente, com espantoso alastramento, no futuro, visto
que se transmitte fatalmente ás novas gerações.
A
avidez do torpe lucro leva muitos a estabelecerem vendas de bebidas
espirituosas nas immediações da egreja. Há taes exploradores que levam a sua
audacia ao ponto de se installarem no proprio adro. Necessario é afugentar do
templo esses vendilhões, recorrendo, se tanto fôr preciso, á competente
auctoridade policial, pois que assim o exige o respeito que é devido á Religião
e aos actos do culto.
O
largo dispendio que se faz em ornatos e manifestações, quasi de todo profanas,
bem podia reverter em auxilio dos indigentes e enfermos da parochia, como
tantas vezes temos ponderado. Que bella obra de caridade se faria matando a
fome, cobrindo a nudez e dando remedios aos miseros que de tudo isto carecem
por falta de recursos! E deveram, nos espiritos christãos, estar gravadas em
caracteres brilhantes aquellas palavras do Evangelho que o supremo Juiz há de
proferir no dia tremendo do ultimo juizo: Afastae-vos de mim, malditos; pois
tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, estava
nu e não me cobristes, enfermo e não me visitastes.
E’
devéras lamentavel que nos bellos dias de festa, quando todos os moradores da
freguezia trasbordam de prazer, estejam a essa mesma hora alguns luctando com a
penuria, a doença e o abandono, pois que era tão facil cercear uma parte modica
do grande dispendio em fogos, illuminações e musicas, comidas e bebidas em
excesso, para acudir aos necessitados.
Vejam
os reverendos Parochos se tornam estas verdades bem frizantes, de modo a levar
alguma luz aos espiritos obcecados de seus parochianos
N’este
momento se trata de crear uma obra modesta de caridade, muitissimo necessaria
n’esta terra: um hospicio para albergar os desventurados que cahiram nas trevas
medonhas da loucura. Se há doença que nos cause profunda lastima e pungente
compaixão é esta da perda do juizo. Apagando-se no homem a luz da razão, perdeu
elle a similhança com Deus, deixando de ser a sua imagem, para ficar rebaixado
a uma esphera inferior á dos irracionaes.
E’
impossivel contemplar com indifferença este doloroso quadro, um dos mais
lancinantes para o coraçãp humano.
E
parece que o mal vae alastrando cada vez mais, impondo-se por isso mesmo o
impreterivel dever de acudirmos a uma obra tão necessaria e meritoria. Podem e
devem abrir-se todos os corações á compaixão, para assim se envidarem os
convenientes esforços para tal realisação, A’s quantias avultadas dos
favorecidos da fortuna (e devemos confessar que se tem aberto em generosas
dadivas muitas pessoas) importa unir-se o diminuto obolo dos que menos possuem;
sendo certo que o Senhor dá a recompensa na medida da boa vontade e do
sacrificio.
Conviria
muito que todos os festeiros, já n’este anno, pozessem de parte alguma quantia
para acudir a esta obra sublime de caridade. Umas luzes de menos na egreja e no
adro , uns sons menos estridulos de granadas e de instrumentos musicos, nada ou
pouco tirariam ao brilho da festa, e poderiam ser fonte de luz e doce harmonia
d’alguma para os desventurados recolhidos no projectado manicomio, tão
necessario como urgente. E sem duvida esse procedimento dos festeiros attrahirá
as bençãos do ceo, contribuindo para alliviar as dores da terra.
Queiram
os nossos estimados Cooperadores envidar todos os louvaveis esforços para se
obter algum resultado faboravel e honroso.
Na
Camara Ecclesiastica, ou pela benemerita commissão, constituida para tal fim,
se receberão todos os donativos.
Permitta
Deus dar força às nossas palavras, favorecer os nosso desejos e abençoar todo o
nosso rebanho.
Funchal,
24 de Abril de 1900.