Wallis (Samuel), V. Expedições cientificas (volume I, página 428).
Walsingham (Lord). E.: Catalogue of the Pterophoridae, Tortricidae and Tinidae of the Madeira Islands, with notes and descriptions of new species (Trans. Ent. Soc. Lond, IV, 1894).
Waters (A. W.). Menciona oito espécies de membraniporideos madeirenses no seu artigo intitulado Observations on the Membraniporidae (Linn. Societ Journ, XXVI, 1898). Escreveu também um artigo intitulado Bryzoa of Madeira, no Jornal da Real Soc. de Microscopia (1899).
Watson (Roberto Boog). Doutor em leis e conquiliologista inglês que entre os anos de 1864 e 1874 estudou as conchas marinas da Madeira, ao mesmo tempo que exercia as funções de capelão duma das igrejas protestantes do Funchal. É já falecido (1921). Escreveu um trabalho intitulado On the Marine Molusca of Madeira (Journ. Linn. Soc, XXVI, 1897), tendo-se ocupado do mesmo assunto, em 1873, nas Memorias da Sociedade Zoologica de Londres. Watson, no seu trabalho publicado em 1897, menciona 382 espécies de moluscos marinhos, descrevendo 35 por ele reputadas novas.
Como o seu compatriota Wollaston, Watson procurou por vezes amesquinhar nos seus trabalhos outros naturalistas, o que não é próprio dum homem de ciência e muito menos dum padre, embora protestante.
As conchas de Watson pertencem hoje ao malacólogo inglês Tomlin, segundo se lê numa carta enviada para esta cidade(1921).
Webb (Felipe Baker). Distinto botânico inglês muito conhecido pelos seus estudos sôbre a flora das Canárias. Nasceu em Milford em 1793 e morreu em 1853, tendo estado na Madeira, em 1828, onde se demorou alguns meses, com o fim de estudar a flora desta ilha. Visitou também o Porto Santo.
Wuellerstorf-Urbair (Comodoro). Era o comandante da fragata austríaca Novara, que fez uma viagem á roda do mundo em 1857, 1858 e 1859. Na obra que tem por título Reise der Oesterreichischen Fregatte Novara um die Erde (Viena, 1861), há um capítulo em que o Comodoro Wuellerstorf-Urbair paga o justissimo tributo da sua admiração á ilha da Madeira, onde se demorou desde 8 a 17 de Junho de 1857. Este capítulo, na parte em que se refere à nossa ilha, foi traduzido por João Felix Pereira e publicado na Lampada (n.os 25 a 37, de 31 de Maio a 10 de Setembro de 1873), havendo também uma tradução feita pelo ilustre escritor José Maria Latino Coelho, que apareceu na Revista Contemporânea e foi reproduzida nos n.os 2279 e seguintes do extinto Diário do Comércio, do Funchal.
Welwitsch (Dr. Frederico). Botânico austríaco muito conhecido pelos seus estudos sobre a flora de Portugal e de Angola. Esteve na Madeira em 1853, onde se demorou muito pouco tempo, tendo no ano anterior proposto ao governo a criação de dois jardins de aclimação, um em S. Paulo de Luanda e a outro no Funchal, de modo que este ultimo recebesse as plantas tropicais destinadas a ser transportadas para climas mais frios, e as plantas destes climas que houvesse vantagem em cultivar nas regiões quentes. Conseguida a adaptação de tais plantas ao nosso clima, seria depois fácil fazê-las vegetar em países mais frios ou mais quentes que o nosso. As poucas plantas colhidas por Welwitsch na Madeira em 1853, estão no herbario da faculdade de ciências da Universidade de Lisboa. E.: Aforismos acerca da fundaçâo dos jardins de aclimação na Ilha da Madeira e em Angola, na Africa Ocidental(1921).
White (Roberto). Súbdito inglês que residiu alguns anos na Madeira e que escreveu em 1851 um interessante e valioso trabalho intitulado Madeira, its climate and scenery. Em 1850 e 1851, fêz observações meteorológicas no Funchal e em Machico.
Em 1857, ainda em vida de White, apareceu uma segunda edição da sua obra, editada e acrescentada por James Yate Johnson(V. este nome).
Wilkes. (Tenente Carlos). V. Expedições cientificas (volume I, página 428).
Wilson (Miss Mary Jane). Nasceu esta distinta senhora em Madrasta, na Índia Inglesa a 3 de Outubro do ano de 1840. Fixou residência na Madeira em 1880 e dois anos depois estabeleceu um colégio no palácio de São Pedro, a que pôs o nome de St. Georges High School e que foi muito frequentado pelas raparigas da melhor sociedade funchalense. Tendo, por 1892, encerrado o colégio, reedificou, a custa de esmolas, o antigo hospital da vila de Santa Cruz e ali recebeu alguns doentes e instalou uma farmácia, prestando assinalados serviços aos doentes e pobres daquele concelho. Foi a fundadora duma comunidade religiosa diocesana, que, em serviços hospitalares e ministrando a instrução em muitas escolas dispersas por várias freguesias, se tornou credora dos maiores elogios e da gratidão dos povos desta ilha.
Em 1907, por ocasião duma epidemia de varíola, tomou Miss Wilson a direcção do hospital de isolamento estabelecido no Lazareto de Gonçalo Aires, em circunstancias muito graves e em que se receavam as consequências mais lamentaveis, mas tão assinalados foram os serviços então prestados por aquela ilustre senhora, que logo se dissiparam os infundados receios que tinham nascido no espírito de muitos, ainda sob a impressão das desgraçadas ocorrências que se deram em Janeiro de 1905.
A êste respeito, disse no antigo Heraldo da Madeira, um dos autores desta obra:
«Miss Wilson, pondo a sua abnegação sem limites e a sua grande e nunca desmentida caridade em favor dos infelizes variolosos, sem mira no mais pequeno interesse ou no mais insignificante galardão, colocou-se na mesma plana dos grandes bemfeitores da humanidade que, fazendo o bem só pelo bem, aspiram apenas ao aplauso da própria consciência e às recompensas na vida de além do túmulo.
«A par dessa caridade incomparável ha no seu coração bondosissimo tantos tesouros de ternura, de carinho e de meiguice, que é ela no lazareto a verdadeira providencia dos enfermos, sempre com o riso da esperança e da consolação a iluminar-lhe a fronte.
«O povo na sua ignorância, na sua demasiada credulidade, habilmente exploradas pelos que só deviam ser seus verdadeiros mentores e guias, transformou o lazareto numa prisão de Ugolino ou numa caverna de Caco, onde os doentes sofriam as maiores sevícias, que iam dos ultrajes ao pudor até aos mais nefandos assassinatos. Tudo isso que não passou duma lenda, que foi apenas o objecto duma negregada especulação, converteu-se para o grande publico numa crença inabalável, numa verdade axiomática, que impossível seria desfazer ou destruir.
Miss Wilson teve que lutar tenazmente com esses arreigados preconceitos, superstições e terrores. Não foi sem grandes receios que os primeiros variolosos deram entrada no hospital de isolamento. A breve trecho, porém, se quebrou por completo o encantamento. Aqueles fantásticos horrores vão-se pouco a pouco diluindo, e no lazareto só foram encontrar a flama ardente da caridade a fulgurar intensamente num coração de mulher.
«Hoje é ali o génio do bem a espargir benefícios a flux, um foco de brilhante luz a alumiar tantas inteligências, um iris de paz e de esperança a acalentar corações atribulados».
Miss Wilson, com a implantação do novo regimen político, teve que abandonar a Madeira, mas regressou ao Funchal, vindo a falecer na casa do antigo convento de São Bernardino, em Câmara de Lobos a 18 de Outubro de 1916. A 15 de Abril de 1939, realizou-se a trasladação dos seus restos mortais para a capela do edifício, à rua do Carmo, em que se encontra a sede da congregação religiosa de que fora a fundadora.
Mary Jane Wilson, como acima se diz, fundou no ano de 1884 uma congregação religiosa diocesana, a que deu o nome de Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitorias, tendo recebido a inteira aprovação das autoridades eclesiásticas. Esta Congregação, que particularmente se destina aos trabalhos hospitalares e ao ensino elementar das crianças pobres, tem prestado entre nós os mais relevantes serviços, que todos sem excepção reconhecem, e sempre com o maior zelo e com a maior dedicação, não sendo hoje possível dispensar-se a sua benéfica acção na direcção dos estabelecimentos de assistência que lhe estão confiados. É já considerável o numero dos seus membros que abnegadamente trabalham nas missões evangélicas da Africa Portuguesa.
Winter (Dr. Hermann). Briologista alemão que herborizou na Madeira nos principios do ano de 1912. E.. Beitrage sur Kenntnis der Laubmoosflora von Madeira und Teneriffa (Hedwigia, LV, 1914).
Wollaston (T. Vernon). Naturalista inglês que esteve no nosso arquipélago por quatro vezes, sendo a primeira em Outubro de 1847 e a ultima no verão de 1855. Coligiu importantes materiais zoológicos nas diferentes ilhas do arquipélago, especialmente nos ramos da entomologia e da malacologia, e tentou visitar as Selvagens, a bordo dum iate de recreio, não conseguindo porém desembarcar naquelas ilhas. E.: Insecta Maderensia, Londres, 1854; Catalogue of the Coleopterous Insects of Madeira, Londres, 1857; Testacea Atlantica, Londres, 1878; etc.. Esta ultima obra compreende a fauna malacologica dos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias, Cabo Verde e Santa Helena.
Wollaston, como malacologo, está muito longe de poder ombrear com o barão de Castelo de Paiva, Albers e outros, e, como entomologista, é acusado de haver criado, sem necessidade, muitas espécies novas.
Os exemplares zoológicos que pertenceram a T. Vernon Wollaston, estão quasi todos depositados no Museu Britanico, havendo porém uma colecção de conchas na posse dum tal Preston, comerciante de objectos de historia natural (1921).