Magalhães (Dr. José Alfredo Mendes de) Este conhecido politico, lente da Escola Medica do Pôrto e antigo ministro e deputado, foi mandado á Madeira como alto comissario da Republica, por ocasião da epidemia colerica que grassou neste arquipelago de Outubro de 1910 a Fevereiro de 1911.
Embora incumbido especialmente de tratar de assuntos relativos á saúde pública, o Dr. Magalhães levou mais longe a sua acção como delegado do Govêrno, tendo conseguido por meio das medidas energicas que pôs em pratica, restabelecer a ordem pública, que se achava um tanto alterada nesta ilha desde a implantação do govêrno republicano. A sua proclamação de 27 de Dezembro, em que comunicava aos madeirenses o proposito firme em que estava de fazer punir em processo sumario e com o maior rigor, aquêles que tentassem alterar a ordem, foi recebida com gerais aplausos, e a prisão dum sargento apontado como um dos principais causadores do desassossêgo que reinava na Madeira, acabou por tranquilizar os animos dos que receavam que as novas instituições só trouxessem a anarquia á ilha.
O sargento a que nos referimos e que chegou a desempenhar um papel importante no Funchal nos primeiros tempos da Republica, esteve prêso e incomunicavel na fortaleza de, S. Tiago, donde saiu para Lisboa, sendo aí demitido do exercito em virtude do seu mau comportamento militar.
O dr. Magalhães fêz uma conferencia pública no Teatro do dr. Manuel de Arriaga, que agradou bastante, e interessou-se pela criação dum Asilo Infantil de Artes e Oficios.
Em retribuição dos
serviços prestados pelo Dr. Alfredo de Magalhães,
outorgou-lhe a Comissão Administrativa da Camara Municipal
o diploma de cidadão benemerito do Funchal, tendo-lhe sido
entregue o mesmo diploma no salão nobre dos Paços
do Concelho, no dia 25 de Fevereiro de 1911. V. Cólera
Mórbus em 1856 e 1910 e Junta Agricola.