Acciaioly.
Encontramos este apelido escrito de diversas maneiras, seguindo aqui a forma adoptada presentemente pelos representantes da família que o usa. O primeiro que com tal apelido veio a esta ilha foi Simão Acciaioly, que, dos estrangeiros trazidos à Madeira pelos azares da fortuna, parece ter sido um dos de mais autêntica nobreza. Era natural da cidade de Florença e filho de Zenobio Acciaioly, a quem o imperador Carlos V havia concedido grandes privilégios e regalias. Pertencia a uma distintíssima família, e afirma-se que descendia por varonia dos antigos duques de Atenas. Muitos membros desta família se distinguiram notavelmente nas armas, nas ciências e nas letras, e tiveram representantes ilustres em muitos países da Europa. Henriques de Noronha cita trechos de vários autores nacionais e estrangeiros que se ocupam da família Acciaioly.
Quando o ilustre anotador das Saudades da Terra se ocupa da origem do vinho da Madeira, insere o seguinte trecho, que muito de perto se relaciona com o assunto deste artigo: "Entre o vinho malvasia e a família Acciaiuoli, uma das mais distintas desta ilha, há notável coincidência histórica. Esta família é de origem florentina, e deriva o apelido de aço (acciaio, em italiano), objecto do comércio que a tornara opulenta. Dela descendia Reniero Acciaiuoli, ao qual a imperatriz titular de Constantinopla, Maria de Bourbon, conferiu em 1364 os senhorios de Vestitza e Corinto, de que ele se apossou, assim como do ducado de Athenas, com Tébas, Argos, Megara e Sparta, constituindo o principado de Acciaiuoli, que, de mais em mais afrontado dos turcos, foi afinal destruído em 1456, por Mahomet II. A ilha Minoa, donde são os vinhos de Malvasia, se não formava parte desse principado, era dele limítrofe ou próxima. Assim, pois, é não só possível, mas natural que os Acciaiuolis, vindo, como vieram, estabelecer-se na ilha da Madeira (o primeiro de que houvemos notícia foi Simão Acciaiuoli, 1515) para cá trouxessem, por curiosidade própria, ou por motivo ao presente ignorado, a vinha Malvasia".
Armas: "Em campo de prata um leão azul com a língua e unhas de vermelho, elmo de prata aberto, guarnecido de ouro, paquife de prata e azul, e timbre o mesmo das armas ".
Informam-nos que, no Boletim da Sociedade de Bibliophilos Barbosa Machado, vol. III e pág. 27, vem indicado um manuscrito pertencente à Casa Cadaval, que tem o título seguinte: Achaioli Genealogia por Miguel Achaioli, I661, fol. É possível que este manuscrito forneça novas informações sobre a família Acciaioli, na Ilha da Madeira.