Naufrágios. A baía do Funchal é abrigada de todos os ventos que não sejam os dos quadrantes desde o sudoeste até o sudeste pelo sul. Os grandes temporais só se fazem sentir ali quando o vento sopra com violencia do lado meridional, vendo-se o mar formar então algumas vezes ondas alterosas que vêm projectar-se com violencia de encontro ás praias. Nessas ocasiões, deixa de haver segurança para os barcos de vela dentro da baía, e se eles não conseguem fazer-se ao largo aos primeiros sinais da tormenta, correm o risco de vir parar á costa e de serem aí despedaçados pelo mar. Entre as muitas tempestades que tem havido no nosso porto, merecem ser mencionadas as seguintes, por causa dos seus efeitos desastrosos.
1757. Em fins de Outubro ou principios de Novembro dêste ano, houve um grande temporal que pôs em risco alguns navios e causou estragos nas obras do pôrto do Funchal (ligação da Pontinha com a terra).
1802. Na noite de 30 de Agosto de 1802, pela 1 hora da manhã, houve uma medonha explosão a bordo dum navio português ancorado no porto do Funchal e que se destinava ao Brasil. Morreram 32 pessoas, 4 das quais eram madeirenses, tendo-se dito que a explosão fôra provocada casualmente por um marinheiro, na ocasião em que se achava no paiol do navio, afim de furtar polvora para vender na cidade.
1804. Em 8 e 11 de Janeiro dêste ano, houve fortes temporais, naufragando duas galeras inglêsas.
1828. No dia 22 de Janeiro, deu à costa, em frente da Alfandega, o bergantim americano Calixto, que em poucas horas foi inteiramente destruído pelo mar, e no dia 1 de Março naufragou na Praia Formosa a galera inglêsa Britannia, morrendo um tripulante.
1834. Deu-se neste ano o naufragio da galera inglêsa Greenwelle, em que morreram cinco tripulantes.
1836. Os grandes temporais do dia 18 de Outubro fizeram dar á costa proximo de Santa Catarina, a barca portuguesa Maria Adelaide e o iate Conceição e Almas, morrendo um tripulante dêste ultimo navio. Na mesma ocasião, naufragou também ali um barco carregado de vinho, vindo do norte.
1842. Em 26 de Outubro dêste,
ano o mar arrojou á praia cinco navios, desaparecendo um
outro, que não tornou a ser visto.
1846. De 8 a 11 de Janeiro, houve grandes vendavais no pôrto do Funchal, que arruinaram as obras do cais, e no dia 10 do mesmo mês deu á costa em S. Lazaro o patacho toscano Duque de Sussex.
1848. Em 10 de Dezembro, perderam-se o iate Senhor dos Passos e a escuna Eugenia, e no dia 31 os iates Fevereiro I.° e Boa Fé, ambos portugueses, e os patachos Delfim e Levant, êste americano e aquêle português. Por ocasião desta ultima tempestade, esteve quasi a dar á costa a corveta de guerra inglesa Daphne.
1858. No dia 5 de Março dêste ano, naufragou no pôrto do Funchal o bergantim inglês Reliance, em consequencia de um forte vendaval, e no dia 15 do mesmo mês teve a mesma sorte o patacho brasileiro Liberato Terceiro, de que era mestre Thomás Whister.
1858. No dia 14 de Novembro, entrou no porto do Funchal, quasi a submergir-se, a galera portuguesa Defensor, em viagem do Rio de Janeiro para um dos portos de Portugal, conduzindo a tripulação e alguns passageiros, na totalidade de 23 individuos. A embarcação vinha de porto infeccionado e o mar estava bastante revôlto, sendo a muito custo que puderam desembarcar 16 pessoas, as quais foram isoladas no antigo forte da Pontinha. As outras ficaram a bordo, recusando fazer o desembarque naquela ocasião, mas durante a noite lançaram um escaler ao mar e pretenderam alcançar a terra, tendo morrido seis delas
e apenas uma pôde ser salva para além do forte de S. Tiago. A galera encalhou na foz da ribeira de Gonçalo Aires, no dia 16 de Novembro.
1872. Um violento temporal que houve a 22 de Dezembro fêz dar á costa para os lados do Lazareto o patacho inglês Champion, morrendo o capitão e mais quatro tripulantes
1875. Na praia em frente da antiga Praça da Rainha, hoje Praça do Marquês de Pombal, encalhou no dia 2 de Fevereiro de 1875 o vapor inglês Soudan. O mar estava calmo, atribuindo-se o desastre á impericia ou descuido dos que dirigiram a manobra do ancoramento.
1876. Neste ano, houve dois grandes temporais na baía do Funchal, o primeiro a 13 de Maio e o segundo a 11 de Novembro. O primeiro fêz dar á costa a escuna inglêsa Orphey, o patacho português Barbosa 2.°, a chalupa portuguesa Moura 7.° e os patachos americanos Maurice e Nellieclifford; o segundo fêz com que tivessem o mesmo fim o barco alemão Fear-Not, o iate português Fontes Pereira de Melo e a escuna inglêsa Theodosia. O Valente, pequeno vapor madeirense, foi arremessado sôbre as rochas, por baixo da Quinta Lambert, a mais de 15 de metros sobre o nivel ordinario do mar, por ocasião das tempestades de Novembro, e já no dia 3 de Janeiro uma tempestade menos violenta que as duas a que nos referimos tinha feito naufragar a barca inglêsa Patagonia, junto a Santa Catarina.
1881. A 6 de Janeiro dêste ano, veio ter á praia, impelido pelo vento sul, o iate português Aliança.
1884. A 26 de Novembro, o mar arrojou á praia a escuna Eulalia e o brigue italiano Torquato.
1892. Os temporais de 28 de Fevereiro
causaram avarias no molhe da Pontinha.
1896. De 26 para 27 de Outubro dêste ano, vieram a terra o brigue frances René Adrienne e o brigue português Comercio, êste na Ribeira de S. Lazaro e aquêle na muralha da Pontinha.
Embora a baía do Funchal seja limitada pelo Cabo Garajau e pela Ponta da Cruz, que distam entre si um pouco mais de 8 quilometros, é para leste do Ilhéu, e em frente da cidade, que os navios costumam lançar ferro, sendo o fundo constituído aí por areias basalticas e algum lôdo. A quantidade de pedras, areia e lôdo que as aguas das ribeiras arrastam todos os anos é consideravel, do que tem resultado o mar da baía se tornar menos profundo e as praias crescerem gradualmente. O pilar de Banger, que, na época em que foi construido (1798) tinha a sua base banhada pelo mar, está hoje afastado dele, e a rua da Praia, os mercados do peixe e da fruta e a Praça do Marquês de Pombal, estão edificados em lugares onde em épocas antigas chegavam as aguas (1921).
Vamos agora dar uma noticia sucinta de outros naufragios ocorridos em vários pontos dêste arquipélago:
Em Março de 1720, dirigia-se um barco de Machico para o Pôrto Santo, conduzindo oito individuos, o qual, sendo surpreendido por um forte temporal, foi arrojado às costas das ilhas Canarias e ali puderam desembarcar. Regressaram dois meses depois ao Pôrto Santo, quando ali todos os julgavam vitimas do temporal.
Por 1730, naufragou naquela ilha, no sitio do Pedregal, onde chamam a rocha do Guilherme, um navio sueco, que vinha da India e conduzia um importante carregamento, tendo perecido alguns tripulantes. Alguns meses depois, veio ao local do sinistro um navio da mesma nacionalidade, que conseguiu salvar uma parte consideravel da carga, e entre esta varios objectos de alto valor e parece que também alguns caixotes com dinheiro.
No principio do ano de 1768, afundou-se nas proximidades da ilha do Pôrto Santo a nau de guerra francesa Balance, de que era comandante o barão de Arras, sendo os seus tripulantes, em numero de 239, tomados por um navio francês que os conduziu ao pôrto do Funchal.
No ano de 1790, submergiu-se no boqueirão do ilhéu de Baixo, no Pôrto Santo, um barco de carreira, carregado de vinho, que do norte da Madeira se dirigia ao Funchal e que impelido por uma grande tempestade foi arrojado àquele local, morrendo tôda a companha, com excepção dum homem que agarrado a uma prancha de madeira pôde alcançar o ilhéu de Ferro.
Um grande sinistro que se deu na travessa do Porto Santo foi o ocorrido na noite de 11 de Janeiro de 1823, em que nove pessoas perderam a vida, não se tendo nunca encontrado vestigio algum do barco ou das vitimas dêste naufragio.
No dia 5 de Dezembro de 1850, saíra do Funchal com destino ao Pôrto Santo um barco pertencente a João Rodrigues Rei e José Alexandre de Viveiros, que tinha como arrais o maritimo Justiniano Joaquim de Sousa e que conduzia a seu bordo além dos seus proprietarios, mais 13 passageiros e 12 homens de tripulação. Na chamada Travessa, foi esta embarcação surpreendida por um rijo temporal, tendo então os donos dela e os passageiros aconselhado e insistido para que os tripulantes demandassem o ilhéu de Cima ou o pôrto dos Frades e não o pôrto da vila, pelo grave perigo a que estavam expostos por ocasião do desembarque. Não foram infelizmente atendidos êsses rogos e conselhos, e, ao tentarem desembarcar, tornou-se o mar mais agitado com a violencia do vento que soprava, e das 27 pessoas que o barco conduzia só se salvaram 12, tendo 15 encontrado morte horrorosa no meio das alterosas vagas que violentamente se quebravam contra a praia. Entre as vitimas, encontravam-se os donos do barco e algumas mulheres e crianças. A noticia dêste sinistro maritimo causou na ilha do Pôrto Santo e ainda na Madeira a mais profunda emoção.
Nesse tempo e em epocas anteriores, eram frequentes os naufragios na travessia feita entre a Madeira e Pôrto Santo, por nela serem empregados barcos chamados de boca aberta ou sem coberta, tendo o sinistro de 6 de Dezembro de 1850 determinado a regulamentação daquele serviço maritimo, proibindo-se então expressamente navegarem entre as duas ilhas embarcações que não estivessem nas condições indispensaveis para isso. A partir dessa epoca, tornaram-se raros os sinistros ocorridos na navegação entre a Madeira e Pôrto Santo.
A escuna portuguesa Maravilha encalhou na praia daquela ilha a 7 de Abril de 1855, não havendo desastres pessoais.
Ao noroeste daquela ilha, perdeu-se a 8 de Março de 1882 um vapor brasileiro, tendo morrido quatro tipulantes.
Ás costas do Pôrto Santo, têm sido arrojadas em diversas épocas varias embarcações, umas abandonadas e outras com as respectivas tripulações, como se pode ver nos Anais daquela ilha.
Na altura da Ponta de São Lourenço, submergiu-se em 1884 o vapor inglês Forerunner, morrendo 14 pessoas, como já dissemos a pag. 44 deste volume.
A duas leguas ao norte da mesma Ponta, naufragou no dia 23 de Fevereiro de 1838 um barco de pesca do pôrto de Machico, tripulado por seis individuos, que todos perderam a vida.
A praia Formosa tem sido teatro de alguns naufragios, dos quais podemos fazer menção dum, ocorrido no dia 1 de Março de 1828, com a galera inglêsa Britannia, morrendo um tripulante e ficando o navio inteiramente destruído, e doutro que se deu a 18 de Outubro de 1875 com um barco costeiro, tendo perecido cinco pessoas.
Maior numero de sinistros maritimos tem ocorrido nas imediações da chamada Ponta da Cruz, a pequena distancia da Praia Formosa. No alto da rocha vê-se uma pequena cruz de ferro que tem sido varias vezes substituída, como sinal e lembrança dos desastres e perdas de vidas que ali se têm dado. É costume piedoso dos passageiros dos barcos costeiros que passam neste local descobrirem-se respeitosamente, e muitos murmuram recolhidos uma fervorosa prece. Ali se submergiu a 12 de Março de 1901 um barco costeiro da Ponta do Pargo, morrendo sete pessoas.
Nas alturas da Ponta do Pargo,
naufragou no dia 31 de Março de 1850 um barco de pesca
do pôrto do Paul do Mar, morrendo alguns tripulantes.
Procedente do Pará e conduzindo carga para Lisboa, naufragou na praia da freguesia da Madalena do Mar, no dia 31 de Janeiro de 1857, o brigue português Triunfo, de que era capitão Francisco Antonio da Silva, salvando-se todos os tripulantes.
Em frente do pôrto da freguesia do Pôrto da Cruz, a legua e meia da costa, sossobrou no dia 20 de Setembro de 1858, em consequencia de violento temporal, o bergantim francês Homs, de que era capitão F. Azemas, e que se dirigia de Cette para a Martinica. Salvaram-se todos os tripulantes, que naquela freguesia foram largamente socorridos pelo comendador Valentim de Freitas Leal, que era ali abastado proprietario.
Nos primeiros dias do mês de Dezembro de 1859, saíra de Cardiff a galera inglêsa Flying Foame, que se destinava á colonia britanica de Hong-Kong, na China. Um grande temporal arrastou-a até as alturas da Madeira e arremessou-a violentamente contra os cachopos da costa, no sitio chamado Fajã do Manuel, na freguesia do Pôrto Moniz. Das 21 pessoas que havia a bordo, morreram 15, e entre estas o capitão do navio William Lidle e outros oficiais. Este navio, que conduzia um carregamento completo de carvão de pedra, naufragou no dia 19 de Dezembro de 1859.
Na rocha do Ilhéu do Navio, nas costas da freguesia de Santana, naufragou, devido a um grande temporal, no dia 24 de Dezembro de 1860, a galeota holandesa Alfa, que se dirigia de Inglaterra para a ilha de Haiti. A tripulação, que se compunha de 7 individuos, foi salva.
A 18 de Agôsto de 1861, naufragou no Pôrto Novo, freguesia de Gaula, um barco costeiro com a perda de sete vidas, entre passageiros e tripulantes.
O barco costeiro Bailão, do pôrto da Calheta, que no dia 3 de Setembro de 1872 se dirigia daquela vila para o Funchal, afundou-se, tendo sucumbido três tripulantes.
Do pôrto dos Anjos, freguesia dos Canhas, saíu para o Funchal no dia 18 de Outubro de 1875 um barco costeiro conduzindo carga e passageiros. Naufragou, não sabemos bem em que altura da viagem, tendo perecido quatro homens e duas mulheres.
Na freguesia da Ponta Delgada, deu á costa a 9 de Dezembro de 1877 uma galera norueguesa, tendo morrido dois tripulantes.
Do naufragio do iate Varuna, na freguesia das Achadas da Cruz, demos já uma sucinta noticia a pag. 13 do vol. I desta obra.
A 12 de Março de 1901, naufragou em frente da Ponta da Cruz o barco costeiro «Brilhante Pargueiro» tendo morrido oito passageiros.
Há muito que está projectada a iluminação das ilhas Desertas, dando ocasião a falta de faróis a que naquelas paragens tenham ocorrido alguns naufragios de embarcações de alto bordo, sobretudo quando é mais intensa a cerração. Também ali se têm dado varios sinistros maritimos com barcos de pesca, que, acossados pelo temporal, vão por vezes encontrar naquelas abruptas e desabrigadas costas a sua destruição e a perda das vidas dos seus tripulantes.
Alguns navios abandonados têm
sido arrojados ás costas daquelas ilhas.
O vapor ingles Lagos, que procedia de Liverpool com destino à Madeira, para onde conduzia alguns passageiros, encalhou na Deserta Grande, no dia 17 de Janeiro de 1902, devido principalmente á grande cerração que fazia.
Em 1788, naufragou nas costas da mesma ilha, em local que ignoramos, o corsário inglês Dart, e em 1804, duas galeras da mesma nacionalidade foram arremessadas contra a costa, também em lugar de que não alcançámos noticia.
Em muitos portos do estrangeiro, encontram-se pequenos padrões ou singelas inscrições lapidares, em que se destacam os nomes das pessoas, que, por ocasião de naufrágios e tempestades marítimas, prestaram relevantes serviços no salvamento dos seus semelhantes, em luta com os elementos em fúria.
O exemplo deveria ser imitado e já um jornal do Funchal (D. da Mad. de II-Dez.- 1926), pela pena de um dos autores desta obra, lembrou a realização dessa ideia, deixando escrito as seguintes linhas.
Uma modesta lápide colocada em local próximo do mar e contendo os nomes de todos quantos se tornaram merecedores do reconhecimento de nacionais e estrangeiros por serviços prestados em ocasião de tempestades no porto do Funchal, seria um meio simples de mostrar que os madeirenses também sabem fazer justiça àqueles que por actos que nobilitam conseguiram provar que conservavam integras as virtudes da raça, mas enquanto isso não se faz, vamos nós procurar salvar dum completo olvido alguns daqueles nomes, registando-os nas colunas deste jornal.
Há 40 para 50 anos, eram os indivíduos que a seguir mencionamos pelos seus nomes ou alcunhas, os mais conhecidos pelo denodo e valentia com que se prestavam a arrostar com a fúria das ondas, sempre que havia vidas a salvar em ocasião de naufrágios no porto do Funchal: António Maria de Gouveia, António da Silva Cambé, Silvano Cardoso, Manuel Teixeira, Manuel Caramujo, João dos Passos (mudo), João Pereira (o Marau),José de Sousa (o Patacho), Manuel Capitão, José (o Gato Fardão), Guilherme e Vitorino Pófia, os dois Russos, o Tigela e Guilberme Albuquerque de França. Este ultimo madeirense, que foi cônsul do Uruguai no Funchal e não pertencia, como se sabe, á classe marítima, não hesitava nunca em entrar em luta com as vagas enfurecidas logo que os seus serviços eram reclamados em ocasião de temporais.
Em tempos mais antigos, tiveram grande nomeada no Funchal, por idêntico motivo, os seguintes madeirenses: Henrique Crawford, a quem ficaram devendo a vida os náufragos da escuna inglesa Wave, que deu á costa perto de S. Lazaro a 26 de Outubro de 1842; José Ferreira Ourela, Arsenio Pombo, João de Freitas, João Vieira, António Silveira e Pedro Antonio. Todos estes indivíduos, á excepção do primeiro, pertenciam á classe marítima e tiveram uma menção honrosa na acta da sessão da Real Sociedade Humanitária do Porto, de 14 de Abril de 1858, onde também apareceram mencionados os nomes de Domingos Teles de Meneses, Augusto César Bianchi, Alexandre Sheffield, Roberto Taylor, Gregorio Antunes dos Santos, José Francisco da Silva e Cândido Augusto de Mesquita Spranger, pelos bons serviços prestados por ocasião do naufrágio do bergantim Reliance.
Neste naufrágio prestou serviços
relevantissimos o musico Amaro José, natural de Portugal,
sendo por tal motivo agraciado com a medalha de ouro de primeira
classe, da referida Sociedade Humanitaria.