O Rouxinol
Não canta, o nosso rouxinol?
De pássaros um bando preguntava,
Numa algazarra doida que encantava,
Em hora em que dormia há muito o sol.
A eira da lisura dum lençol,
Do passal uns minutos afastada,
Servia de palco à alegre revoada,
Que, descansando, esperava o arebol.
E o infeliz em tão muda aflição,
Gotejando-lhe sangue o coração,
Lesto. os golpes, oculta com um véu.
Soluçando, levanta a meiga voz,
Cantando brando a sua mágoa atroz,
O sacrifício belo oferece ao céu.
[Luis Marino, Musa Insular(poetas da Madeira), 1959, p.440]