SÃO tantas as maravilhas que encerra em si a Madeira que em verdade quem a vê acreditará por momentos que os jardins de Armida e os Campos Elisios da fábula deveriam ser como esta formosa ilha, chamada por excelência a Flor do Oceano.
Julgar-se-ia mesmo que aquelas maravilhas não são uma realidade, mas sim um sonho ou ficção de poetas !
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- Do Jardim da Serra seguimos para diante e fomos admirar o maravilhoso quadro do Curral das Freiras, na proximidade da propriedade do referido cônsul.
É um sítio tão interessante da ilha que quase sempre é o primeiro que os viajantes costumam visitar e aonde têm lugar repetidos e agradáveis piqueniques, um dos recreios muito em voga na Madeira, como quase tudo o que são usos e costumes ingleses, por causa do grande número de pessoas desta nação que frequentam a ilha e nela residem, principalmente os que procuram remédio contra a tísica naquele belo e saudável clima.
- Não há pena ou pincel que descreva a impressão que o viajante experimenta quando ao chegar ao cimo dum caminho construído a 800 metros de altura, pouco mais ou menos, --se lhe apresenta de repente o vale do Curral das Freiras, desenrolando-se-lhe aos pés como um quadro fantástico.
Suspende-lhe os passos um estremecimento involuntário, e, cheio de surpresa e terror, vê-se à borda de um medonho precipício de extraordinária profundidade; parece que as rochas basálticas se abriram, se fenderam por meio dalguma formidável explosão vulcânica, que provavelmente teve lugar em remotíssimas eras, e que despedaçando as camadas fundamentais originaram aquele vaso pasmoso, que a acção poderosa das torrentes, que desde séculos e séculos se despenham por aqueles serros abaixo, tem ido alargando cada vez mais !
[Francisco Travassos Valdez, África Ocidental, cap. I, (1864)in Cabral do Nascimento, Lugares Selectos de Autores Portugueses que Escreveram sobre o Arquipélago da Madeira, Funchal, 1959, pp 25, 28-30]