No Rabaçal
(llha da Madeira)
Deslumbras. como o brilho resplendente
Dum fantástico céu;
Da natureza altiva e imponente
levantas-nos o véu.
Jorra do coração dos teus rochedos,
A água, em mil borbotões;
Desenrolas uns mágicos segredos
De ignotas regiões.
Ao ver-te, colhe a alma, em mudo anseio,
Deliciosos pomos;
Tu vens, como um gigante, sem receio,
Mostrar o que nós somos.
Junto a ti, nós sentimos germinar
Forças, que nos transportam
Ao fundo, onde, entre júbilo sem par,
Mágoas crueis abortam.
A prata, que refulge em tuas águas.
Puras como cristal,
Irradia também nas nossas mágoas
Uns brilhos sem igual.
Ao ver tantas belezas, mergulhamos
Num êxtase profundo;
Num sublime cismar tudo olvidamos,
Esquecemos o mundo.
[Luis Marino, Musa Insular(poetas da Madeira), 1959, pp.210-211]