Relógios. Além do da Sé Catedral do Funchal, existem relógios destinados a indicar ao publico as horas, nas seguintes localidades: S. Martinho, Monte, Camacha, Santa Cruz, Ponta do Sol, Canhas e Estreito da Calheta (1921), Na torre da igreja paroquial de Machico houve outrora um relógio que deixou de funcionar em 1824.
O relógio da igreja de S. Martinho foi inaugurado em 1922; o da igreja do Monte foi adquirido pela fabrica da mesma igreja no tempo do falecido vigário cónego Francisco José Rodrigues de Almada; o da Camacha (V. este nome), que está numa torre ao sítio da Achada, e o de Santa Cruz, foram oferecidos, este pelo falecido R. Blandy e aquêle pelo Dr. Grabham; o dos Canhas, colocado na levada do Poiso, é propriedade dos heréus desta levada; e o do Estreito da Calheta, foi oferecido por um grupo de rapazes naturais dessa freguesia e ausentes na Africa do Sul. Na torre da igreja do Porto Santo desde 1899 que existe um relógio adquirido pela Câmara Municipal.
O actual relógio da Sé Catedral foi oferecido pelo Dr. M. Grabham á Câmara Municipal em sessão de 3 de Agosto de 1914, mas só chegou á Madeira a 8 de Novembro de 1921, a bordo do vapor Walmer Castle. Foi benzido pelo Prelado Diocesano a 23 de Fevereiro de 1922, assistindo á cerimonia o falecido imperador de Austria Carlos de Habsburgo. A 27 de Julho, do mesmo ano, declarou o vice-presidente da Camara que fôra já entregue á Municipalidade o mesmo relogio, tendo a colocação de dois dos ponteiros, o ultimo trabalho que nele se realizou, sido ultimada a 30 de Junho.
O antigo relogio da Sé, apeado a 6 de Dezembro de 1921 para a montagem do relogio oferecido pelo dr. Grabham, foi mandado fazer em 1775, durante o govêrno de João Antonio de Sá Pereira e tem nos seus maquinismos a seguinte inscrição: «Este relogio foi mandado fazer por administração do Ill.mo e Ex.mo Gov.or João Antonio de Saa Pr.a_ Anno 1775 Paulo de França fecit.
Em 6 de Agôsto de 1776 nomeou a Camara o primeiro empregado para cuidar do relogio da Sé, e, desde então, nunca mais deixou o mesmo relogio de estar a cargo da Municipalidade, que era quem nomeava os relojoeiros. Não ha nos registos da Camara nota alguma que explique a maneira como o relogio foi entregue á Municipalidade.
Em 1823, mandou a Camara fazer um grande consêrto no referido relogio, que importou em 85$000 réis e foi executado por José Pedro Pereira, serralheiro, que nada levou pelo seu trabalho «visto ser obra do publico, a quem desejava ser util .. «0 relogio, diz um antigo documento, ficou perfeito, tendo estado para ser abandonado, e em Lisboa ninguem o concertava por menos de 400 patacas».
O primitivo sino das horas do relogio da Sé, partiu-se, ignoramos em que circunstancias, tendo sido substituído por um sino do extinto convento de S. Francisco, requisitado pela Camara em 1835. Pela mesma época, foi trocado por um sino da igreja do Colegio de S. João Evangelista, o sino dos quartos do mesmo relogio. O sino partido foi posta em praça pela Camara e arrematado pela quantia de 2$400 reis cada arroba.
Os quatro mostradores de pedra do antigo relogio da Sé e que foram aproveitados para o relogio actual, têm 2m,3 de diametro, e as letras 0m,35 de altura; os ponteiros, que não puderam ser utilizados por não marcarem os minutos, mediam 1,m35 de comprido.
Nos tempos em que não havia
relogio na tôrre da Sé Catedral, eram as horas anunciadas
ali por um relojoeiro, que foi pago a principio pela renda da
imposição do vinho e depois pelos sobejos dos dizimos
da Alfandega. O documento mais antigo que conhecemos referente
a êsse funcionario é de 11 de Abril de 1713, mas
tudo leva a crer que ja no século XVII houvesse um encarregado
de bater as horas ou algumas delas, visto ser isso uma necessidade
para estabelecer uma certa regularidade nos serviços publicos
e particulares, sobretudo em épocas em que os relogios
de parede e de algibeira eram ainda muito pouco frequentes no
Funchal.