EDMUNDO ALBERTO DE BETTENCOURT[ 1899-]

 

Paisagem verdadeira

 

O verde tenro e vivo, de folhagem,

Presépio dos meus sonhos, em menino,

Pôs-me de luto a par com meu (lestino,

Cego-me a vê-lo imagem de miragem...

 

Quando, iludido, o busco na ramagem,

Já com seus tons mais brandos não atino;

E nesta escuridão, só me ilumino

Vendo-o compor-me interior paisagem:

 

Paisagem de ouro verde, que de mim

Sai alongada em foco para a terra

A procurar vencer-lhe a cerração,

 

E aonde num crepúsculo sem fim

Tonta, a esperançã, esvoaçando, erra

Sobre torres de encanto e de traição.

[Luis Marino, Musa Insular(poetas da Madeira), 1959, p.464]