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A cinza das fornalhas serve para fazer decoada e esta para limpar o caldo da cana nas caldeiras e para que saia o açúcar mais forte. Para isso, arrasta-se com rodo de ferro até à boca das fornalhas pouco a pouco a cinza e borralho e daí com uma pá de ferro se tira e se leva sobre a mesma pá para o cinzeiro, que é um tanque de tijolo sobre pilares de pedra e cal, de figura quadrada, com suas paredes ao redor e aqui se conserva quente e, assim quente, se põe nas tinas, que para isso estão levantadas da terra sobre uns esteios de três palmos. Aí, depois de bem caldeada e arrumada, se lhe bota água, tirada de um tacho grande que está fervendo sobre a sua proporcionada fornalha perto do cinzeiro. E para isso serve a água que passa pela bica que vai à casa das caldeiras; e coando esta agua pela cinza, até passar pelos buracos que têm as tinas no fundo, cobra o nome de decoada e vai cair nas formas ou vasilhas enterradas até à metade e daí se tira com um coco e se passa em um tacho para a casa das caldeiras, aonde se reparte pelas formas que estão postas entre as caldeiras e serve para os caldeireiros ajudarem com ela ao caldo, como se dirá em seu lugar(...). (Antonil, Cultura e opulência do Brasil.1711)
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O processo de cozedura foi também alvo de inovações tecnológicas: |
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