Oliveira (Francisco Manuel de). Gozou no seu tempo de certa nomeada como poeta, sendo hoje um nome inteiramente esquecido. Inocencio classificou-o como poeta de segunda ordem, dizendo que as suas composições não eram de todo más, e que se lhe devia a obrigação de tornar conhecidas em Portugal as primeiras amostras de um genero até então de todo ignorado. Refere-se o autor do Diccionario Bibliographico Portuguez, á tradução que fêz Oliveira, valendo-se do texto inglês, de varias poesias escritas nalgumas linguas orientais da India.

Francisco Manuel de Oliveira nasceu nesta ilha no segundo quartel do século XVIII e morreu pouco antes de 1819.

Quando em 1772 se criou nesta cidade a aula publica de filosofia, foi Francisco Manuel de Oliveira provido desta cadeira, que regeu muitos anos, tendo sido jubilado por portaria de 3 de Abril de 1799. Julgamos que também foi professor do Seminario Diocesano, por isso que ali proferiu um discurso na abertura das aulas no ano de 1786. Não conhecemos outras circunstancias da sua vida.

Inocencio da Silva dá a seguinte relação das obras publicadas por Oliveira: Escolha de Poesias Orientaes. . . seguidas de outras varias rimas, Lisboa, 1793, de 61-138 pag.; Colleção Poetica, tomo II, Lisboa, 1794, de 173 pag., sendo a continuação do volume antecedente; Oração... na inauguraçâo do Seminario do Funchal, Lisboa, 1787, de 40 pag.; Ensaio poetico sobre a harmonia do mundo... Lisboa, 1805, de 120 pag.; Principios elementares da lingua Inglesa. . . Lisboa, 1809, de 255 pag.; e a tradução dos Avisos interessantes á humanidade ... Lisboa, 1788.

A uma filha de Francisco Manuel de Oliveira, foi concedida nos tempos do governador Botelho uma subvenção igual a um têrço do ordenado que recebia o pai, em razão dos serviços dêste e da miseria a que ela se achava reduzida.