Nota prévia

Optámos como tema de dissertação de mestrado pela História do Convento da Encarnação do Funchal, uma instituição respeitada na vida da Madeira, tendo sobretudo em consideração o poucorecia de peixe pelo que optou pela Ordem de Santa Clara.A resposta de Sua Magestade, de 1659, foi favorável à petição de criação do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal, atendendo a que a Madeira já tinha uma cidade e cinco vilas e só um mosteiro de Santa Clara, e às louváveis intenções do fundador de custear a fundação do convento para agradecer a Deus a aclamação de D. João IV,"se despuzeram com a ocaziaõ da aclamaçaõ de el Rey meu Sr. e Pay que Santa Gloria aja, a fazer em acçaõ de graçedida em que, além das fontes mais conhecidas do Arquivo Regional da Madeira, tivemos a generosa aquiescência do Senhor Padre Dr. Orlando Morna à consulta do valioso Arquivo da Diocese do Funchal. Mas foi no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que guarda um rico espólio documental sobre o tema, que o nosso trabalho se ergueu. Grande parte destes documentos foram microfilmados graças à colaboração do Centro de Estudos de História do Atlântico, dirigido pelo Doutor Alberto Vieira, que gentilmente disponibilizou as necessárias verbas para a microfilmagem. Também o Arquivo Histórico Ultramarino guarda sobre o tema alguns documentos respeitantes à segunda metade de setecentos e que tivemos o ensejo de examinar.

O Convento da Encarnação do Funchal, fundado em 1660, depois de ter sido recolhimento desde 1645, foi extinto em 1890, com a morte da última religiosa que nele professou. No presente estudo dedicamo-nos ao período que vai desde a sua fundação até finais do terceiro quartel de setecentos. Não foi a ambição que nos obrigou ao estudo de uma época tão longa, antes a descontinuidade do respectivo núcleo documental. No caso dos livros de receita e despesa, deparamo-nos com critérios diferentes de registo consoante a apetência da abadessa ou das escrivãs do convento. Inicialmente o triénio começava em Setembro e após 1725 principiou em Janeiro. Também nos livros das primeiras décadas as informações são semanais, depois mensais. Épocas houve que trabalhavam simultaneamente os produtos adquiridos com arráteis e libras e por vezes não se mencionavam as quantidades.

Do imóvel aonde se estabeleceu a sede do mosteiro, sito na freguesia de Santa Luzia e demolido em 1906, resta a capela de Nossa Senhora da Encarnação que constituiu a igreja do convento. Nesse espaço localiza-se hoje a Escola Preparatória Bartolomeu Perestrelo. O topónimo Calçada da Encarnação, já em uso no século XVII ainda se mantém, o que significa que a recordação do convento não se esvaiu na lembrança dos madeirenses.

Este moroso trabalho é fruto de acumulação de informações indirectas e, em muitos casos, dispersas da vida da Madeira e Porto Santo.Com esse somatório de documentação de fontes coevas tentámos eleborar uma larga síntese do tema. Este aspecto foi tentado na esperança que a presente dissertação sirva de apoio a estudos monográficos da história local e regional e sua integração em contextos mais vastos, como os da história europeia e mundial.

A documentação recolhida permite esperar que este volume, abrangendo os anos 1660 a 1777, venha um dia a ser completada com a história posterior do Convento da Encarnação. Pensamos sobretudo que tal aspiração se concretize quanto ao período que decorre entre 1777 até aos finais do século XIX, graças a um conjunto de fontes do maior valor histórico que se impõe explorar.

Queremos testemunhar o nosso reconhecimento aos nossos mestres nos cursos de mestrado, Senhores Professor Doutor José V. Pina Martins, Professora Doutora Maria do Rosário Temudo Barata e Professora Doutora Maria Benedita Araújo.Também queremos agradecer ao Senhor Professor Doutor António Marques de Almeida a maneira aberta e franca com que sempre nos acolheu.

Um obrigada muito especial ao Senhor Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão que, atendendo à nossa condição insular, correspondeu a este incessante esforço e sempre nos ajudou com muita disponibilidade e a sua vasta experiência, e sob cuja orientação organizámos este trabalho.

E, para finalizar, uma palavra de agradecimento à minha irmã Helena, à colega Dina e à amiga Odília, pois as suas colaborações foram assaz importantes para ultrapassar os inúmeros problemas que tivemos de enfrentar para vencer a aventura que foi o período destes últimos três anos.

Funchal, 20 de Setembro de 1994