JULIA GRAÇA DE FRANÇA E SOUSA(UMA MULHER)[1897]

 

O Rouxinol

 

Não canta, o nosso rouxinol?

De pássaros um bando preguntava,

Numa algazarra doida que encantava,

Em hora em que dormia há muito o sol.

 

A eira da lisura dum lençol,

Do passal uns minutos afastada,

Servia de palco à alegre revoada,

Que, descansando, esperava o arebol.

 

E o infeliz em tão muda aflição,

Gotejando-lhe sangue o coração,

Lesto. os golpes, oculta com um véu.

 

Soluçando, levanta a meiga voz,

Cantando brando a sua mágoa atroz,

O sacrifício belo oferece ao céu.

 

[Luis Marino, Musa Insular(poetas da Madeira), 1959, p.440]