Outorga da Carta. A notícia de ter D. Pedro IV outorgado uma carta constitucional á Monarquia Portuguesa no dia 29 de Abril de 1826 chegou á Madeira a 12 de Julho do mesmo ano.
No dia 14, á noite, estando reunidos em casa de Manuel José da Silveira varios cidadãos afim de festejarem a restauração da monarquia constitucional, foi o predio invadido por um piquete do regimento de infantaria 7, que atacou de baioneta calada os circunstantes, não obstante entre estes se achar o governador e seus ajudantes de ordens. Na refrega ficou ferido o major Adão e o celebre Antonio Manuel Rodrigues, o Aninhas, constitucional exaltado e um dos homens mais robustos do seu tempo, mas por fim foram os soldados compelidos a retirar diante da resistencia oferecida pelos constitucionais, que se serviram das cadeiras, mesas e de tudo quanto havia dentro de casa, para se defender dos seus agressores.
Ordenara o Ministro da Justiça que os prelados fizessem pastorais e mandassem que os párocos explicassem ao povo a Carta Constitucional, mas esta ordem não foi acatada pelo Bispo do Funchal, segundo refere o Defensor da Liberdade, sendo certo que três anos antes havia êle sido pródigo em instruções aos seus subordinados para falarem contra os principios liberais.
Tendo os soldados de infantaria 7 continuado a insultar e provocar os constitucionais resolveu a Camara Municipal em sua sessão de 22 de Agôsto de 1826, solicitar da Infanta Regente a transferencia do regimento, e em 5 de Outubro do mesmo ano pedir ao Governador que o mesmo regimento não continuasse a fornecer rondas para a policia da cidade e que as praças não saíssem do seu quartel depois das 7 horas da noite.
Em 23 de Novembro de 1826, resolveu a Camara agradecer á Infanta Regente o haver atendido o seu pedido relativo á saída do regimento, sendo sòmente depois da retirada das tropas que os constitucionais puderam entregar-se, sem risco de provocações, a manifestações publicas de regozijo pela queda do regimen absolutista.
Apesar da presença do regimento de infantaria n.º
7 na Madeira, houve nos dias 6, 7 e 8 de Agôsto varios festejos
pela outorga da Carta Constitucional. Vid. Proclamção
do Govêrno Constitucional.