Bananeira. A bananeira anã e a de prata são as mais cultivadas na Madeira, sendo a primeira a Musa Cavendishii, e a segunda uma variedade da M. Sapientum.

A banana destinada à exportação é produzida unicamente pela bananeira anã, que se reconhece facilmente pelos seus caules de l,m30 a l,m70 de alto e pelos seus regimes muito grandes, comportando às vezes mais de duzentos frutos.

Esta bananeira, conhecida também pelo nome de bananeira de Demerara por ter sido importada daquele país, é oriunda da China e cultivada na ilha desde 1842 ou 1843.

Bananeira de prata, muito menos frequente que a anã, começou a ser cultivada na Madeira pelos fins do segundo quartel do seculo XIX, e reconhece­se pelos seus caules de três a quatro metros e pelos seus regimes mais pequenos e com cinquenta a cento e trinta frutos, de um lindo amarelo exteriormente.

Estes frutos são saborosissimos e um pouco acidos, mas têm o inconveniente de se desprenderem com facilidade do eixo, o que os torna improprios para a exportação.

A cultura da bananeira já existia na ilha em 1552, pois que dela fala Nichols, viajante inglês que esteve aqui naquele ano. Provavelmente era a bananeira chamada da terra a que então existia na ilha, a qual é também uma variedade da Musa sapientum, distinguindo­se da bananeira de prata pelos seus frutos um tanto rijos na parte interna e menos saborosos e aromaticos.

A bananeira da terra é hoje rarissima na Madeira, e o mesmo se pode dizer acerca da bananeira «plantina» (Musa paradisiaca), cujos frutos muito grandes se comem fritos ou cozidos.

A bananeira de frutos roxos, a bananeira maçã e a bananeira de senhora são variedades da Musa sapientum, que se não têm vulgarizado.

A Madeira exportou 550:000 quilogramas de bananas em 1911, 493.990 em 1912 e 619:790 em 1913, no valor respectivamente de 27:000, 24:703 e 30:000 escudos. Admite­se que a exportação da banana regulou nesses anos por dois terços da produção.

Os caules da bananeira depois de cortados e reduzidos a pequenos pedaços, constituem uma boa forragem, à qual se adiciona o farelo. Os donos dos estabulos costumam adquiri­los para alimentação dos bois.

A bananeira, como a cana de açucar, é uma planta que só deve ser cultivada na região inferior da Madeira. Acima de 200 ou 300 metros os seus frutos são mais pequenos que os produzidos no litoral, e na altitude de 600 metros só dificilmente frutifica, como por mais duma vez temos tido ocasião de notar.

0 cultivo da bananeira constitue uma das mais apreciaveis fontes de riqueza publica na Madeira, sendo os seus frutos largamente exportados para o continente português e também para diversos países estrangeiros. A superioridade das suas qualidades nativas, em confronto com os produtos seus similares de outras regiões, vão­lhe já adquirindo uma fama quasi universal, que no decorrer do tempo há­de cada vez mais espalhar­se e consolidar­se por toda a parte. Era para desejar o aparecimento duma monografia cientifica, em que a historia da banana madeirense, a sua composição, a sua acção fisiologica, as suas virtudes terapeuticas, o seu valor alimenticio, o modo mais racional do seu uso etc., fossem postos em saliente relevo com a comprovada competencia e com a necessaria probidade, que a natureza do assunto estavam imperiosamente a exigir. Acaba de preencher esse fim o trabalho, por muitos titulos valioso, que o dr. Vicente Henriques de Gouveia publicou em segunda edição, no ano de 1939, subordinado à epigrafe A Banana/Fruto de Todo o Ano/Alimento Medicamento. É livro para ler­se e apreciar­se devidamente e também agradecer­se ao seu autor o assinalado serviço que veio prestar à sua terra.