FERNÃO MANUEL DE ORNELAS GONÇALVES [1908/1978],

 

um dos principais obreiros da cidade do século XX. A 11 de Janeiro de 1934, entrou pela primeira vez para a Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Funchal, como vogal e um ano depois é nomeado Presidente. Aí chegado, estabeleceu um plano de realizações no qual englobava também as freguesias suburbanas, distribuindo a sua acção pela ordem de necessidades mais prementes de cada qual. As suas primeiras decisões foram no sentido de aformoseamento e embelezamento da cidade através da construção de Miradouros (da Vila Guida, do Socorro, do Ribeiro Seco, Bela Vista, etc.) e calcetamento das ruas. Abriu avenidas amplas e modernas para a época, municipalizou os transportes públicos, mandou pintar os letreiros com os nomes das ruas e iluminar as principais praças da cidade, como a Praça de Tenerife, Largo de António Nobre, do Jardim Municipal; procedeu ainda à iluminação pública das principais ruas e praças da cidade até às zonas suburbanas. Na educação melhorou a rede de escolas do Funchal, o material didáctico, a sua iluminação, o arejamento e pintura. Em 1936 foram aprovadas as armas, bandeira e selo da cidade, instalou o Aquário no edifício do Museu Municipal. 

Fernão de Ornelas não esqueceu as freguesias suburbanas dando-lhes novas estradas, alargando outras e recalcetando-as, deu-lhes a iluminação e essencialmente água potável, através da construção de muitos fontanários públicos, bocas de rega, casas económicas, salientando-se neste aspecto os Bairros económicos de Santa Maria Maior, S. Gonçalo e Ajuda. No campo da saúde no fim do ano de 1940 constituiu o Serviço Municipal de Saúde colocando médicos, gratuitamente, nas freguesias suburbanas, afim de assegurar uma eficiente protecção na doença aos munícipes pobres e combater as principais doenças sociais.

No começo da 2ª Guerra Mundial, comparticipou com 30 contos mensais para a distribuição de géneros alimentícios às classes necessitadas e decidiu prolongar a Avenida do Mar até ao campo Almirante Reis, contribuindo para minorar a crise do desemprego que devido à guerra se fazia sentir no Funchal e construiu ainda a praia de banhos da Barreirinha e o miradouro do Socorro. Em 1940, com a concessão de um empréstimo pelo Governo de 10.500$, decidiu construir um grande edifício para a conservatória do Registo Civil, do Registo Predial e Repartição de Finanças e concluir os troços da Avenida Arriaga até à Ribeira de S. João, da Av. Do Infante até à ponte Monumental (R. Seco), da rotunda do Infante com a Av. Arriaga, cobertura da Ribeira de S. João. Neste mesmo ano, por altura das comemorações centenárias, dá-se a inauguração de várias obras realizadas pela CMF entre elas o novo Mercado dos Lavradores, na altura considerado um dos melhores do país, o novo Matadouro Municipal e a iluminação pública até às freguesias suburbanas.

 

Fernão de Ornelas deixa a Câmara a 22 de Outubro de 1946 legando uma obra a todos os títulos notável, que marcou indelevelmente a história da cidade que o viu nascer. Na primeira reunião, já sem a sua presença, considerando os relevantes serviços de Fernão de Ornelas à frente do Município, a Câmara deliberou, que à rua em construção, que liga a ponte do Bettencourt com a rua do Hospital Velho/Mercado dos Lavradores seja dado o nome de Rua Dr. Fernão de Ornelas.