LUÍS ANTÓNIO GONÇALVES DE FREITAS [1858-1904]

 

No Rabaçal

(llha da Madeira)

Deslumbras. como o brilho resplendente

Dum fantástico céu;

Da natureza altiva e imponente

levantas-nos o véu.

Jorra do coração dos teus rochedos,

A água, em mil borbotões;

Desenrolas uns mágicos segredos

De ignotas regiões.

 

Ao ver-te, colhe a alma, em mudo anseio,

Deliciosos pomos;

Tu vens, como um gigante, sem receio,

Mostrar o que nós somos.

 

Junto a ti, nós sentimos germinar

Forças, que nos transportam

Ao fundo, onde, entre júbilo sem par,

Mágoas crueis abortam.

 

A prata, que refulge em tuas águas.

Puras como cristal,

Irradia também nas nossas mágoas

Uns brilhos sem igual.

 

Ao ver tantas belezas, mergulhamos

Num êxtase profundo;

Num sublime cismar tudo olvidamos,

Esquecemos o mundo.

 

[Luis Marino, Musa Insular(poetas da Madeira), 1959, pp.210-211]