Ribeiras. Estes aquedutos naturais que correm geralmente nos leitos de profundos e apertados vales, são bastante numerosos nesta ilha e de caudais muito abundantes na quadra invernosa. Nascem nas faldas da cordilheira central e vão lançar-se no oceano, tendo algumas delas correntes subsidiárias, que lhes aumentam o volume e a rapidez do seu curso. «Todas, no inverno, diz o ilustre anotador das Saudades, trazem água abundante, frequentemente torrencial: enchem então, e, por vezes, transbordam, arrastando das montanhas milhares de toneladas de penedos mais ou menos grossos, muitos tamanhos que depois, só em pedaços podem ser removidos, e todos, rolando na torrente uns de encontro aos outros, produzem no choque sinistro ruído, até que, obstruindo os leitos das mesmas ribeiras, os tornam sobranceiros aos terrenos marginais, e estes, quando obstruidos não ficam, são arrastados pelas águas transviadas a muita distancia, mar dentro, desfeitos em lodo; no verão porém, os veios de água tornam-se-lhes escassos, e chegam em algumas ribeiras a secar, em consequência dos desvios, já para regas marginais, já para as levadas, que, tomando ai as águas correntes, as transportam a fertilizar remotas culturas em toda a superfície do litoral da ilha». Estas ribeiras transformam-se de quando em quando em caudalosas correntes, que, saindo dos seus leitos e invadindo as margens que as ladeiam, arrastam violentamente grandes extensões de terrenos cultivados, currais e até casas de habitação, causando, por vezes, consideráveis prejuízos pessoais e materiais aos moradores das suas vizinhanças.

As principais ribeiras que existem na Madeira são as seguintes:

Ribeira de Machico. Tem origem nos Lamaceiros e Portela do Porto da Cruz, e os seus principais afluentes são a ribeira Seca e os ribeiros do Alcanforado, da Ermida, Escuro, das Cales e da Cova.

Ribeira de Santa Cruz. Nasce em Santo Antonio da Serra e o seu principal afluente é a ribeira da Serra de Água.

Ribeira da Boaventura. Nasce a oeste do pico das Abóboras e recebe as águas dos ribeiros de João Ferino e do Eixo. Fica no concelho de Santa Cruz e é conhecida também pelo nome de ribeira de São Pedro.

Ribeira do Pôrto Yovo. Nasce na serra do Poiso e pico da Silva, e tem por afluentes a ribeira dos Boieiros e os ribeiros de Pedro Lourenço e Hortas.

Ribeira da Caniço. Nasce na Camacha e tem por afluente o ribeiro de Vale Paraíso.

Ribeira de Gonçalo Aires. Nasce no pico do Infante. É muito pouco abundante em águas.

Ribeira de João Gomes. Tem origem na serra do Poiso e nela desemboca a ribeira das Cales. Era conhecida também outrora pelo nome de ribeira de Nossa Senhora do Calhau.

Ribeira de Santa Luzia. Tem origem nos picos do Areeiro e Escalvado, e tem por afluentes os ribeiros do Cidral, dos Frades, do Pisão e do Til. Também lhe chamam ribeira da Praça.

Ribeira de S. João. Nasce nos picos Escalvado e de Santo Antonio, e recebe as águas dos ribeiros de Água de Mel e Santana. Teve outrora as denominações de ribeira de Santa Catarina, de S. Pedro, Grande e de S. Francisco, e é conhecida ainda pelos nomes de ribeira de S. Lazaro e de ribeira de Santo Antonio.

Ribeira dos Socorridos. Tem sua origem nas Torrinhas e os seus principais afluentes são a ribeira de Vasco Gil e os ribeiros do Cidrão, do Gato e da Lapa.

Ribeira do Vigario. Nasce na Achada do Poiso e picos próximos, e nela desembocam os ribeiros do Jardim do Cabral e dos Frades. Também lhe chamam ribeira de Câmara de Lôbos.

Ribeira do Campanário. Tem origem no pico dos Ferreiros e é pouco caudalosa. Também lhe chamam ribeira da Lapa.

Ribeira Brava. Nasce na Cumiada de S. Vicente e tem por afluentes os ribeiros do Poço, do Pico, de Vicente Vaz e da Eira da Moura.

Ribeira da Tabua. Nasce no pico das Pedras e recebe as águas do ribeiro do Barqueiro.

Ribeira da Ponta do Sol. Tem origem no pico da Fonte do Norte.

Ribeira da Madalena. Nasce perto do pico da Urze do Paul e recebe as águas dos ribeiros do Pinheiro e das Amoreiras.

Ribeira da Serra de Água da Calheta. Tem a mesma origem da precedente e recebe as águas dos ribeiros da Aza, Fragueiro e das Meninas.

Ribeira da Calheta. Nasce no Cabeço da Levadinha ou do Lombo do Salão, e tem por afluentes os ribeiros do Cutileiro e do Convento.

Ribeira de S. Bartolomeu. Tem origem nos picos Gordo e da Silva, e o seu principal afluente é o ribeiro do Farrobo.

Ribeira Funda. Nasce nos picos da Silva e da Relva, e tem por afluente o ribeiro do Mendes. É pouco caudalosa.

Ribeira Seca. Nasce no alto da Fajã da Ovelha e recebe as águas dos ribeiros dos Cedros e da Meloeira.

Ribeira dos Marinheiros. Nasce no pico da Fonte do Bispo e é pouco caudalosa.

Ribeira dos Moinhos. Nasce no pico da Fonte do Barro e, como as quatro precedentes, é pouco caudalosa.

Ribeira da Cruz. Nasce no Pico da Pedreira e é pouco caudalosa.

Ribeira do Tristão. Tem a mesma origem da precedente, e tem por afluentes o ribeiro do Calvário e os côrregos dos Agriões e das Lages.

Ribeira da Janela. Tem origem no Paul da Serra,, Fontes do Rabaçal e Assobiadouro, e é uma das mais extensas e caudalosas da ilha.

Ribeira do Seixal. Nasce no pico do Assobiadouro e recebe as águas dos ribeiros das Voltas e das Quebradas.

Ribeira de S. Vicente. Nasce nos picos dos Ferreiros e da Cumeada e recebe as águas da ribeira Grande, ribeiro do Atalho, etc..

Ribeira dos Moinhos. Nasce na Serra da Boaventura e é menos extensa que a do Porco.

Ribeira da Boaventura. Nasce na Boca das Torrinhas e é uma das mais caudalosas da ilha. É conhecida junto da povoação pelo nome de ribeira do Porco.

Ribeira de S. Jorge. Nasce no pico do Canário e recebe as águas dos ribeiros do Canário, Grande e do Tombo da Furna.

Ribeira do Faial. Nasce no pico Ruivo e é também conhecida pelo nome de Ribeira Seca. Recebe as águas da ribeira da Metade e do Ribeiro Frio.

Ribeira do Porto da Cruz. Nasce no pico da Suna e também lhe chamam ribeira da Igreja. É melhor considerar a ribeira do Tem-te-não-caias como continuação da ribeira do Porto da Cruz do que como afluente dela.

No Porto Santo, são dignos de menção a ribeira da Vila, os ribeiros Salgado e do Cochino, e as ribeiras da Serra de Dentro e da Serra de Fora.

Ribeirinho (Beco do). Comunica a travessa do Rêgo com a da Conveniência, junto da Avenida de João de Deus. Foi mais extenso outrora do que hoje é, tendo-se permitido em sessão camarária de 12 de Junho de 1902 que o proprietário da quinta das Rosas o vedasse junto da travessa da Conveniência, com a condição, porém, de dar ao levadeiro da levada das Hortas, para o serviço da levada, uma chave da porta que veda a entrada do beco, do lado da referida avenida.