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"(...)a história
é uma interrogação sempre em
mudança sobre o passado,
porquanto tem de se
adaptar às necessidades do presente. A
história
oferece-se como um meio de conhecimento do
homem e não
como um fim em si."
F. Braudel, La Mediterranée et le
monde Méditerranien
à l'epoque de Philippe II, Paris,
1949
"Produire le discours historique c'est, j'en suis persuadé
George Duby e Guy Carduau, Dialogue, Paris, 1980
A História das ilhas atlânticas tem merecido, na presente
centúria, um tratamento preferencial no âmbito da História do
Atlântico. Primeiro foram os investigadores europeus como F. Braudel (1949),
Pierre Chaunu (1955-1960), Frédéric Mauro (1960) e Charles Verlinden
(1960) a destacar a importância do espaço insular no contexto da
expansão europeia. E só depois surgiu a historiografia nacional a
corroborar a ideia e a equacioná-la nas dinâmicas da expansão
insular. Neste caso são pioneiros os trabalhos de Francisco Morales Padron
(1955) e Vitorino de Magalhães Godinho (1963). Tal ambiência
condicionou os rumos da historiografia insular nas últimas décadas e
contribuíu para a necessária abertura às novas teorias e
orientações do conhecimento histórico. Neste contexto as
décadas de setenta e oitenta demarcam-se como momentos importantes no progresso
da investigação e saber históricos, contribuindo para tal a
definição de estruturas institucionais e de iniciativas afins. Por isso
neste final do século importa fazer o ponto de situações da
realidade historiográfica insular no sentido de equacionar o progresso futuro e
a sua adequação às novas realidades e desejos do findar deste
século. Aqui apresentamos o nosso parco contributo, rastreando esta
realidade através da Historiografia, arquivos, revistas e colóquios da
especialidade. Também este crescente interesse pela História Insular
levou-nos a compilar um conjunto de informações indispensáveis
para todos os que se dedicam ao seu estudo ou pretendem tomar conhecimento do que tem
sido feito.
HISTORIOGRAFIA. A historiografia insulana
permeável às suas origens europeias surge na alvorada da
revolução do conhecimento cosmológico como a expressão
pioneira desta novidade e, ao mesmo tempo, como uma necessidade institucional de
justificação da intervenção e soberania peninsular. Deste
modo o período que medeia os séculos XV e XVI é marcado por uma
produção historiográfica mais europeia que local, próxima
da crónica e da literatura de viagens, onde esses ideais se expraiam. Os factos
históricos e as impressões das viagens atlânticas, perpetuados nas
crónicas e relatos de diversa índole terão uma
utilização posterior de acordo com as exigências da época.
A prosa histórica é impregnada do ideal romântico servindo-se de
perspectivas e formas positivistas de justificação e
fundamentação de certos meteoritos políticos que a sociedade
insular contemporânea é portadora. No culminar deste processo as
exigências académicas, com a expansão do saber
universitário, as solicitações do novo conhecimento
histórico condicionaram tal avanço qualitativo da historiografia, a
partir da década de quarenta. Assim, nas Canárias a
tradição e vivência universitária propiciaram o forte
arranque, enquanto nos Açores o academismo cultural e, depois, a universidade
lançaram este arquipélago para uma posição similar. A
Madeira, prenhe em documentos manteve-se numa posição
secundária, mercê da falta de suporte institucional e académico.
Todavia, as condições emanentes da dinâmica autonómica com
o aparecimento de suportes institucionais definiram um futuro promissor. A
Historiografia insulana desenvolve-se por três épocas distintas, marcadas
por um modo diferente de equacionar e relatar o facto histórico: nos
séculos XV e XVIII, em que o discurso se formaliza na crónica; o
século XIX e primeiras décadas do seguinte, marcado pela vaga
romântica; por fim, o defrontar de uma nova era, a partir da década de
quarenta do nosso século, que condicionou a política arquivística
e a investigação universitária. O primeiro momento é
definido por uma situação ímpar no equacionar da realidade
histórica insular, pela primeira vez alguém ousou encarar estas ilhas do
Atlântico Oriental (Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde) como
uma unidade indelével e afim, marcada por momentos de grande importância
para o devir histórico do Atlântico nos séculos XV e XVI. Note-se
que, só a partir de meados do nosso século, a Historigrafia europeia se
deu conta dessa realidade, merecendo assim o trabalho de Gaspar Frutuoso - Saudades
da Terra - uma posição de relevo no panorama historiográfico
insular. A este texto juntam-se outros de carácter restrito em que o seu autor
relata de uma forma cronista os acontecimentos que presenciou ou que teve conhecimento
por intermédio de outros testemunhos. Tais testemunhos não são
mais do que uma visão impressionista das primeiras abordagens ou de
deslumbramento em face das novas realidades que emergem neste espaço. No
primeiro caso, na Madeira, Francisco Alcoforado (1427?), Jerónimo Dias Leite
(1574), para os Açores, Frei Diogo Chagas, Frei Agostinho de Montalverne e o
Padre Manuel Maldonado, enquanto nas Canárias surgem Le Canarien, Frei
Alonso de Espinosa e Frei Juan de Abreu y Galindo, ao segundo podemos apontar os
textos de Cadamosto, Giulio Landi (1530), T. Nichols (1552-1561), Pompeo Arditi
(1567), L. Torriani (1580). De um modo geral, esta produção
historiográfica está marcada pela forte presença do clero regular
e secular, pois estes eram os homens das letras da época. Com o segundo momento
é marcante a laicização do saber histórico com o
aparecimento de destacadas figuras empenhadas no conhecimento e
divulgação do saber histórico, muitas vezes, com objectivos
pragmáticos. Estamos perante a afirmação do positivismo
histórico que condicionou esse desmesurado apelo ao documento. Aqui são
de particular importância as iniciativas de Álvaro Rodrigues de Azevedo,
na Madeira, de Ernesto do Canto nos Açores e de A. Millares Torres e Gregorio
Chil y Naranjo nas Canárias. Este último foi o principal impulsionador
da Sociedade El Museo Canario (1879), fundamental na recolha e
valorização da documentação histórica de
Canárias. Com o mesmo intuito trabalhou Ernesto do Canto ao lançar em
1878 em Ponta Delgada (S. Miguel) uma publicação periódica, o
Arquivo dos Açores, onde se reunia e divulgava as principais
peças documentais. O presente século é sem dúvida o
momento de afirmação da Historiografia insulana. Um conjunto variado de
realizações públicas, o lançamento de
publicações da especialidade e a criação dos arquivos
distritais ou provinciais alicerçaram a nova realidade. Na Madeira(1919-1921) e
nos Açores(1932) as comemorações da respectiva descoberta
associadas às efemérides nacionais de 1940 e 1960 contribuiram de modo
decisivo para a afirmação e divulgação da História.
Para as Canárias essa animação ficou a dever-se ao impulso dado
por Elias Serra Ráfols, a partir dos anos quarenta, na Universidade de La
Laguna. Esta instituição conseguiu motivar um numeroso grupo de
entusiastas pela história do arquipélago, encaminhando-os para a
carreira científica e para a valorização dos vestígios
documentais levado a cabo com a criação dos arquivos provinciais. As
três últimas décadas foram decisivas para este salto qualitativo
da Historiografia insulana, demarcando em todos os arquipélagos uma
ambiência favorável à sua afirmação. Aqui, assumem
particular importância as instituições culturais, as
publicações periódicas e, a inovação desta
época, os colóquios de História. A História e a
Geografia ensinam-nos que o Homem ao longo do multissecular processo histórico,
quebrou as barreiras desse isolamento. A ilha deu-se a descobrir e descobriu o seu
envolvimento insular e atlântica. Esta inequívoca realidade conduz a que
a ilha, quando escalpelizada nos diversos aspectos do devir histórico deve
sê-lo de acordo com esta ambiência. Assim o entendeu Gaspar Frutuoso em
finais do século XVI com as célebres Saudades da Terra.
Algumas das grandes questões, com grande actualidade, definem este novo e real
rumo que é a investigação insular. Em primeiro lugar podemos
referir o enquadramento da Madeira, no contexto dos descobrimentos europeus, donde
ressalta, para além do protagonismo sócio-económico, a
posição charneira nos rumos da política expansionista. As
funções de escala, e modelo projectam-na nessa realidade e conduzem a
que seja parte disso e não um mundo à parte. Por outro lado, a
expansão europeia foi propícia a definição das teias de
subordinação e complementaridade que levaram à
modelação de um mercado insular aberto e vinculado, de acordo com uma
lógica de complementaridade. É isso, em certa medida, o que define o
Mediterrâneo Atlântico nos séculos XV a XVII. A favor de tudo
isto temos uma tese que vingou no seio da Historiografia americana que define o
Atlântico como uma unidade de análise. Deste modo o período que
decorre entre os inícios de expansão europeia, a partir do século
XV, e a plena abolição da escravatura, em 1888, delimitam
cronologicamente esta realidade, tal como expressa a actual historiografia
norte-americana. A dimensão assumida pela Madeira no contexto da
expansão quatrocentista, quer como terra de navegadores, quer como principal
centro que modelou a realidade sócio-económico deste novo espaço
atlântico, é a evidência desta imprescindível
dimensão atlântica da ilha. Por tudo isto é forçoso
afirmar que a ilha não se reduz à sua dimensão geográfica.
À sua volta palpita um mundo que gera multiplas conexões e que
não pode ser descurado sob pena de estarmos a atraiçoar o próprio
devir histórico. Há que rasgar o casulo da ilha e postar-se nas torres
avista-navios e vislumbrar o imenso firmamento que nos conduz a ilhas e continentes.
Os rumos definidos pela historiografia nos últimos anos pautam-se por uma
grande abertura temática e de envolvimento do espaço circunvizinho, isto
é, as ilhas e os continentes que marcaram o devir histórico nos
últimos cinco séculos. Deste modo poder-se-á afirmar que a
historiografia insular nas últimas décadas intentou sair do casulo que a
envolvia, ganhando na dimensão insular e atlântica. É chegado
o momento de repensar a forma como se faz História entre nós e de
repensar os últimos vinte anos de actividade para que seja possível a
definição de novos rumos adequados ao protagonismo e posicionamento que
assumimos na História. Na actualidade depara-se perante nós um
momento de grande valorização da História no nosso quotidiano.
Dispomos de tudo o necessário para isso: publicações
periódicas, colóquios e conferências e um desusado interesse do
publico em geral pela temática. Falta, todavia, um adequado ajustamento
arquivístico a esta nova realidade. Mas será que isso tem favorecido, em
simultâneo, a afirmação da investigação e
consequente avanço do conhecimento do nosso passado histórico ? Por
tudo isto há que repensar a actualidade. As perspectivas globalizantes
não se compadecem com a dimensão do nosso umbigo e as
limitações que a nossa condição de ilhéus por vezes
nos impõe. Devemos criar mecanismos e disponibilidade para que em qualquer
trabalho que seja, tomemos conhecimentos de tudo o que existe em termos
bibliográficos e documentais. A História insular carece de uma
revolução temática, o chamado "território do historiador"
precisa de ser alargado além dos "solos" ricos e tradicionais. A par disso, o
ofício precisa de ser dignificado através da perícia no manejo
dos seus instrumentos de trabalho. Tudo isto só será possível se
houver disponibilidades dos diversos agentes para aceitarem e actuarem em favor desta
mudança. O futuro da historiografia insular esta no desfazer desta
auréola de egocentrismo e insularização que deverão dar
lugar à dimensão arquipelágica no contexto do mundo
atlântico.
A conexão dos factos do passado impede a individualização de
historiografias totalmente independentes. Do mesmo modo, a influência de
distintas metodologias e a identificação de divergentes propostas de
reflexão dificultam a emergência de modelos historiográficos
absolutos. Nestas circunstâncias, avulta até a dificuldade de estrita
definição de uma historiografia portuguesa, por via da ínsita
correlação com o estrangeiro e das discrepantes opções dos
nossos historiadores. Nos Açores, a vivência de cinco séculos
num meio geográfico muito diferente do continental gera naturalmente
perceptível individualidade. Com efeito, Vitorino Nemésio, eminente
pensador das ilhas, de Portugal e do Mundo, sustenta que para os açorianos a
geografia vale tanto como a história. Esta constatação constitui,
porventura, o melhor contributo para a definição do indeterminado
conceito de açorianidade, por vezes gerador de polémicas vãs.
A força da geografia condiciona, por conseguinte, o semblante histórico
do arquipélago, que ainda assume expressões particularmente distintas.
De facto, o privilegiado posicionamento geográfico no Atlântico, definido
pelo determinismo de diversos agentes físicos e pelas condições
técnicas da navegação, e os surtos da economia euro-ultramarina
relevam a insubstituível participação dos Açores na
interacção das civilizações. Por outro lado, o afastamento
e a descontinuidade geográficas também motivam insuperável
isolamento, que ampara a cristalização de muitas práticas e
representações. Estas particularidades definem naturalmente os
principais propósitos dos planos de pesquisa histórica, que relevam a
contribuição insular para a construção do universo
atlântico e promovem a realização de minuciosos estudos de
incidência local, cuja necessidade deriva da divisão do
arquipélago em nove parcelas muito desiguais. No termo do longuínquo
século XVI, as Saudades da Terra do Doutor Gaspar Frutuoso cumprem
já estes desígnios. Na verdade, o clérigo micaelense destaca ao
mesmo tempo a especificidade açoriana, a correlação com os demais
arquipélagos da Macarronésia e o envolvimento nas dinâmicas do
Atlântico. A circunspecta individualidade insular e a reconhecida
tradição de pesquisa histórica justificam, no nosso entendimento,
a prudente utilização da expressão historiografia
açoriana. Contudo, a principal característica da nossa historiografia
reside decerto na estreita correlação com as historiografias portuguesa
e do circundante universo atlântico. Com efeito, os estudos de história
dos Açores implicam um esforço de investigação muito
plural, que obriga à consulta de relevantes núcleos documentais
depositados em arquivos muito diversos. Na verdade, ao historiador dos Açores
impõe-se a averiguação das fontes recolhidas na Região, no
Continente e no Estrangeiro, nomeadamente na Europa e no Novo Mundo. Esta realidade
contraria efectivamente a identificação de uma historiografia insular
alheia às problemáticas dos universos envolventes.
2. A TRADIÇÃO HISTORIOGRÁFICA E O PAPEL DA UNIVERSIDADE
Nos Açores, individualizamos o solícito cultivo dos estudos de
história desde a longuínqua era de quinhentos, que corresponde ao termo
do povoamento e à concomitante organização da nova sociedade
insular. Até ao século XVIII, destacamos as obras de cinco eminentes
cronistas: Gaspar Frutuoso, Diogo das Chagas, Manuel Luís Maldonado, Agostinho
de Montalverne e António Cordeiro. Deste conjunto, ressalta a obra frutuosiana,
organizada em seis livros, sob a designação de Saudades da Terra.
Esta colecção corresponde, porventura, à principal
realização historiográfica dos Açores, apesar da natural
averiguação de incorrecções e desajustamentos, resultantes
dos consideráveis progressos da ciência histórica.
O Doutor Gaspar Frutuoso frequenta, em meados do século XVI, a célebre
universidade espanhola de Salamanca, que então simboliza a nóvel cultura
da Renascença, firmada na imitação dos clássicos, na
revalorização do Homem e no desenvolvimento científico. Assim, o
autor das Saudades da Terra manifesta o cunho enciclopédico, que
caracteriza muitos vultos culturais do século XVI, e demonstra, no
domínio específico da construção histórica, uma
invulgar actualização temática e metodológica. Na verdade,
Gaspar Frutuoso, quiçá pela primeira vez, destaca a especificidade dos
arquipélagos do Atlântico oriental, reservando-lhes importante estudo,
que compreensivelmente privilegia a história dos Açores. Ademais, o
cronista insular utiliza uma metodologia de rigorosos contornos científicos,
que se estriba na permanente busca da verdade. Assim, recorre continuamente a
técnicas de pesquisa, cuja oportunidade ainda hoje reconhecemos. A
comprová-lo, refira-se, por exemplo, a observação directa
minuciosa, o gosto pelo documento, a selecção de fontes e testemunhas
credíveis, a rudimentar experimentação e a prudência de
interpretação. Desta forma, as Saudades da Terra superam a
qualidade das crónicas posteriores, pois primam por maior exactidão e
menor recurso às explicações miraculosas. No século
XIX, o reconhecido incremento dos estudos históricos repercute-se também
nas ilhas, avultando os naturais ecos das preocupações dos liberais e do
rigor positivista. Aliás, no último quartel de oitocentos, a
publicação do Arquivo dos Açores, da iniciativa de Ernesto
do Canto, que logra insuficiente continuidade nos alvores de novecentos, por obra de
Francisco Afonso Chaves e Manuel Monteiro Velho Arruda, constitui de novo um relevante
marco da produção historiográfica açoriana. Nesta
miscelânea, editada em 15 volumes, os inconvenientes da perceptível
desorganização não ofuscam a suprema utilidade, que decorre da
fecunda recolha documental e do tratamento de específicas temáticas. Por
isso, o actual Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da
Universidade dos Açores prepara a publicação de uma 2ª
série do Arquivo dos Açores, firmada no prosseguimento e na
modernização do plano oitocentista de Ernesto do Canto. Neste
particular, prevalece o intento de organização de uma colectânea
documental ininterrupta e homogénea, para alicerçar a
construção histórica insular. Na presente centúria,
divisamos igualmente o surgimento no arquipélago das correntes
historiográficas predominantes, cuja introdução se opera sempre
por via portuguesa. Assim, distinguimos a influência do nacionalismo, que nas
ilhas adquire um cunho assaz peculiar, e das tendências economicistas, que
emergem na dobragem da 1ª metade do século. O tradicional empenho dos
açorianos pelo conhecimento do passado ainda não garante, entretanto,
uma produção historiográfica sempre consistente e actualizada. De
facto, persistem relevantes carências, que reclamam uma ponderação
colectiva, porque o desenvolvimento da historiografia hodierna não decorre do
mero somatório de descoordenadas iniciativas individuais. Em primeiro lugar,
realçamos a necessidade de programar a redacção de uma
história dos Açores, firmada em rigorosos critérios
metodológicos e temáticos, mas podemos até relevar a tardia
publicação das principais crónicas, que por vezes exigem
meticulosas edições críticas. Com efeito, no presente, assumimos
curiosamente uma posição muito similar à de diversos estudiosos
açorianos do século passado, que perante as acrescidas exigências
da investigação declaram com amargura a incapacidade de redigir a
almejada história das ilhas.
A inventariação dos principais desafios da historiografia
açoriana de hoje não invalida a obra das precedentes
gerações, de notável significado no panorama dos estudos
históricos portugueses. Contudo, em vez de pretexto de
acomodação, a tradição historiográfica constitui
obrigatoriamente estímulo de pesquisa, em obediência aos
propósitos científicos de maior actualidade. Aliás, nos
últimos anos, assinalamos um óbvio fomento dos estudos históricos
insulares. Na génese de semelhante ensejo de avigoramento e de
renovação, avulta sobretudo a criação e a actividade da
Universidade dos Açores, que sustenta a indispensável
formação de quadros e o acréscimo dos projectos e
consequentemente das publicações. Além disso, a dinâmica
universitária gera de ordinário a dinamização cultural,
especialmente patente na revivescência dos institutos culturais e no empenho dos
serviços regionais de cultura2. A efervescência cultural dos últimos anos
gera também alguma inquietude. No campo das publicações, por
exemplo, a azáfama editorial significa ocasionalmente menor qualidade. No
específico âmbito da historiografia, perdura por vezes o tradicional
propósito de utilização política, embora movido por
legítimas paixões, que buscam consistente justificação.
Nestas circunstâncias, o imperativo da credibilidade recomenda maior rigor no
planeamento das edições. Do mesmo modo, a permanente busca da verdade
constitui metodologia exclusiva e suficiente para a compreensão do secular
labor dos açorianos, de inquestionável utilidade para a
construção do futuro. Na actualidade, o desenvolvimento da
historiografia nos Açores implica a diligente participação da
Universidade, cujo projecto difere necessariamente dos antigos modelos omniscientes.
De facto, os determinismos físico e demográfico motivam a
eleição de áreas temáticas muito precisas. Neste
capítulo, no passado, a relevância económica e principalmente a
utilidade estratégica conferem às ilhas preponderante individualismo e
justificam, por conseguinte, o desenvolvimento de estudos superiores de
História, nas indissociáveis vertentes do ensino e da
investigação. Assim, no declinar dos anos setenta, Artur Teodoro de
Matos, então director do Departamento de História, define um meticuloso
plano de acção, que gera estimulantes resultados, apesar de sugerir
persistente continuidade. Deste programa, destacamos o roteiro e a
publicação de fontes, o tratamento monográfico das diferentes
ilhas e de alguns concelhos de maior relevância e ainda os estudos de
especialidade sobre matérias e épocas mais singulares. Na
Universidade de hoje, após a intensiva e necessária
formação de quadros, cumpre o incremento dos estudos históricos,
sempre firmados nas inseparáveis tarefas de docência e principalmente de
pesquisa. Deste modo, releva a manutenção de uma licenciatura,
naturalmente adaptada aos novos requisitos científicos e desperta para
indispensáveis soluções profissionalizantes. Nas ilhas, o plano
curricular de um curso de história repousa obrigatoriamente na salvaguarda da
universalidade e do equilíbrio da formação universitária,
mas reclama também o prudente e eventual patrocínio das áreas
disciplinares mais correlacionadas com o passado do arquipélago e do
Atlântico. A responsabilidade da Universidade dos Açores no
domínio da investigação determina ainda o reforço da
componente metodológica, para munir os recém-licenciados da adequada
formação técnica. Ademais, estes propósitos justificam a
criação, recentemente aprovada, do mestrado em História Insular e
Atlântica (séculos: XV-XX), que propõe a
investigação das implicações do relevante papel dos
Açores e das demais ilhas do Atlântico Oriental na expansão
marítima de Portugal e da Europa para Ocidente. O previsível ritmo de
formação de quadros e a conveniência da Universidade criar um
vasto corpo de docentes e investigadores, imprescindível ao incremento da
moderna historiografia, recomendam o conveniente amparo deste projecto. Por
último, o inevitável comprometimento da Universidade no progresso da
historiografia decorre também da óbvia conexão com as demais
ciências sociais e humanas, que naturalmente se cultivam no sobrante contexto
universitário. O desenvolvimento da historiografia açoriana reclama,
em primeiro lugar, a sistemática exploração dos acervos
documentais de referência insular, depositados nos arquivos açorianos,
portugueses e internacionais. Esta estratégia corresponde à perseverante
busca da originalidade e promove o conveniente acréscimo do conhecimento
histórico, que demanda prudente ponderação à luz das
hodiernas metodologias e interpretações. No arquipélago, o
progresso historiográfico exige, portanto, o cumprimento de uma adequada
política de arquivos. Com efeito, a irrecuperável perda de significantes
núcleos documentais, por simples deterioração, pura
insensibilidade e reprovável desleixo, aconselha a desvelada guarida de todos
os acervos, afortunadamente ricos e abundantes. No entanto, a insuficiência das
instalações, a diversidade geográfica e as divergências
administrativas protelam diversas soluções. Porém, a inquietante
conservação de numerosos núcleos documentais concelhios,
eclesiásticos e até particulares impõe a adopção de
uma política de permanente diálogo e previdência, de suprema
utilidade pública. Nos arquivos, ambicionamos sempre a inteira
observância dos relevantes propósitos de defesa da
documentação e facilidade de consulta. De facto, só a
associação destas tarefas garante a guarda e a utilização
das fontes documentais, que transportam a individualidade do passado. Contudo, apesar
da individualização de comedido progresso, a incompleta
inventariação complica a pesquisa e dificulta o aproveitamento de todas
as possibilidades de trabalho dos ricos fundos dos arquivos açorianos. Neste
capítulo, o empenho da Universidade na competente formação de
técnicos constitui compreensível prioridade, que demanda a
correspondente resposta das instituições, através da
contratação dos quadros tidos por indispensáveis. Ademais, o
desenvolvimento tecnológico fomenta a livre e incontestável
circulação da cultura, que relembra o domínio público da
documentação histórica, por vezes quebrado, sobretudo no passado,
por perspectivas de gestão muito particulares e consequentemente
perniciosas. No arquipélago, o desenvolvimento da historiografia não
constitui, entretanto, monopólio da Universidade. Aliás, curiosamente em
Portugal, a materialização dos principais projectos
historiográficos processsa-se à margem das Universidades até uma
época muito recente. Deste modo, ambicionamos o reforço do tradicional
contributo dos Institutos Culturais, que concretizam relevantes programas de
publicações e reuniões científicas. De igual forma,
aguardamos o contínuo empenhamento dos poderes políticos na melhoria das
condições de pesquisa, necessariamente desprovido de impulsos
tutelares. A individualidade do passado insular integra os Açores nas
histórias de Portugal e das conexões euro-ultramarinas. Por isso, a
historiografia açoriana beneficia também de progressos externos, que
relevam o papel do arquipélago nas dinâmicas políticas e
geoeconómicas da expansão atlântica. Ademais, alguns historiadores
de proveniência açoriana favorecem também o conhecimento do mundo
exterior, ressaltando a marcante universalidade do saber.
3. ALGUMAS SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS
A elaboração de uma bibliografia muito sumária sobre
história dos Açores determinada por inexoráveis imperativos
editoriais e pela necessidade de iniciação dos estudiosos de distintas
áreas, temáticas e cronologias impõe uma considerável
diligência de selecção, que defronta a busca sempre
precária de critérios de rigor. Nestas circunstâncias, ressalta o
risco da inevitável omissão de muitas e até de relevantes
investigações, que origina compreensível injustiça e
inclusivamente a natural repulsa dos preteridos. Deste modo, a difícil
composição de uma racional lista bibliográfica com condicionantes
tão imperiosas determina a definição de normas de prudente
restrição. Assim, optamos pela conformidade dos clássicos com as
novidades, relevando sempre os estudos de maior abrangência temática e
cronológica. Ademais, elegemos o demarcado domínio da história,
quase excluindo os úteis contributos de distintos ramos do saber, que
também se enquadram no vasto campo das ciências sociais e humanas.
Esta sugestão bibliográfica implica a consequente pesquisa, para
corresponder aos naturais propósitos de aprofundamento das matérias.
Neste particular, ainda propomos a consulta da Biblioteca Açoriana, importante
repositório de referências insulares, organizado no termo do
século XIX por Ernesto do Canto. Em relação à presente
centúria, demanda especial ponderação a actividade editorial dos
diversos Institutos Culturais e sobretudo, no tempo mais recente, a
produção historiográfica do Departamento de História,
Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, normalmente
resultante da prestação de provas académicas. - AMORIM, Maria Norberta, Evolução demográfica de
três paróquias do sul do Pico (1680-1980), Braga, 1992.
- ANDRADE, Luís, Os Açores, a Segunda Guerra Mundial e a NATO,
Ponta Delgada, Impraçor, 1992.
- Arquipélago: Série Ciências Humanas (6 vols), 1980-84;
Série História e Filosofia, (1 vol.- nos 1 e 2), 1985; Série
História (3 vols.), 1986-95, Ponta Delgada, Universidade dos Açores,
1980-95.
- Arquivo dos Açores, 2ª ed., 15 vols., Ponta Delgada, Universidade
dos Açores, 1980-84.
- ARRUDA, Manuel Monteiro Velho, Colecção de documentos relativos ao
descobrimento e povoamento dos Açores, 2ª ed., Ponta Delgada,
Instituto Cultural, 1977.
- Atlântida, 37 vols., Angra do Heroísmo, Instituto
Açoriano de Cultura, 1956-92.
- AZEVEDO, Julião Soares de, "Os Açores e o Comércio do Norte no
final do século XVII", in Boletim do Arquivo Distrital de Angra do
Heroísmo, II, nos 4-5, Angra do Heroísmo, 1952-53.
- Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago os
Açores, nos 1-36, Ponta Delgada, 1945-62.
- Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vols. I-XLVIII, Angra do
Heroísmo, 1943-90.(veja-se sumário dos trabalhos em Revistas)
- Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 10 vols, Horta, 1958-92(Veja-se
sumário dos trabalhos em Revistas")
- CHAGAS, Frei Diogo das, Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores,
direcção e prefácio de Artur Teodoro de Matos, s/l,
Colecção de Fontes para a História dos Açores, 1989.
- Códice 529 (O) - Açores do Arquivo Histórico Ultramarino: A
Capitania Geral dos Açores durante o Consulado Pombalino,
introdução e fixação do texto de José Guilherme
Reis Leite, s/l, Colecção de Fontes para a História dos
Açores, 1988.
- CORDEIRO, António, História Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas
no Oceano Occidental, reimpressão da edição princeps de 1717,
Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
- CORDEIRO, Carlos, Insularidade e Continentalidade. Os Açores e as
contradições da Regeneração (1851-70), Coimbra,
Almedina, 1992.
- CUNHA, Manuel de Azevedo da, Notas Históricas, recolha,
introdução e notas de Artur Teodoro de Matos, 2 vols., Ponta Delgada,
Universidade dos Açores, 1981.
- DIAS, Maria de Fátima Silva Sequeira, Uma Estratégia de Sucesso
numa Economia Periférica: a Casa Bensaúde e os Açores
(1800-1870), 2 vols, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 1993
(policop.).
- DIAS, Urbano Mendonça, A Vida de Nossos Avós, 9 vols., Vila
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- DRUMMOND, Francisco Ferreira, Anais da Ilha Terceira, 4 ts.,
reimpressão da edição de 1850, Secretaria Regional da
Educação e Cultura, 1981.
- DUNCAN, T. Bentley, Atlantic Islands: Madeira, the Azores and the Cape Verdes
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1986. Provavelmente em consequência desta situação
nunca foi publicada, até aos finais do século XIX, uma obra de vulto
sobre a história destas ilhas, semelhantes às que foram elaboradas para
outras zonas ultramarinas, como para os Açores a obra de Frei Diogo das
Chagas, Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores (1646-1654), para
o Brasil, O Tratado Descriptivo do Brasil (1587) de Gabriel Soares de Sousa ou
ainda para o Japão a História de Luís Frois ( 1585-1594),
isto apenas para citar três exemplos para três regiões diferentes
dos muitos que poderiamos mencionar. De facto, todas descrições de
carácter histórico-geográfico-etnográfico que existem
centram-se na região dos Rios da Guiné referindo as ilhas de Cabo Verde
de modo sintético e marginal, e apenas na medida em que estas se relacionam com
a Costa e que os moradores insulares nela intervêm e participam no
comércio - vejam-se os casos de André Álvares de Almada,
Tratado breve dos Rios da Guiné do Cabo Verde (...) (1594), de
André Donelha, Descrição da Serra Leoa e dos Rios da
Guiné do Cabo Verde (1625) ou ainda de Francisco Lemos Coelho,
Descrição da Costa da Guiné e Situação de todos
os Portos e Rios della (...) (1684). Abra-se simplesmente uma
excepção para um conjunto de documentação, organizada sob
os títulos de "Notícias", "Memórias",
"Dissertações", "Ensaios" que entre os últimos anos do
século XVIII e as três primeiras décadas do século XIX
foram apresentadas às instâncias oficiais; tais documentos analisavam a
evolução política, social e económica das ilhas de Cabo
Verde, apresentando sugestões sobre o modo de modificar ou melhorar a realidade
da época. Mas seria necessário esperar pelo final do século
XIX para ver surgir a primeira grande síntese sobre a totalidade da
história de Cabo Verde. Com efeito o arquipélago era unicamente
mencionado e descrito no âmbito de obras gerais sobre o império colonial
português ou de áreas de actuação de determinada
congregação religiosa muitas vezes como uma mera adjacência da
Costa da Guiné, esquecendo ou desconhecendo que num período inicial da
história destas ilhas a Guiné é que funcionava como um "anexo" de
Cabo Verde. Dedicava-se-lhes um simples capítulo, muitas vezes, curto e repleto
de imprecisões que espelhavam a veleidade das informações
recolhidas e o desinteresse pelo aprofundamento do estudo da história e das
gentes deste espaço insular. Foi assim em 1899 que Christiano José de
Senna Barcelos, um capitão-tenente da armada, natural de Santiago, apresentou
à Academia Real das Ciências uma memória exaustiva, composta de 6
partes, que cobria a totalidade da história de Cabo Verde, atribuindo-lhe um
título sem pretensões - "Subsídios" - para uma obra de tanto
vulto. Logo no início da narrativa o autor, talvez numa crítica
inconsciente, demarca-se de tudo o que fora feito até aí sobre estas
ilhas: "A História destas ilhas não é para nós, filho
d'ellas, um estudo indiferente, de mera curiosidade, em que toquemos ao de leve". De
facto, apesar de todas as limitações que este trabalho encerra, devido
particularmente ao carácter factual e pouco interpretativo seguido ao longo da
obra - em perfeita consonância, aliás com as correntes
historiográficas da época -, tornou-se numa base fundamental para
estudos subsequentes. A índole globalizante e a amplitude cronológica
destes "Subsídios", o imenso manancial de informações recolhidas
nas crónicas, nos arquivos e bibliotecas transmitido nas páginas de
Senna Barcellos fizeram desta Memória um elemento historiográfico
impossível de ignorar a quem pretenda ainda hoje pesquisar a história de
Cabo Verde. Após a publicação deste trabalho monumental,
muitas décadas decorreriam até voltarem a aparecer outros estudos que
contribuíssem decisivamente para algum avanço na historiografia destas
ilhas. Ao longo da primeira metade do século XX manteve-se a mesma linha de
publicações que haviam marcado o século XIX: artigos de
carácter geral dispersos em publicações períodicas,
designadamente no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, ou visões
generalizantes mas vagas e imprecisas integradas em grandes obras referentes ao
ultramar português. Para além destas dedicou-se uma atenção
considerável a temáticas relacionadas com o descobrimento do
arquipélago; com efeito, a obscuridade que envolve o evento proporcionou uma
produção considerável, particularmente nas décadas de 30
e 40. . José de Oliveira Boléo, Armando Cortesão, Fontoura da
Costa, Duarte Leite e Júlio Monteiro foram apenas alguns dos muitos
historiadores que se envolveram nesta temática. As décadas de 50 e 60
trouxeram, felizmente, mudanças na perspectiva de encarar a história de
Cabo Verde. O Padre António Brásio iniciou a publicação da
mais notável colectânea de fontes para o estudo daquela região: a
Monumenta Missionária Africana, 2ª série. Numa obra cujo
título sugere um enfoque religioso transcreve-se uma vasta
documentação de origens várias que permite uma abordagem
administrativa, económica, social e cultural da história insular e da
costa da Guiné, desde o século XV a meados do XVIII.
Nomeações de oficiais da fazenda real, regimentos de capitães e
feitores, contratos de arrendamento de direitos reais, correspondência Cabo
Verde - Lisboa, descrições das ilhas e Rios da Guiné, cartas
anuais de Jesuitas são apenas alguns exemplos dos muitos documentos que foram
coligidos pelo Padre Brásio. Paralelamente a esta obra começam a
surgir os trabalhos interdisciplinares história / geografia / antropologia de
Orlando Ribeiro (A ilha do Fogo e suas erupções, 1954 e
Primórdios da ocupação das ilhas de Cabo Verde, 1962) e de
Ilídio do Amaral (Santiago de Cabo Verde: a terra e os homens, 1964) que
abriam novas pistas para o estudo desta área geográfica e fomentaram o
interesse por Cabo Verde expresso na execução de algumas teses de
licenciatura da Faculdade de Letras de Lisboa, de Clarisse Ferreira, Sofia Neves,
Josefa Viegas e Maria da Graça Nolasco, de que infelizmente apenas a
última foi publicada. Estudos esparsos mas já mais centralizados no
arquipélago ou nas semelhanças com a colonização efectuada
nas outras ilhas atlânticas (Raquel Soeiro de Brito, Primórdios da
Colonização Portuguesa no Atlântico, 1968) começaram a
surgir e a modificar consideravelmente a forma de abordagem deste espaço
insular, abrindo caminho ao "aparecimento" das obras de António Carreira e
Avelino Teixeira da Mota, historiadores que conduziram a história de Cabo Verde
à "modernidade", de acordo com as novas teorias historiográficas.
Teixeira da Mota em consonância com as directivas saídas da III
Conferência sobre História e Arqueologia da África, organizada
em 1961, pela School of Oriental and African Studies abriu novas prespectivas para o
estudo da história de África e por arrastamento das ilhas de Cabo Verde.
Procurava-se focalizar na própria África o centro de estudos sobre
África e não encará-la como uma adjacência da Europa. O
C.E.H.C.A. de que então era director começou por publicar uma
edição trilingue de uma fonte portuguesa de grande utilidade para a
costa da Guiné (Descrição da Serra Leoa e Rios da Guiné
do Cabo Verde, de André Donelha), e por trabalhar outros textos similares
com o mesmo objectivo. A par deste projecto iniciou-se no mesmo Centro um levantamento
exaustivo da documentação existente em arquivos portugueses e
espanhóis correspondendo geográficamente à região que se
estende desde o Senegal até ao Benim, ilhas de Cabo Verde e São
Tomé. Esses documentos pesquisados e transcritos por um competente grupo de
arquivistas-paleógrafos foi, em seguida, criteriosamente sumariado e
organizado, constituindo a base documental da colectânea Portugaliae
Monumenta Africana que está a ser publicada neste momento pelo
C.E.H.C.A.. O levantamento destas fontes possibilitou a A. Teixeira da Mota a
elaboração de estudos de grande importância para a história
de Cabo Verde - A primeira visita de um governador de Cabo Verde à
Guiné (1968), Dois escritores quinhentistas de Cabo Verde: André
Alvares de Almada e André Donelha (1971) e Alguns aspectos da
colonização e comércio marítimo dos portugueses na
África Ocidental (1976), entre outros estudos. António Carreira
não sendo um homem com formação específica em
História, o que por vezes se traduz na falta de uma certa metodologia, conhecia
vivamente o objecto que estudava. Cabo Verde e a costa da Guiné eram terrenos
que lhe eram familiares, onde tinha raízes ancestrais e que, acima de tudo,
procurava compreender profundamente. Iniciando-se no final da década de 60 com
pequenos estudos, nas duas décadas seguintes publica obras de maiores
dimensões, fundamentais para a história de Cabo Verde. Abrangendo um
âmbito cronológico que se estende desde o século XV à
actualidade, versando temas tão díspares, mas sabiamente "entrosados"
como demografia, linguística, etnologia, antropologia, economia,
administração, etc., a obra de António Carreira tem ainda a
virtualidade de nos facultar a edição e consequente
divulgação de várias fontes de grande importância para a
história de Cabo Verde como a Notícia corográfica e
cronologica do Bispado de Cabo Verde, os Documentos para a história das
ilhas de Cabo Verde e Rios da Guiné ou ainda Descrições
oitoentistas das Ilhas de Cabo Verde, entre outras possíveis de citar. A
par da produção historiográfica de António Carreira,
também nas próprias ilhas de Cabo Verde surgiu, após a
indepêndencia, um conjunto de estudos sobre a história da
ex-colónia. Muitos deles não apresentam no entanto, a
isenção ideológica que deve pautar, na medida do possível,
o trabalho do historiador; refletem indubitavelmente a exaltação
política e social de um povo nos alvores da sua independência, em que
numa atitude talvez um pouco irreflectida mas perfeitamente compreensível tende
a desprezar e minimizar toda a acção da antiga metropóle. No
entanto, trabalhos como os de Daniel Pereira, Marcos Cronológicos da Cidade
Velha (1988), pela informação que transmitem e sua
sistematização, e de Santa Rita Vieira, História da Medicina
em Cabo Verde, pela exploração de um campo historiográfico
interessante, são publicações a considerar por todos quantos
pretenderem dedicar-se ao estudo daquelas ilhas. Ao ler-se esta síntese da
historiografia de Cabo Verde poder-se-ia afirmar que privilegiámos a
produção de autores portugueses e caboverdianos esquecendo a de outros
estrangeiros. Não foi contudo essa a razão da inexistência de tais
referências. Sucede que a grande maioria de obras estrangeiras elegem como plano
central dos seus estudos a costa da Guiné, área onde espanhois,
franceses, ingleses e holandeses tiveram uma intervenção efectiva; as
ilhas de Cabo Verde são para eles uma região marginal, apenas
mencionável quando em relação com a Guiné. No entanto,
importa conhecer e manusear colectâneas documentais, como a de John Blake
(1942), histórias gerais como a de The Cambridge History of Africa ou a
História Geral de África da Unesco, estudos sobre a economia
atlântica e o tráfico de escravos, particularmente F. Mauro, Le
Portugal, le Brésil et l'Atlântique au XVII éme siècle
(1983) ou John Thornton, Africa and Africans in the making of the Atlântic
World (1992), os trabalhos de Jean Boulégue, Paul Hair e Walter Rodney
sobre a costa da Guiné, ou ainda os estudos comparativos sobre diversas
realidades insulares de Bentley Duncan Atlantic Islands Madeira, the Azores and Cap
Verd in Seventeenth Century Commerce and Navigation (1972). Na década de 80
foram igualmente publicados alguns estudos esparsos sobre diferentes vertentes da
história de Cabo Verde (v.bibliografia). A despeito da
validade de todos os trabalhos que temos vindo a enumerar foram sem dúvida os
trabalhos de António Carreira e A. Teixeira da Mota que, em medidas distintas,
facultaram a possibilidade de "preparar o terreno" para o aparecimento de um projecto
de investigação singular: a História Geral de Cabo Verde. Este
projecto, tem como objectivo central a elaboração da história
deste novo país africano, colónia portuguesa até 1975,
através da cooperação entre investigadores caboverdianos e
portugueses, o que representa uma solução a nível humano sem
precedentes na historiografia lusófona.. Orientado pelo Prof. Doutor
Luís de Albuquerque (infelizmente desaparecido no fim do 1º volume) e pela
Investigadora Coordenadora Maria Emília Madeira Santos (que hoje prossegue
sózinha esta tarefa) o projecto tem sido executado por uma equipa mista que
através do cruzamento de experiências particulares e abordagens
específicas tem tentado apreender e transmitir a história de Cabo Verde
na dupla vertente (europeia/africana) que a marcou indelevelmente. Assim procedeu-se a
definição e delimitação das áreas de
investigação, atribuindo a responsabilidade de cada uma delas a
diferentes membros da equipa de acordo com formações e
vocações próprias. Esta equipa contou com um "auxílio"
acumulado ao longo de 30 anos: o espólio documental existente no C.E.H.C.A. do
I.I.C.T.. Este acervo, constituido a partir de pesquisa exaustiva em arquivos
portugueses, espanhóis e italianos e subsequente organização e
sumariação, têm sido de crucial importância para o sucesso
do projecto. Deste modo, e no sentido de proporcionar a acessibilidade e
divulgação das fontes a todos os interessados têm sido publicados
Corpos Documentais das principais fontes de apoio da elaboração
da História Geral. Opção igualmente inédita a
nível da historiografia e cooperação lusofona. Neste momento
foi publicado o 1º volume que abarca o século XV e 1ª metade do
século XVI, e encontra-se no prelo o 2º volume que cobrirá a
centúria que decorre entre 1560 e 1650. A periodização
poderá parecer à primeira vista, bizarra, mas justifica-se perfeitamente
no âmbito da história das próprias ilhas. Estas tendem a ser
encaradas não só como uma simples escala de apoio das carreiras
portuguesas ou como um local de aclimitazação de espécies animais
e vegetais, antes da respectiva passagem para outras regiões, aspectos
inúmeras vezes repetidos em obras gerais mas essencialmente como um local com
características específicas. Ou seja um espaço com
história e importância inerentes e não um local só
mencionável enquanto espaço inter-relacional com outras áreas de
maior relevo. Esta obra não pretende ser, de forma alguma, um estudo final,
completo e acabado sobre a História de Cabo Verde. Ao invés, pelo seu
carácter pioneiro e sem precedentes está provavelmente sujeito a
críticas e erros que só no futuro poderão ser emendados,
tratando-se, por isso mesmo mais de um ponto de partida para subsequentes
investigações e interpretação da história de Cabo
Verde. No entanto, este trabalho solidamente alicerçado num amplo e
importante núcleo documental, é actualmente o estudo mais
avançado sobre história de Cabo Verde nos seus diversos campos
temáticos (administração, economia, sociedade, cultura, etc.) e
um projecto, infelizmente, sem paralelo para a história dos outros
arquipélagos atlânticos portugueses. (Sobre o historial do projecto e
seus objectivos específicos veja-se ...).
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VIEIRA, Henrique Santa-Rita, História da Medicina em Cabo Verde, Praia,
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Verde / I.I.C.T. (Instituto de Investigação Cientifica Tropical) de
Portugal
Composiçao Actual da Equipa: Coordenadora: Maria Emilia Madeira
Santos (Portugal) António Leão Correia e Silva (Cabo Verde) Ilidio
Cabral Baleno (Cabo Verde) Iva Maria Cabral (Cabo Verde) Maria João Soares
(Portugal) Maria Manuel Torrão (Portugal) Zelinda Cohen (Cabo Verde)
OBJECTIVOS
HISTORIAL:
Este projecto resultou de um acordo entre os governos Caboverdiano e
português, tendo por objectivo a elaboração da História
Geral de Cabo Verde, iniciativa pioneira no domínio da cooperação
entre Cabo Verde e os seus parceiros. Em consequências organizou-se uma equipa
mista, constituída por historiadores cabo-verdianos e portugueses, sob a
coordenação do Professor Doutor Luís de Albuquerque e da
Investigadora coordenadora Doutora Maria Emília Madeira Santos. A equipa
funciona no Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga
(C.E.H.C.A./I.I.C.T.) beneficiando do património documental deste centro e da
experiência dos seus investigadores dedicados ao estudo da historia das
Áreas tropicais. O projecto teve inicio em 1987, tendo os trabalhos entrado
em pleno funcionamento no ano de 1988. Ate agora já foram publicados o I e II
volume do corpo documental e o I volume da História propriamente dita,
encontrando-se no prelo o II. Quanto a metodologia foi necessário encontrar
soluções adequadas ao seguinte condicionalismo: a execução
de uma História Geral que não dispunha de uma bibliografia de apoio
suficiente, ou seja, de estudos prévios que pudessem servir de subsidio as
diversas temáticas que se pretendia abordar. Face a este constrangimento,
optou-se pela feitura de monografias, largamente assentes em fontes primarias (grande
parte delas, inéditas), como forma de colmatar essa lacuna. Saliente-se que o
Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga pôs à
disposição da equipa o seu vasto acervo de fontes, composto por
documentos recolhidos nos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Arquivo Histórico
Ultramarino, Biblioteca da Ajuda, Arquivo Geral de Simancas, Arquivo Geral de
Índias (Sevilha), etc. Com tal documentação e com outra ainda,
que numa etapa mais avançada foi e vem sendo recolhida pelos membros do
projecto da História Geral de Cabo Verde (nomeadamente, no A.H.U., no
A.G.I./Sevilha e no Arquivo de Simancas) a equipa tem podido, com seus estudos e suas
publicações, contribuir para um melhor conhecimento da História
de Cabo Verde, quer no aprofundamento de algumas temáticas já estudadas,
quer pelas revelações que impõem uma releitura de alguns dos
pontos da anterior produção historiográfica.
História Geral de Cabo Verde - Corpo Documental, Volume I, Lisboa,
IICT/DGPCCV, 1988.
História Geral de Cabo Verde - Corpo Documental, Volume II Lisboa,
IICT/DGPCCV, 1991.
BALENO, Ilídio -"O corso e a pirataria em Cabo Verde: seus reflexos na vida
local", in Actas do III Colóquio Internacional de História da
Madeira, Funchal, Secretaria Regional do Turismo /Centro de Estudos de
História do Atlanaco, 1994, pp. 675-685. -(e SANTOS, Maria Emília
Madeira),"Litoral: linha de atracção, repulsão e
compressão ( Arquipélagos e Costa Ocidental Africana)", in Actas da
VII1 Reunião Internacional de Historia da Nautica e da Hidrografia no
prelo. -"Reflexões sobre as origens étnicas do contingente africano
entrado nas ilhas com o tráfico", in Magma, Mindelo, 1 990,
n°ree;5/6. -"Subsídio para a História de Cabo Verde: a necessidade
das fontes locais através dos vestígios materiais", in Actas do
Congresso Internacional Bartolomeu Dias e sua Época, 5 volumes, Porto,
1991? volume 1 pp. 553555; Série Separatas Verdes, CEHCA, Lisboa 19897
n°ree; 219.
CABRAL, Iva -"A Fazenda Real, campo de contradições entre a Coroa e os
moradores de Santiago: o exemplo de Avaro Dias almoxarife da Ribeira Grande" in
Magma, Mindelo 1990, n°ree;5/6 e in Stvdia CEHCA/IICT, Lisboa, 1991,
n°ree;51 pp. 177-189. -(e TORRAO, Maria Manuel), "Ensaios de uma Feitoria
Régia no Espaço Económico-social da nha de Sanhago",in Actas
do Colóquio Internacional de História Atlântica (século
XVI), no prelo.
COHEN, Zelinda -" Algumas Reflexões sobre a Colonização da Ilha
do Fogo", in Magma, Mindelo, 1990, n°ree;5/6. -"O Caso de um Preto que
Virou Branco" in Semanário Tribuna, Praia, 1°ree; Dezembro de
1989. -"Os Contratos de Arrendamento para a Cobrança das Rendas e Direitos
Reais das Ilhas de Cabo Verde (1501-1560)", in Stvdia, CEHCA/IICT, Lisboa, 1
994, n°ree; 53, pp. 317-364. -" O Provimento dos Oficiais da Justiça e da
Fazenda para as Ilhas de Cabo Verde", in Stvdia, CEHCA/IICT, Lisboa, 1991,
n°ree; 51, p. 145-178.
SANTOS, Maria Emília Madeira -" A Defesa dos Litorais. O Caso do
Arquipélago de Cabo Verde durante a Ocupação Filipina" no
prelo. -"As Estratégicas Ilhas de Cabo Verde ou a "Fresca Serra Leoa": uma
Escolha para a Política de Expansão Portuguesa no Atlântico". in
Revista da Universidade de Coimbra, Coimbra, Biblioteca da Universidade de
Coimbra, volume XXXIV, 1989, pp. 485-491; Série Separatas Verdes, Lisboa,
Lisboa, CEHCA, 1989, n°ree; 212. -"O Interlocutor que Falta: António
Carreira" , in Magma, Mindelo, 1990, n°ree;5/6. -"Os primeiros
"Lançados" na Costa da Guiné: aventureiros e comerciantes". in
Portugal no Mundo (dir. de Luís de Albuquerque), 6 Volumes, Lisboa,
Alfa, 1 989 volume 2, pp. 125-136. -"Rotas Atlanticas. O Caso da Carreira de
São Tomé" in Actas do II Colóquio Internacional da
História da Madeira e do Atlântico, Funchal, Comissão Nacional
para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1990, pp. 649-655;
Série Separatas Verdes, CEHCA, Lisboa, 1991, n°ree;226. -(e TORRAO, Mana
Manuel), " Subsídios para a História Geral de Cabo Verde: a legitimidade
da utilização das fontes escritas portuguesas através da
análise de um documento do inicio do século XVI. (Cabo Verde, ponto de
intercepção de dois circuitos comerciais)". In Actas do
Colóquio Internacional sobre Bartolomeu Dias e a sua Época, 5
volumes, Porto, 1991, volume 1, pp. 527-551; Série Separatas Verdes CEHCA,
Lisboa, 1989, n°ree; 218. -Ver BALENO, Ilídio
SILVA, António Correia e -"A Formação Histórica do
Espaço do Arquipélago de Cabo Verde " in Magma, Mindelo, 1990,
n°ree; 5/6. -"Os Fundamentos do Povoamento de Cabo Verde " in Oceanos,
Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses, 1991, n°ree; 5, pp. 69-77. -"A Influência do Atlanaco na
Formação em Cabo Verde" in Actas do II Colóquio Internacional
da História da Madeira e do Atlântico, Funchal, Comissão
Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses
Portugueses, 1990, pp. 637-648; Série Separatas Verdes, CEHCA, Lisboa, 1991,
n°ree; 228. -"As Secas e as Fomes na Construção da Sociedade
Pós-escravocrata em Santiago de Cabo Verde" in Stvdia, CEHCA/IICT,
Lisboa, 1994, n°ree; 53, pp. 365-382
TORRAO, Maria Manuel -"O Algodão da ilha do Fogo: uma matéria-prima de
produção afro-europeia para uma manufactura africana", in Stvdia,
CEHCA/IICT Lisboa, 1991, n°ree; 50, pp. 157-176: Magma, Mindelo, 1990,
n°ree; 5/6. -A Colonização das ilhas de Cabo Verde: meios e
objectivos", in Portugal no Mundo (dir. de Luís de Albuquerque), 6
volumes., Lisboa, Alfa, 1989, volume 2, pp.l50-170. -"Dietas Alimentares:
Transferências e Adaptações nas Ilhas de Cabo Verde (1460-1540)",
no prelo. -Ver CABPAL, Iva -Ver SANTOS, Maria Emília Madeira
En esa
producción han intervenido desde los propios científicos hasta los
eruditos, los viajeros, los cronistas y polígrafos, quienes han dado sus puntos
de vista desde distintas ópticas. A la misma se le han dado diferentes enfoques
que han diferenciado todo el mundo aborigen, con unas particularidades propias, del
resto de la parte histórica, en especial, a partir de la incorporación
de Canarias a la corona de Castilla. Incluso en este aspecto han habido diferencias y
enfoques distintos, bien se tratara de las islas de señorío -Lanzarote,
Fuerteventura, La Gomera y El Hierro- o de las realengas -Gran Canaria, Tenerife y La
Palma-, así como lagunas que aun no han sido resueltas. En este contexto, en
las últimas décadas y gracias al interés mostrado por distintos
historiadores, entre ellos los extranjeros, quienes han ponderado el papel de las
islas en la historia universal, se ha dado un nuevo empuje con el objeto de conectar
el mundo insular con el continental, y observar la dinámica de las relaciones
entre ambas realidades. Antes de analizar las distintas fases por las cuales ha
pasado la historiografía canaria creemos conveniente aclarar algunas cuestiones
sobre la trayectoria seguida hasta llegar a los conocimientos actuales. En primer
lugar no pretendemos realizar un catalogo exhaustivo ni agotar, porque sería
imposible, toda la historiografía publicada sobre Canarias, puesto que por
mucho que lo intentáramos la nómina siempre quedaría incompleta,
y en segundo lugar porque el objeto que perseguimos es señalar las distintas
fases por las cuales ha discurrido el pasado insular en relación a la
producción que habla de él a través de las distintas
publicaciones. En ellas pretendemos explicar cuales han sido las tendencias más
importantes y de quienes proceden, a nuestro juicio, las aportaciones más
interesantes. En este contexto queremos inicialmente destacar algunas figuras que han
sido vitales para el posterior desarrollo historiográfico. En el siglo XVIII
contamos con el polígrafo José de Viera y Clavijo, natural de El
Realejo, en la isla de Tenerife, autor de una Historia de Canarias, de quien el
profesor Elías Serra Rafols dijo lo siguiente: "Las Islas Canarias han
tenido la suerte de contar, desde fines del siglo XVIII, con una clara síntesis
de su historia con categoría de clásica. Una construcción
histórica armónica, a la cual todo aquel que ha pensado en el pensado de
ella se ha podido referir cómodamente como base indispensable".
En el siglo XIX destacan dos figuras señeras: Agustín Millares Torres y
Gregorio Chil y Naranjo, ambos naturales de Gran Canaria, considerados como prototipos
de nuestras historia liberal burguesa, en razón del propio contexto
ideológico y científico en que vivieron. A estos, según A.
Millares Cantero, les caracterizan cuatro notas diferenciadoras: aplicación de
los métodos experimentales; recepción del darvinismo e idea del devenir
histórico como un proceso inductivo; optimismo colectivo y creencia en un
progreso indefinido y pervivencia de elementos rusonianos al exaltar al hombre
primitivo de las islas. En el siglo XX, en el campo de la arqueología y de
la prehistoria fue de vital importancia la llegada a la Universidad de La Laguna el
arqueólogo Manuel Pellicer Catalán, quien con su presencia los estudios
sistemáticos de la arqueología canaria adquirieron un gran desarrollo
con demostración incluso de estratigrafías en los yacimientos canarios,
negadas hasta esos momentos. A el hay que unir para los estudios históricos a
las figuras de E. Serra Rafols y A. de Bethencourt Massieu, verdaderos animadores e
impulsadores de la Historia de Canarias, desde sus respectivas cátedras de la
Universidad de La Laguna. Ambos consiguieron motivar e impulsar a un numeroso grupo de
entusiastas de la historia, dispuestos a valorar la fuentes con las consulta
exhaustiva de documentos, tanto los conservados en el archipiélago como en los
Archivos nacionales, para situar los acontecimientos en el lugar que les
correspondía, con unas fuentes de primera mano para construir nuestra historia,
y a la vez analizar y profundizar en las lagunas históricas que se
debían cubrir. Con su impulso los estudios sistemáticos de la Historia
de Canarias han adquirido un desarrollo inusitado. Hasta aquí podemos
distinguir al menos cuatro fases, que podrían incluso ampliarse a cinco, por
las cuales ha pasado el interés para conocer la realidad histórica
canaria.
Primera fase.
Esta se inicia desde el momento en que las islas toman
contacto con Europa a través de los navegantes y misioneros que arriban a
ellas, y se produce lo que ha denominado el "redescubrimiento" del
archipiélago, y se continua con crónicas, descripciones de viajes,
relatos y primeras historias, cuya duración puede llegar hasta los inicios del
siglo XIX. Los detalles que se aportan en los mismos, inciden más en la
etapa prehispánica y en la conquista que en el resto, aunque luego en los
siglos XVII y XVIII ya se van dando a conocer aspectos interesantes de la nueva
colonia. Los detalles que figuran en ellos son prolijos con interpretaciones, a veces,
más míticas e imaginativas que propiamente científicas, pero que
han servido para penetrar en la vida del hombre prehistórico canario,
interpretado y valorado siempre desde la perspectiva del vencedor, el cual acomoda
instituciones, economía, sociedad y administración a su esquema mental,
tergiversando, a veces, la realidad. En este período y por orden de
aparición destacan el relato atribuido a Bocaccio y conocido como la
crónica de Ciompi o de Recco, donde se da por primera vez una visión del
mundo insular; las crónicas francesas de la conquista, referidas
preferentemente a Lanzarote y Fuerteventura, donde a aspectos que describen las
costumbres de los indígenas, se unen los comentarios sobre los pasos seguidos
en el proceso de la conquista; las descripciones de Cadamosto, quien mantuvo amplias
relaciones con Lanzarote; las crónicas de la conquista de Gran Canaria en sus
distintas versiones "Ovetense", "Matritense", "Lacunense", además de las del
licenciado López de Ulloa, la de Antonio Sedeño y la Pedro Gómez
Escudero, junto con las referencias que se encuentran en las décadas de Alonso
de Palencia, en el capítulo de Diego de Valera y de Andrés
Bernáldez, cuyo contenido es variado. A esto, pasada ya la época de
la conquista, se unen distintas descripciones realizadas en el siglo XVI, unas de
naturales de las islas y otras de extranjeros, donde se alude a la riqueza de la
tierra, a sus producciones, a sus hombres y a su gobierno. Tales son: las del
tío del licenciado Valcárcel, la de Thomás Nichols, mercader
inglés, el cual, sin tener el método ni la intención que se
hubiesen requerido para escribir la historia de las islas tuvo la curiosidad de un
historiador; la del azoreano Gaspar Frutuoso, quien a pesar de no haber estado en las
islas, según nuestra opinión, es el primero que intenta hacer una
historia comparada de los archipiélagos atlánticos,
introduciéndose en el campo de la geografía y de la geología,
aspectos que conjuga junto con los económicos y administrativos; por
último tenemos dentro de este grupo la descripción del humanista e
ingeniero italiano Leonardo Torriani, enviado a las islas por Felipe II con el encargo
de confeccionar un plan defensivo del archipiélago, por cuyo motivo
reconoció cada una de las islas y dio noticias interesantes sobre el mundo
aborigen y la nueva población que se genera tras la conquista, describiendo
asimismo los núcleos urbanos más importantes, aunque se trata en
definitiva de una relación oficial de interés político.
También pertenecen a esta etapa las historias de Alonso de Espinosa y de Juan
Abreu y Galindo. El padre Espinosa, quien escribe en el último tercio del siglo
XVI, muestra curiosidad por la historia insular; en la misma se muestra
discípulo del padre Las Casas, al hacer un tipo de historia proindigenista, de
tal manera que su interés por los naturales canarios es lo que lo transforma en
historiador. Otro tanto podemos decir de la obra de Abreu y Galindo, quien
bebió en las fuentes anteriores, y sobre todo en las crónicas,
realizando un texto con criterios y categoría de historiador, con capacidad
critica y con un método y claridad de exposición propios. Para los
siglos XVII y XVIII destacan, a nivel general para todo el archipiélago, las
obras de Juan Núñez de la Peña, Marín de Cubas, la del
narrador Castillo y Ruiz de Vergara, y la valiosa edición de José de
Viera y Clavijo. A Núñez de la Peña debemos Conquista y
antigüedades de la isla de la Gran Canaria y su descripción, obra que
fue criticada por Viera y Clavijo, y valorada en sus justos términos por don
Lope de la Guerra, quien dice de ella "No he visto cosa que no haya reparado en sus
manuscritos, a excepción de los milagros y otras cosas que parecían
piedad en aquellos tiempos". De Marín de Cubas indicaron Millares Torres y D.
Wölfel, que era la obra de un autor de importancia superior en muchos casos, a
otros cronistas, por el mejor conocimiento de la etnología prehispánica
y de la prehistoria de Canarias, siendo considerado como el último de nuestros
cronistas mayores, con una concepción arcaizante de la historia. De la obra de
Castillo se ha dicho que no es mera historia, sino la primera geografía
canaria, porque percibe que el tiempo sin la función del espacio es algo
ininteligible, y a la vez no reduce la historia a una relación de sucesos sino
que coloca a las islas en un amplio horizonte, con lo cual realiza una obra de madurez
y elaboración. Pero sin lugar a dudas, la figura más señera de
la historiografía canaria de esta época, e incluso de la posterior, es
Viera y Clavijo, arcediano de Fuerteventura, escritor de fina y elegante pluma, que lo
convierten en el valor intelectual más importante de Canarias en el siglo
XVIII. Su historia está elaborada a base de documentación original, ya
consultada directamente por el ya por los distintos corresponsales que tenía
distribuidos en todas las islas. Su obra ha servido de arranque a toda la
historiografía canaria posterior. No ha sido superada por una visión
similar de conjunto de la Historia de Canarias. Acaso debe su perdurabilidad a su
calidad literaria y a su prosa culta, junto a los criterios de autoridad.
Segunda fase
Este período que abarca hasta la primera mitad del siglo XIX, coincide con el
ambiente romántico, y convierten a esta época en estéril e
inoperante para la ciencia histórica, pues la sociedad imbuida de las
teorías rusonianas de la vuelta a la naturaleza y a la búsqueda del
pasado, se lanza a la recopilación de restos arqueológicos y de
documentos con afanes meramente coleccionistas, causando un grave perjuicio, sobre
todo en los yacimientos, imposibiltando su posterior estudio.
Tercera Fase
Es una etapa brillante y representa el clasicismo en el campo de la
arqueología, aunque también se analiza en la historia. En esta fase que
comienza a mediados del siglo XIX y perdura casi un siglo el interés más
manifiesto se debe al estudio de los restos humanos aborígenes, y al mismo
tiempo se plantea por primera vez el problema de la antropología y de la
etnología canaria, ofreciendo una primera síntesis el francés
Sabin de Berthelot, con una obra de carácter enciclopédico donde la
historia de los aborígenes canarios toma un nuevo impulso, en
compañía de Barker Webb. Su papel fue el de un compilador de datos,
tomados de las crónicas y de los hallazgos de la época, sintiendo igual
preocupación por los restos históricos, los datos etnográficos y
las ciencias de la naturaleza; junto a ellos R. Verneau destaca por introducir en
Canarias las técnicas y los criterios más avanzados de su tiempo en los
campos de la antropología física y de la prehistoria. En los estudios
de etnografía canaria destaca el doctor don Gregorio Chil y Naranjo, primer
impulsor hispano de los estudios canarios con talla científica, aportando
abundantes y valiosos materiales, y a quien se debe la fundación del Museo
Canario en 1879. Durante bastante tiempo se preocupó por recopilar cuanto se
había escrito hasta su época sobre Canarias. La publicación en
1876 de sus Estudios históricos, climatológicos y patológicos
de las Islas Canarias, puede considerarse un hito de primer orden en el proceso de
arranque de nuestra historiografía, según los criterios
científicos arraigados en Europa, además de considerarsele como el
introductor del darvinismo y el progenitor de las investigaciones
antropológicas, realizadas posteriormente en el Museo Canario. Con él
y con Millares Torres, se marca una línea laica en el saber histórico,
frente a la presencia del clero de los períodos anteriores. La
concepción histórica de Millares está imbuida de su
preocupación por una labor erudita derivada de la escuela alemana, dando un
valor fundamental a las fuentes, pues fue un buscador de manuscritos y de archivos
incansable, con una visión científica de la historiografía, al
afirmar que la historia no es una simple enumeración de hechos, sino el
producto de su interrelación con las ciencias afines. A él se deben
varias obras como son su Historia General de las Islas Canarias, o la
Historia de la Inquisición en Canarias. Hubo otros autores canarios
en esta época dignos de mención como Wangëmert y Poggio y Osuna van
der Heede, a quien de sede El regionalismo en las Islas Canarias . Desde el
punto de vista bibliográfico cabe incluir en esta fase la aparición de
dos revistas canarias especializadas en los temas históricos: "El Museo
Canario", creada a fines del siglo XIX, y la "Revista de Historia", cuyo máximo
desarrollo se conoce en la siguiente fase. Cuarta fase
Arranca desde el primer tercio del presente siglo y evoluciona hasta los momentos
actuales; se asiste en ella al momento de afirmación de la
historiografía insular canaria. En el campo de la arqueología se asiste
a su organización y en la antropología se da un gran paso en el estudio
de los restos de los primitivos canarios, lo mismo que en la lingüística,
aunque no cabe duda que el mayor avance en este campo se produce con la
creación del Departamento de Arqueología, Prehistoria y Etnología
de la Universidad de La Laguna, bajo la dirección de los profesores Pellicer y
Acosta, momento en que se inicia la elaboración de la carta arqueológica
del archipiélago. En el campo de la historia propiamente dicha surgen nuevas
escuelas y se relanzan las publicaciones, tanto desde las propias revistas
especializadas como desde las instituciones, con la aparición de novedosas
monografías. Tres figuras singulares destacan en esta época: A.
Millares Carlo, E. Serra Rafols y A. Rumeu de Armas. El primero ligado a la Revista
"El Museo Canario", pues en 1933 inició la tercera etapa y la más
fecunda, de acuerdo a las técnicas y tendencias historiográficas en
boga, abrió nuevos cauces a la investigación histórica canaria.
Aunque parte de su vida la hizo fuera de las islas, incidió directamente sobre
ellas promoviendo y apoyando vocaciones históricas. El profesor Serra Rafols,
unido a la Revista de Historia y al Instituto de Estudios Canarios, desde su
cátedra de Historia de la Universidad de la Laguna inició una ardua
labor, pues adquirió conciencia de que era imposible escribir una historia
insular mientras las fuentes históricas permanecieran inéditas, de
ahí que comenzara con la edición de las mismas, recogidas en la
colección Fontes Rerum Canariarum, en colaboración con sus
discípulos, que han sido dignos seguidores de su labor como L. de la Rosa
Olivera y M. Marrero. De él se ha dicho que luchó, denonadamente, a lo
largo de su vida, contra los tres enemigos mortales del verdadero historiador: los que
engañan, los que destruyen y los que ocultan. Esto le llevó a hacer un
replanteamiento nuevo, una reconstrucción de la Historia de Canarias,
desprovista de la anécdota y encarrilada por los cauces de la
historiografía moderna. Las décadas siguientes han sido decisivas
parta dar el salto cualitativo de la historiografía canaria, y aquí
entra en escena el profesor Antonio Rumeu de Armas. Con más de 150
títulos a sus espaldas, muchos de ellos referidos a cuestiones insulares, nos
ha enseñado que la historia de Canarias no puede ser realizada solo desde el
archipiélago, sino que por el contrario es necesario consultar y confrontar los
archivos nacionales y extranjeros, dándonos prueba de ello en su magna obra
Piraterías y ataques navales contra las Islas Canarias; es ésta
quizá una de las más importantes de su producción, en referencia
a Canarias, sin menoscabo de otras que abarcan tanto aspectos de la etapa medieval
como aquellos otras que analizan parte del fin del Antiguo Régimen. La misma va
más allá del título, realizando un profundo estudio de todos
aquellos aspectos en los cuales incidía la piratería: población,
economía, administración, fortificaciones y sociedad. Junto a su
labor personal, bastante valiosa, donde se nos ha enseñado a todos los que nos
preocupamos por la Historia de Canarias, abre ese magisterio hacia el exterior a
través del "Anuario de Estudios Atlánticos", bajo cuya dirección
se encuentra desde 1955 y que va ya por el número 40, por su continuidad, por
los temas tratados, por la calidad, por la nómina de los colaboradores y por la
abundancia de trabajos en el editados, convirtiéndose en la más completa
publicación periódica del archipiélago. Junto a estos tres
grandes maestros de la Historia Canarias, habría que incluir toda una
pléyade de historiadores que tanto dentro como fuera de las islas se han
preocupado de enfocar los temas canarios desde todas las ópticas posibles, tal
como han hecho los profesores Peraza de Ayala y Morales Padrón; este
último, en especial, en lo que toca a la dimensión atlántica del
archipiélago en conexión con el Nuevo Mundo durante la etapa colonial,
pero ambos con obra sobre el comercio canario-americano. El profesor Morales
Padrón ha impulsado también en las islas los estudios canario americanos
con la dirección y edición de los "Coloquios de Historia
Canario-Americana", que van ya por su onceava edición, en donde han participado
un elenco importante de historiadores tanto insulares como foráneos. En
estas últimas décadas es cuando se ha operado el salto cualitativo de la
historiografía canaria, con el apoyo institucional prestado al conocimiento
histórico, tanto desde el Cabildo Insular de Gran Canaria como de la
Universidad de La Laguna primero y luego de la de Las Palmas de Gran Canaria, como
viveros de especialistas en sus distintos departamentos. La Universidad de La Laguna,
una vez que se crea la división de Geografía e Historia, abre un campo
amplio para la formación de investigadores, donde se han elaborado infinidad de
estudios con nuevas orientaciones metodológicas. Aquí es de
reseñar la labor y el empuje decidido a la investigación del profesor
Antonio de Bethencourt Massieu, desde que se incorporó a la cátedra de
Historia Moderna de la citada universidad, dirigiendo la Revista de Historia, como
orientando tesinas y tesis doctorales. El papel del profesor Bethencourt en la
historiografía canaria de las dos últimas décadas es vital, en
especial en las áreas de Historia Moderna y Contemporánea. Sus propias
investigaciones y los trabajos por él dirigidos más las aportaciones de
sus alumnos han permitido roturar y conocer amplias parcelas de la historia. Desde su
llegada a la Universidad de La Laguna tuvo como norte la formación de un grupo
de historiadores que aunaran esfuerzos para desentrañar la historia regional,
pero con una preocupación clara que puso de manifiesto cuando se expresaba en
los siguientes términos " no quisiéramos en el futuro dar una muestra
estrecha, exclusivamente limitada al horizonte de nuestras islas, sino otro bastante
más amplio, como pueden ser el de las interrelaciones de las mismas con su mar
circundante y los continentes". En esta línea fue consciente de que era
necesario primar estudios y monografías de ámbito local y comarcal, de
acuerdo con la nueva metodología, para al cabo del tiempo llegar a
consideraciones generales y a conseguir conclusiones de largo alcance. Con
elementos humanos y materiales, se comenzó a roturar el pasado insular,
dirigido en dos direcciones: Historia Moderna e Historia Contemporánea.
Así fue como formó una generación de investigadores, que amen de
las áreas citadas se dedicaron también a las áreas de Historia de
América y a la Historia Económica. Todos ellos, pues, profesionales de
la Historia que desde los distintos departamentos de las universidades canarias han
continuado dicha labor ampliando la historiografía canaria, entre los que cabe
citar a A. Macías Hernández, V. Suárez Grimón, E. Torres
Santana, M. Lobo Cabrera, A. Sánchez Enciso, T. Noreña Salto, A.
Millares Cantero, O. Brito, J. Hernández y M. de Paz, todos ellos con obra
publicada. Igualmente han de tenerse en cuenta en esta fase la labor desarrollada
en el área de Historia Medieval por los profesores Ladero Quesada, E. Aznar
Vallejo y M. Marrero. En este sentido en estas últimas décadas la
historiografía regional canaria ha avanzado con una renovación y una
mayor riqueza de planteamientos, no solo por abordar nueva temática, sino por
la preocupación metodológica iniciada por sus autores, que han abierto
vías para esclarecer los grandes aspectos del desarrollo histórico.
BIBLIOGRAFÍA
Quisiéramos advertir que seleccionar una
bibliografía sobre Canarias entraña un riesgo ineludible, pues siempre
quedarán autores por citar y obras por reseñar. Por ello sólo
citamos a nuestro juicio las obras más relevantes, entendiendo que en las
revistas citadas en el texto existen trabajos de primera línea en importancia,
pero creemos que ello va incluido en el índice general de las revistas
insulares.
ABREU Y GALINDO, Fr. J.: Historia de la Conquista de las siete islas de Canaria, S/C.
de Tenerife, 1955
ACIRON ROYO, R.: Prensa y enseñanza en Canarias, S/C. de Tenerife, 1981
ALCARAZ ABELLÁN,J.: La resistencia antifranquista en las Canarias
Orientales, 1939-1960, Las Palmas de Gran Canaria, 1991
ALVAREZ RIXO,J.: Cuadro Histórico de las Islas Canarias de 1808 a 1812, Las
Palmas de Gran Canaria, 1955
ALZOLA, J.M.: La rueda en Gran Canaria, Las Palmas, 1968
ARBELO GARCÍA, A.: La burguesía agraria en el valle de La Orotava
(1750-1823), La Orotava, 1987
ARCO AGUILAR, M.C. y NAVARRO MEDEROS, J.F.: Los aborígenes, S/C. de
Tenerife. 1987
ATLAS BÁSICO DE CANARIAS, S/C. de Tenerife, 1990
AZNAR VALLEJO,E.: La integración de las Islas Canarias en la Corona de Castilla
(1478-1526). Aspectos administrativos, sociales y económicos, Sevilla-La
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BERGASA PERDOMO, O. Y A: GONZÁLEZ VIÉITEZ: Desarrollo y subdesarrollo de
la economía canaria, Madrid, 1969
BERNAL, A. M. y OTROS: Las Islas Canarias, Madrid, 1981
BERTHELOT, S.: Etnografía y Anales de la Conquista de las Islas Canarias,
Las Palmas de Gran Canaria, 1977
BETHENCOURT ALFONSO,J.: Costumbres populares canarias de nacimiento, matrimonio y
muerte, S/C. de Tenerife, 1985
BETHENCOURT MASSIEU, A.: Ataques ingleses contra Fuerteventura, 1740, Puerto del
Rosario, 1992
______, Canarias e Inglaterra: el comercio de vinos (1650-1800), Las Palmas,
1991
A INVESTIGAÇÃO E
DIVULGAÇÃO
DO CONHECIMENTO HISTÓRICO
INSULAR
A HISTORIOGRAFIA
AÇORIANA:
a problemática da identificação e a
participação da Universidade
1. A QUESTAO DO CONCEITO
AS ILHAS DE CABO VERDE
DE UM TEMA QUASE
IGNORADO A UM PROJECTO PIONEIRO
A história de arquipélago de Cabo Verde tem sido um terreno marginal nos
estudos e atenções da historiografia ultramarina portuguesa. O
prestígio de áreas geográficas do império português,
como a Índia, o Brasil ou mesmo o Japão ofuscou outras regiões
cuja evolução foi mais discreta ainda que de igual importância
para a História geral da expansão lusa. Esta realidade
historiográfica reflete, na nossa opinião, a própria atitude das
autoridades da metrópole relativamente às ilhas de Cabo Verde:uma
região estratégica que embora não estivesse no centro dos
interesses régios convinha dominar por razões de soberania
marítima. SANTOS
, Maria Emília
Madeira
LA HISTORIOGRAFÍA CANARIA
Las Islas Canarias a lo largo de su devenir histórico han contado con una base
historiográfica particular y diferenciada, si la comparamos con el resto de la
producción nacional, y a la vez propia de unos hitos en los cuales se han visto
inmersas. Sin embargo, en cuanto a la producción y publicistica relacionada con
su historia, tenemos que decir que nacen en relación al mundo conocido, esto es
hacia Europa, entre fines de la Edad Media y los albores del Renacimiento.