Nascimento (D. Frei João do). Foi D. João do Nascimento um dos mais distintos prelados desta diocese, durando o seu episcopado desde 5 de Setembro de 1741, dia em que chegou à Madeira, até 6 de Novembro de 1753, dia em que faleceu na casa onde esteve instalado o liceu desta cidade, na rua do Bispo.

Nasceu em Lisboa e era filho de Inacio Mira e de D. Garcia Ferreira de Afonseca, ambos de ilustre linhagem e senhores do morgadio da Torre da Giesteira, nos suburbios de Montemór- o - Novo. Doutorou-se na faculdade de canones na Universidade de Coimbra em 1711, e preparava-se para o concurso duma das cadeiras daquele estabelecimento de ensino, quando em 1713 se sentiu atraído para a vida monastica e entrou no seminario do Varatojo, onde professou na ordem serafica de S. Francisco.

Depois de alguns anos de vida religiosa e de se haver entregue ao apostolado das missões em muitas provincias de Portugal, foi por D. João V nomeado bispo do Funchal, cargo que procurou recusar com insistencia, mas a que não pode subtrair-se pela imposição dos seus superiores hierarquicos. Foi nomeado a 7 de Novembro de 1740 e confirmado por Bento XIV a 5 de Janeiro de 1741, tendo recebido a sagração episcopal a 5 de Maio do mesmo ano.

Durante os doze anos em que viveu nesta ilha, deu sempre provas duma grande austeridade de caracter e da mais ilibada conduta, não só como chefe da igreja funchalense mas ainda como governador dêste arquipélago no periodo decorrido de 1747 a 1751.

Visitou pastoralmente tôdas as igrejas paroquiais, providenciando acêrca de muitos pontos da disciplina eclesiastica, introduziu notaveis reformas no seminario diocesano, criou alguns curatos e tomou outras importantes medidas no desempenho das suas funções episcopais.

0 seu nome ficou entre nós vinculado a uma obra notavel-a edificação do Paço Episcopal. Apesar de ser uma construção pesada e despida de quaisquer primores arquitectonicos, era, no entretanto, para esta pequena cidade e para a epoca em que foi levantada, um edificio de relativa importancia e que não deshonrava a alta hierarquia dos seus moradores. Foi construído no periodo decorrido de 1748 a 1751 e nele se gastaram vinte contos de réis, quantia avultada para o tempo (V. Paço Episcopal).

Empenhou-se notavelmente na construção da igreja paroquial de Nossa Senhora do Monte e a êle em boa parte se deve o levantamento daquela igreja, sobretudo com a criação em tôdas as freguesias da ilha, da Confraria dos Escravos de Nossa Senhora, cujas receitas foram exclusivamente aplicadas á edificação do mesmo templo.

Era bispo e governador dêste arquipélago, quando na noite de 31 de Março do 1748 se sentiu entre nós um violento abalo de terra, que causou poucas vitimas, mas que produziu danos consideraveis na maior parte dos edificios publicos e particulares. Adoptou as providencias que de momento eram aconselhadas pelas circunstancias ocorrentes e alcançou do govêrno da metrópole importantes créditos para reparar os prejuízos causados pelo terremoto, principalmente em muitas igrejas, nalgumas fortalezas e nas casas da Alfandega.

Morreu nesta cidade a 6 de Novembro de 1753 e jaz sepultado na capela-mor da Sé Catedral.